Tomada de Sloviansk, fluxo de refugiados e futuro das operações de Kiev

Os refugiados estão sendo colocados em abrigos, e os hotéis privados da região oferecem moradia por preços simbólicos Foto: Photoshot/Vostock-Photo

Os refugiados estão sendo colocados em abrigos, e os hotéis privados da região oferecem moradia por preços simbólicos Foto: Photoshot/Vostock-Photo

Destaques dos jornais russos nesta segunda (7) sobre os eventos na Ucrânia.

De acordo com o jornal “Kommersant”, o confronto no leste da Ucrânia entrou em um momento decisivo: ao conquistar Sloviansk, considerada o símbolo da resistência, as forças governamentais conseguiram o maior progresso em dois meses de batalhas. O jornal sugere que, de agora em diante, os objetivos principais das forças ucranianas serão Donetsk e Lugansk, já que o presidente ucraniano Petrô Porochenko prometeu continuar a operação militar até a vitória completa.

Os especialistas entrevistados pela publicação acreditam que os eventos podem se desenvolver em dois possíveis cenários. “A resistência das milícias será rapidamente suprimida, ou as batalhas se prolongarão e os militares serão obrigados a cercar Donetsk e Lugansk, que se tornarão os principais centros de resistência”, descreve o “Kommersant”.

Um possível ataque a Donetsk, cidade que tem um milhão de habitantes, com utilização de artilharia e aviação pode se transformar em uma catástrofe com número enorme de vítimas. Apesar de Kiev estar disposta a guerrear até a vitória completa, o jornal afirma que as partes, de um ou outro modo, têm que chegar a um acordo; caso contrário, a guerra será prolongada. O “Kommersant” relata ainda que Porochenko dificilmente pode permitir que a operação se prolongue, pois isso daria chance de renovar o diálogo dentro da Ucrânia, bem como na arena internacional.

Confira a reportagem completa aqui (em russo)

O jornal “Nóvaia Gazeta” apresenta aos leitores a pequena cidade de Sviatogorsk, localizada a apenas 15 km de Sloviansk. O local recebeu “quase todos os refugiados” da cidade vizinha, que foi abandonada pelos milicianos. De acordo com os dados do “Nóvaia Gazeta”, o vilarejo de Sviatogorsk, que possuía apenas cinco mil habitantes, já recebeu cerca 18 mil pessoas de Sloviansk. Os refugiados estão sendo colocados em abrigos, e os hotéis privados da região oferecem moradia por preços simbólicos.

Depois da retomada da chamada “operação antiterrorista”, mais 8.000 pessoas chegaram ao local. “Eles deixam Sloviansk como podem”, informa o jornal. “Alguns de condução própria por estradas secundárias, outros em ônibus organizados por voluntários. Pelos pontos de inspeção saíram inicialmente milicianos, posteriormente militares, enquanto alguns saíam à pé”, descreve a publicação.

O fluxo de refugiados é tão grande que já não restam lugares desocupados na cidade. As pessoas provenientes de Sloviansk foram registrados em Sviatogorsk na lista de “deslocados por coerção”. O termo “refugiado” não aparece nos documentos oficiais.

Leia a matéria em detalhes aqui (em russo)

O jornal “Vedomosti” divulgou informações sobre a libertação de quatro cidades da unidade federativa de Donetsk – Sloviansk, Kramatorsk, Druzhkovka e Konstantinovka – por militares ucranianos no fim de semana passado. Os especialistas procurados pelo jornal consideram que, depois da interrupção da trégua, ficou claro que a tarefa prioritária das forças ucranianas era o bloqueio de Sloviansk e Kramatorsk, bem como a destruição do grupo mais motivado de milicianos.

“Essa não é a vitória completa. Mas a purificação de Sloviansk do bando de vilões armados até os dentes tem um enorme significado simbólico. Esse é o início da virada na batalha contra os milicianos”, diz o presidente da Ucrânia, Petrô Porochenko, citado pela publicação. Na opinião dos especialistas, os milicianos concentrarão forças nos arredores de Donetsk, pois “atacar um enorme aglomerado urbano é mais difícil, e também as forças do exército ucraniano são insuficientes para cercá-la, como fizeram com Sloviansk”. O “Vedomosti” aponta também para a intensificação dos confrontos, após a recente pausa.

As autoridades ucranianas sublinham que “o bombardeamento massivo de assentamentos está descartado, já que nas cidades trabalharão as forças especiais”. Entretanto, alguns entrevistados sugerem que a próxima tarefa dos militares “não será o cerco completo de Donetsk e Lugansk, mas uma nova tentativa de retomar o controle da fronteira com a Rússia”.

Para ter acesso à reportagem na íntegra, clique aqui.

O portal Gazeta.ru publicou uma reportagem sobre o alinhamento entre milicianos e habitantes nas áreas fronteiriças. O veículo relata que uma parte dos milicianos foi deslocada para Donetsk, e outra, para Lugansk, que “agora poderá se tornar o ponto de apoio principal dos separatistas”. Entretanto, “a cidade está praticamente tomada por militares, já que o Exército ucraniano está fechando o cerco em volta de Lugansk”, ressalta o Gazeta.ru.

A organização dos próprios milicianos é outra em comparação a de uma semana atrás. De acordo com as informações do site, “eles estão mais decididos e, ao mesmo tempo, decepcionados: cansados das vigias noturnas e diuturnas, vida desorganizada e insegurança”. Os dirigentes da República de Lugansk não conseguem achar um único comandante-geral que tenha autoridade sobre todos, e o ministro da Defesa local é trocado praticamente depois de cada batalha. “Os comandantes populares entre os milicianos, em geral, interagem bem com os colegas, mas não conseguem se organizar em níveis maiores de coordenação”, resume o Gazeta.ru.

Leia mais detalhes sobre a distribuição das milícias aqui.

 

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