Ataque à Embaixada russa em Kiev, nova Maidan e avanço da Otan

Os ânimos da população estão elevados desde sábado de manhã Foto: Reuters

Os ânimos da população estão elevados desde sábado de manhã Foto: Reuters

Destaques dos jornais russos sobre os eventos desta segunda na Ucrânia.

Nesta segunda-feira (16), o jornal “Kommersant” publicou uma matéria afirmando que o confronto entre a Rússia e a Ucrânia entrou em uma nova fase – a Embaixada da Federação Russa em Kiev foi atacada. “Moscou reagiu furiosamente ao incidente”, escreveu o jornal, “irritando-se com a passividade das autoridades ucranianas e com o comportamento do ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Dechitsia”.  Embora os especialistas entrevistados pelo jornal neguem uma ruptura das relações com a Ucrânia, eles sugerem possíveis sanções por parte da Rússia.

A indignação de Moscou com a reação do Ocidente também foi destaque da reportagem. “Embora as estruturas oficiais da União Europeia e dos Estados Unidos tenham condenado o ataque, a iniciativa da Rússia no Conselho de Segurança da ONU de apresentar uma declaração com o objetivo de condenar o sucedido foi vetada pelos países do Ocidente – o voto contra veio da Grã-Bretanha, EUA e França.”

De acordo com os especialistas do “Kommersant”, o discurso obsceno de Andrii “terá sido o seu canto do cisne” e ele tem as semanas contadas para o seu afastamento do cargo. “Por isso mesmo ele se permite essas tiradas, que vêm a manchar a imagem do presidente Porochenko e seu plano de paz”, divulgou a publicação. “O objetivo da ação pode ter sido distrair as atenções das conversações fracassadas sobre a questão do gás”, sugere também um dos entrevistados.

Leia a reportagem na íntegra (em russo) em http://www.kommersant.ru/doc/2492101

O jornal “Nezavisimaia Gazeta” publicou um artigo intitulado “Estão assustando Porochenko com uma nova Maidan”. Em resposta ao crescente descontentamento na sociedade, que culminou com o ataque de sábado passado (14) à Embaixada russa em Kiev, Porochenko prometeu “agir de modo decisivo e conciso”.

De acordo com a publicação, os ânimos da população estão elevados desde sábado de manhã, quando soube-se que, durante a aterrissagem no aeroporto de Lugansk, um IL-76 ucraniano foi abatido, matando 49 militares. O Ocidente condenou veemente a atuação das milícias e o presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, disse que “o governo ucraniano tem a obrigação e a responsabilidade de restaurar a ordem dentro de suas fronteiras”. O fato também relembrou a sociedade ucraniana sobre a principal promessa de Porochenko em sua campanha eleitoral: restaurar a paz.

Porém, o próprio jornal afirmou que o presidente Porochenko se tornou refém da situação. “Ele prometeu restaurar rapidamente a ordem na esperança de negociações de paz, mas se deparou com os partidários da guerra”, publicou o “Nezavisimaia Gazeta”.

Segundo o veículo russo, existe na Ucrânia um grupo de agentes de segurança interessados na continuação do confronto armado. A sociedade também está dividida em dois campos de batalha: alguns exigem o restabelecimento pacífico da ordem, enquanto outros insistem nas impiedosas ações militares. “Independentemente do que Porochenko fizer, ele poderá enfrentar uma nova Maidan”, arremata o jornal.

Para tanto, um especialista entrevistado pela publicação diz que o presidente da Ucrânia precisa escolher um dos dois caminhos. “Ou priorizar a recuperação econômica, o que exige que se sente à mesa das negociações com todos os que têm influência sobre a situação no leste da Ucrânia, ou escutar os agentes de segurança e tentar levar a guerra até o fim.”

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O jornal “Vzgliad” divulgou que a Otan pretende fornecer à Ucrânia um pacote de ajuda para modernizar o setor de defesa. Citando a declaração do secretário-geral da Aliança, Anders Fogh Rasmussen, a publicação evidencia os receios da Rússia sobre uma possível aproximação da infraestrutura militar do organismo ocidental. Além disso, o “Vzgliad” anuncia que a Otan está preparando um pacote de medidas para “reforçar as capacidades defensivas da Ucrânia”.

Segundo Rasmussen, a cooperação com Kiev terá, entretanto, “uma orientação exclusivamente prática e permitirá à Ucrânia, por exemplo, ter acesso aos exercícios militares da Otan”. As palavras do secretário-geral da Aliança, escreve o jornal, apenas “confirmam os receios das milícias do sudeste da Ucrânia”, que estão preocupadas com o agravamento da situação em Donetsk após a tomada de posse do presidente da Ucrânia, Petrô Porochenko.

A publicação lembra que os países ocidentais já antes haviam prometido ajuda militar, mas os especialistas entrevistados pelo jornal acreditam que os ucranianos não têm como pagar atualmente qualquer fornecimento de armas. Portanto, as forças de intervenção da Ucrânia não devem esperar nenhuma ajuda mais significativa dos EUA. “Os próprios americanos afirmam que não pretendem fornecer armas à Ucrânia. Além disso, eles não vão entrar em conflito direto com a Rússia”, resume o “Vzgliad”.

Confira os detalhes do texto publicado pelo “Vzgliad” (em russo) em http://vz.ru/world/2014/6/15/691234.html

 

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