Refugiados em massa, discurso de Porochenko e futuro político de Kiev

Voluntários e representantes de organizações públicas estão ajudando a evacuar moradores de Slaviansk, Kramatorsk, Lugansk e Donetsk, onde estão acontecendo os confrontos Foto: Serguêi Pivovarov / RIA Nóvosti

Voluntários e representantes de organizações públicas estão ajudando a evacuar moradores de Slaviansk, Kramatorsk, Lugansk e Donetsk, onde estão acontecendo os confrontos Foto: Serguêi Pivovarov / RIA Nóvosti

Os destaques dos jornais russos sobre os eventos de 5 de junho envolvendo a Ucrânia.

De acordo com o jornal “Kommersant”, as autoridades de Rostov, na Rússia, declararam estado de emergência na região devido ao fluxo maciço de refugiados vindos da Ucrânia. “Essas pessoas”, escreve o jornal, “fugiram para escapar dos bombardeios e ações militares”. Somente nos últimos dias, um número recorde de cidadãos ucranianos cruzou a fronteira russa – mais de 7.000 pessoas.

O jornal conta que voluntários e representantes de organizações públicas estão ajudando a evacuar moradores de Slaviansk, Kramatorsk, Lugansk e Donetsk, onde estão acontecendo os confrontos. “Eles chegam em grupos de até 100 pessoas”, diz o “Kommersant”, e são principalmente mulheres e crianças.

O fluxo dos refugiados da Ucrânia para a Rússia tem aumentado significativamente desde o final da semana passada, quando o Exército ucraniano intensificou a chamada “operação antiterrorista”. Por isso, o jornal sugere que, em um futuro próximo, o número de refugiados só vai aumentar. A publicação relata ainda que o Comitê de Investigação da Rússia instaurou um processo criminal em relação aos “crimes contra a humanidade no sudeste da Ucrânia”, cuja investigação será feita por um grupo especial.

Mais informações (em russo) em http://www.kommersant.ru/doc/2486507

A revista “Expert” publicou um artigo intitulado “O que Pútin tem para conversar com Porochenko”. Segundo o veículo, “a recepção de Petrô Porochenko em Varsóvia ocorreu bem”, no entanto, é pouco provável que ajude o presidente ucraniano a estabilizar as relações com a Rússia. Por outro lado, Barack Obama, durante discurso em Varsóvia, disse que “os Estados Unidos continuarão defendendo a Ucrânia contra a pressão de Moscou, e as nações livres estarão unidas lado a lado, fazendo com que futuras provocações russas causem ainda mais isolamento e custos financeiros para a Rússia”.

Porochenko, por sua vez, declarou que irá anunciar em sua posse os planos de uma anistia abrangente e descentralização do país. Além disso, está sendo considerada a possibilidade de uma cúpula russo-ucraniana. A reunião dos presidentes russo e ucraniano, de acordo com a “Expert”, poderá acontecer na Normandia, onde Pútin participará das festividades do “70 anos do Dia D” da Segunda Guerra Mundial.

“É claro que para o novo presidente ucraniano, as conversações com o presidente Pútin são extremamente importantes – o fato em si deverá legitimar Porochenko aos olhos dos habitantes russófonos [de língua russa] das repúblicas populares de Lugansk e Donetsk”, diz a revista. Porém, antes de finalizar, a “Expert” diz que não faz qualquer sentido Pútin se encontrar com Porochenko enquanto “o líder ucraniano não fizer concessões, não passar por cima do seu orgulho e noção de ‘escolhido por Deus’, e não der um fim à chamada operação antiterrorista”.

Confira o artigo completo aqui (em russo).

 

O jornal “Nezavisimaia Gazeta” publicou uma matéria sobre a crise política em curso na Ucrânia por causa da adoção de uma nova Constituição. O jornal lembra que, imediatamente após a mudança de poder, os políticos, que adotaram temporariamente a Lei Fundamental, alterada em 2004, prometeram à sociedade ratificar a nova versão até o outono. No entanto, não existe até agora nenhum projeto acordado, e as principais disputas e escândalos de bastidores são provocadas pela distribuição de poderes entre o presidente e o Parlamento. “Em Kiev, não se descarta que essa questão irá incentivar Petrô Porochenko a dissolver a Rada Suprema [Parlamento]”, salienta o jornal.

A novidade da Constituição de 2014 deveria ser a descentralização de poder, o que significa redução da influência do centro e concessão de amplos poderes às regiões. Conforme apuração do jornal “Nezavisimaia Gazeta”, o texto da Constituição como um projeto único ainda não existe. “Em geral, os deputados”, escreve a publicação, “estão propensos a limitar ao máximo os poderes do presidente”. Supõe-se que qualquer iniciativa de nomeação passará por aprovação da coalizão parlamentar, e cada passo do chefe de Estado deve ser conferido junto à Rada Suprema. “Nesse caso, o posto de presidente vira um elemento meramente decorativo”, sugere a publicação.

Se os deputados não conseguirem encontrar uma linguagem comum com o presidente e a luta pelo poder continuar, então, em vez de a Lei Fundamental prometida, “a Ucrânia obtém uma crise política aberta ao público, cujo resultado podem ser eleições parlamentares antecipadas”, diz o jornal.

Mais detalhes (em russo) em http://www.ng.ru/cis/2014-06-05/1_ukraina.html

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