O ano russo de Snowden

Snowden dá entrevistas, discursa para audiências em sistema de teleconferência, como especialista na área de segurança da informação  Foto: Getty Images/Fotobank

Snowden dá entrevistas, discursa para audiências em sistema de teleconferência, como especialista na área de segurança da informação Foto: Getty Images/Fotobank

Uma retrospectiva sobre o primeiro ano de refúgio na Rússia do ex-oficial dos serviços de Inteligência dos EUA Edward Snowden.

Depois de divulgar informações sobre a espionagem norte-americana, o ex-agente Edward Snowden aterrissou no aeroporto Sheremetievo, em Moscou, sem visto russo, depois de manter-se foragido da justiça dos EUA em Hong Kong.

Mas foi apenas em 12 de julho, durante uma reunião com ativistas dos direitos humanos, que ele anunciou suas intenções de pedir asilo político no país.

Assim começou o ano na Rússia de Edward Snowden, o ex-técnico da NSA que entregou aos jornais Guardian e Washington Post, entre maio e junho de 2013, informações sobre a espionagem norte-americana.

A concessão de asilo a ele, porém, tornou-se mais um motivo para tensão entre a Rússia e as potências ocidentais.

Para o cientista político Mikhail Vinogradov, porém, a participação da Rússia no destino de Snowden, agora fugitivo, não foi uma atitude antiocidental das autoridades russas.

"Foi, sim, como um trunfo, uma carta na manga para o caso de se agravarem as relações com os EUA ou o Ocidente em geral", diz.

O presidente russo Vladímir Pútin concedeu asilo político ao técnico da NSA sob a condição de que ele parasse com qualquer atividade que prejudicasse os norte-americanos.

Uma vida fílmica

Em 2013, Snowden recebeu uma oferta para trabalhar como âncora de televisão e aprendeu um pouco de russo.

Ele também foi o motivo formal para o cancelamento da reunião entre os presidentes norte-americano e russo, em setembro de 2013, e para a proposta de boicotar os Jogos Olímpicos de Sôtchi, elaborada pelo senador norte-americano Lindsey Graham e por candidatos ao Prêmio Sakharov para a Liberdade de Pensamento, do Parlamento Europeu.

Em outubro, o ex-agente se encontrou com o pai, Lon Snowden, que visitou Moscou por alguns dias.

Em novembro, segundo seu advogado Anatóli Kutcherena, Snowden teria conseguido emprego em uma grande empresa russa. "Sua tarefa será manter e desenvolver um dos maiores sites russos", disse o advogado à agência Interfax.

Kutcherena fez um balanço do ano de Snowden na Rússia no livro "Time of the Octopus" (do inglês, "O Tempo do Polvo") e, segundo declarou à agência RIA Nôvosti, vendeu os direitos do livro para adaptação cinematográfica do diretor Oliver Stone. O filme está previsto sair ainda neste ano.

Snowden dá entrevistas, discursa para audiências em sistema de teleconferência, como especialista na área de segurança da informação e ativista dos direitos humanos, e garante que cumpriu sua missão.

"Tudo o que eu queria era mostrar à sociedade como ela é manipulada", disse em uma entrevista ao Washington Post.

"Para os norte-americanos, a história com Snowden foi a maior das bênçãos", diz o escritor e historiador Leonid Mletchin.

"Esses escândalos permitem diagnosticar o perigo e ajudam a encontrar meios de evitá-lo. Os norte-americanos descobriram que existe o risco de violação de seus direitos e, depois do escândalo com as revelações de Snowden, tomou-se uma série de medidas para aumentar o controle sobre os serviços de inteligência, incluindo civis."

 

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