Morte de jornalistas, bloqueio da fronteira e roteiro de “Paz Fria”

Diplomacia russa exigiu que Kiev conduza uma investigação objetiva referente à morte dos jornalistas Foto: VGTRK

Diplomacia russa exigiu que Kiev conduza uma investigação objetiva referente à morte dos jornalistas Foto: VGTRK

Confira os destaques sobre a situação na Ucrânia publicados pela imprensa russa nesta quarta-feira (18).

O jornal “Kommersant” publicou uma reportagem sobre a morte dos jornalistas do canal estatal Rossiya 24, perto da cidade de Lugansk. O enviado especial do canal Igor Korneliuk e o cinegrafista Anton Volochin, que cobriam a evacuação de civis em uma barreira de estrada das milícias, morreram em consequência dos ferimentos em meio aos bombardeiros. No momento da tragédia, a equipe de filmagem estava preparando o material para o noticiário da noite.

O veículo adianta que os canais de TV russos não mostra intenção de chamar de volta as suas equipes que se encontram na zona de conflito, com a justificativa de que “o dever profissional o obriga a estar em zona de combate e a informar as pessoas, mesmo arriscando a própria vida”.

O “Kommersant” cita a declaração oficial do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia, exigindo que Kiev conduza uma investigação objetiva referente à morte dos jornalistas russos e puna severamente os responsáveis. “Em focos de conflito, os jornalistas se submetem a risco e ameaças. Sempre foi assim e em toda parte, mas as ameaças que existem hoje na Ucrânia são absolutamente artificiais”, declarou o responsável pela pasta, Serguêi Lavrov. O diplomata russo se referiu ao ocorrido como “um forte sinal para que os patrocinadores ocidentais de Kiev cessem o apoio às ações violentas e forcem as autoridades de Kiev a cumprir o que foi prometido pelo presidente Porochenko: iniciar um verdadeiro diálogo nacional sobre o futuro do país”.

Confira a reportagem na íntegra (em russo) em http://www.kommersant.ru/doc/2493421

Tratando do mesmo tema, o jornal “Vzgliad” afirma que o incidente “provocou uma reação do mais alto nível possível”. O Conselho de Segurança da ONU aprovou uma declaração na qual apela para a abertura de um inquérito sobre a morte dos jornalistas. A publicação ressaltou a reação do presidente Petrô Porochenko ao ocorrido, que “insiste em uma investigação completa a pedido da OSCE, e nem os familiares dos jornalistas mortos, a sociedade civil russa ou as autoridades públicas do país serão colocadas a par do desenvolvimento das investigações”.

De acordo com o “Vzgliad”, Kiev se apressou a acusar as milícias de Lugansk de serem os responsáveis indiretos, se não diretos, ​​pela morte dos jornalistas russos. O jornal publicou que, enquanto Porochenko expressava condolências às famílias dos jornalistas mortos perto de Lugansk, Igor Korneliuk e Anton Volochin, e prometia a abertura de um inquérito, o Serviço de Segurança da Ucrânia conseguiu acusar Korneliuk de não haver recebido permissão para trabalhar no país. “Parece que as autoridades de Kiev se esqueceram que desde 2011 jornalistas russos não necessitam de permissão para trabalhar na Ucrânia”, salienta o veículo.

Clique aqui ler a matéria completa (em russo)

O jornal “Nezavisimaia Gazeta” anunciou aos leitores que a Ucrânia pode fechar as fronteiras com a Rússia antes do final da semana e decretar lei marcial nas regiões de Donetsk e Lugansk. De acordo com a publicação, em Kiev está considerando um cessar fogo temporário. A trégua seria declarada para fazer com que os voluntários russos deponham as armas e voltem ao seu país, assim como permitir que a população civil do leste da Ucrânia abandone a zona de combates. “A resistência demonstrada pelas milícias faz com que o governo ucraniano lute como se fossem terroristas”, lê-se na reportagem.

O “Nezavisimaia Gazeta” fala ainda sobre o projeto para a construção de uma grossa cerca de metal com arame farpado eletrificado na fronteira com a Rússia. “A área adjacente à cerca pode ser minada, e, nos acessos a ela, planeja-se cavar um fosso profundo”, relata o veículo Ainda não foi tomada a decisão final sobre o assunto, mas o lado ucraniano mostra intenção de reforçar em breve a segurança nas fronteiras, aumentando o efetivo de soldados e compra de armamento novo.

Em meio à descrição do conflito, o jornal afirma que a população ucraniana renovou as exigências de eleições antecipadas. “A votação deve passar por um sistema proporcional com base em listas partidárias abertas”, descreve. Espera também que a Rada Suprema (Parlamento da Ucrânia) considere as novas leis eleitorais e apresente a nova versão da Constituição. De acordo com o “Nezavisimaia Gazeta”, a Ucrânia continua tendo diante de si a questão mais importante para resolver: decidir “como vão se desenvolver as suas relações com a Rússia: em um roteiro de paz fria ou guerra fria”.

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