Prioridades de Porochenko, crise do gás e marketing político na Crimeia

Revista “Expert” avaliou o plano do presidente ucraniano como “uma proposta de rendição” Foto: Reuters

Revista “Expert” avaliou o plano do presidente ucraniano como “uma proposta de rendição” Foto: Reuters

Destaques da imprensa russa nesta quinta-feira (19) sobre os acontecimentos na Ucrânia.

O jornal “Kommersant” publicou uma reportagem sobre as primeiras medidas do novo presidente da Ucrânia, Petrô Porochenko, para a resolução da crise interna. Porochenko anunciou um cessar fogo no leste do país e reiterou a necessidade de apoio imediato ao plano de paz por parte de todos os envolvidos nos acontecimentos de Donbass. O jornal também relata que Porochenko propôs criar um “corredor, através do qual os mercenários russos, com respetivo armamento, possam deixar o território da Ucrânia”.

Os especialistas entrevistados qualificaram os primeiros passos de Porochenko como “bastante otimistas”. O “Kommersant” fala ainda sobre a demissão do “desacreditado chefe da diplomacia, Andri Deshchitsa”, que será substituído por Pável Klimki – mais leal em relação à Rússia e que irá reforçar a posição do novo presidente da Ucrânia. Nas palavras do jornal, Klimkin é um “profissional tolerável do ponto de vista da Rússia, capaz de se sentar à mesa de negociações”.

Leia mais informações sobre o assunto (em russo) em http://www.kommersant.ru/doc/2493894

A revista “Expert” avaliou o plano do presidente ucraniano como “uma proposta de rendição”. “Em resposta ao cessar fogo, o governo exige que as milícias se desarmem e abandonem os edifícios ocupados”, lê-se na reportagem. A anistia só será concedida a quem não tiver cometido crimes graves – em outras palavras, não tenha matado militares ucranianos. Em troca disso, escreve o Expert, “Porochenko propõe apenas uma descentralização mítica da Ucrânia”.

A análise feita pela revista sobre o discurso da tomada de posse ressalta que “nessa descentralização, não entra a federalização nem o estatuto oficial da língua russa”. Por isso, o veículo diz que não é de se estranhar que as autoridades da República Popular de Donetsk (RPD) tenham rejeitado o plano do presidente. Na região, Porochenko é considerado uma pessoa quase impossível de chegar a um acordo, já que tenta negociar, mas “não com quem precisa e realmente representa a rebelião em Donbass, mas com aqueles de quem ele gosta”.

Confira a matéria na íntegra (em russo) aqui

O jornal “Nezavisimaia Gazeta” continua acompanhando a questão do gás. De acordo com a publicação, as autoridades da Ucrânia temem que não seja possível chegar a um consenso com a Gazprom e se preparam para decretar estado de emergência no setor energético.

“Em Kiev não há esperança de uma resolução rápida do conflito”, diz o jornal, “e em vez disso se prevê a deterioração da situação”. Para resolver os problemas atuais, foi criada uma “sede de manutenção da crise energética”, que deverá acompanhar o balanço de energia no país.

“Se as partes não chegarem a um acordo e o fornecimento de gás russo ao país não for restabelecido, não podemos excluir uma situação muito difícil no outono, e a probabilidade desse desenrolar dos fatos é alta”, publicou o “Nezavisimaia Gazeta”.

Acesse o texto completo (em russo) em http://www.ng.ru/cis/2014-06-19/1_ukraina.html

Na manhã desta quinta-feira (19), o portal Gazeta.ru publicou uma entrevista anônima com um marqueteiro político russo que trabalhou nos referendos na Crimeia e em Donbass. Segundo o entrevistado, “o referendo da Crimeia não necessitou de consultoria política”, por isso, os consultores russos serviram principalmente para resolver questões técnicas. “Havia lá especialistas de áreas bem específicas que elaboraram as formulações de acordo com precedentes recentes do direito internacional e garantiram a realização da votação”, disse o entrevistado.

O comitê presente na Crimeia era sobretudo composto de juristas e historiadores. “O nível de expectativas e de apoio às autoridades russas eliminou a necessidade de aumentar a percentagem de comparecimento às urnas etc”, explicou o marqueteiro ao falar sobre a ausência de consultoria política. “Os habitantes da Crimeia estavam muito mais interessados em se juntar à Rússia do que em escutar sobre os problemas de habitação, cuidados de saúde e salário, coisas habituais para o eleitor comum.”

Quanto ao referendo em Donbass, ele “teve um caráter principalmente demonstrativo e não houve sérias tentativas de cumprimento das normas internacionais”, acrescentou o entrevistado. As seções eleitorais não tinham nenhum grau de proteção e as comissões eleitorais foram nomeadas pelas novas autoridades em prazos não previstos por nenhuma lei. “Os requisitos para o referendo foram muito menores. Nesse caso trabalharam, de fato, estrategistas políticos, cuja tarefa era formular a ideia do movimento de protesto.”

Clique aqui para ler a entrevista no Gazeta.ru

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