Diplomata russo condena atuação da Otan em meio à violência na Ucrânia

A ideia de realizar uma reunião de emergência para discutir a situação na Ucrânia logo após a tragédia de Odessa partiu de Moscou Foto: AP

A ideia de realizar uma reunião de emergência para discutir a situação na Ucrânia logo após a tragédia de Odessa partiu de Moscou Foto: AP

Reunidos em Bruxelas, representantes do Conselho Otan-Rússia abordaram medidas para garantir segurança na região.

Nesta segunda-feira (4), aconteceu na sede da Otan em Bruxelas a primeira reunião em três meses do Conselho Otan-Rússia com embaixadores dos países da Aliança Atlântica e da Rússia perante a organização. A ideia de realizar uma reunião de emergência para discutir a situação na Ucrânia logo após a tragédia de Odessa partiu de Moscou. No entanto, as partes levaram algum tempo para chegar ao consenso sobre uma data.

“Há mais de um mês, exigimos a convocação do conselho, para nos encontrarmos olho no olho e discutir tudo aquilo que poderia acontecer. Mas os membros da Otan se recusaram a convocar a reunião e, de repente, graciosamente disseram que estavam prontos, mas só depois de 27 de maio. Não temos dúvida de que isso foi feito com a única intensão de legitimar as eleições marcadas para o dia 25 de maio”, declarou o chanceler russo Serguêi Lavrov.

Do lado russo, o encontro com os embaixadores dos 29 países (todos os membros da Otan mais a Rússia) contou com a participação do representante permanente junto à Otan, Aleksandr Gruchko. “O objetivo da reunião foi discutir a situação da segurança na Ucrânia”, disse ele à Gazeta Russa. “Uma guerra está despontando perto das nossas fronteiras e achamos necessário usar todas as oportunidades possíveis para acabar com a violência e transferir a situação para um canal pacífico de resolução.”

Gruchko apelou aos membros do Conselho para que imponham às autoridades de Kiev o fim imediato da operação punitiva no sudeste do país, o início imediato da execução do acordo de 17 de abril, assinado em Genebra, e do roteiro da paz da OSCE. “Isso permitiria brecar a operação levada a cabo pelas forças especiais ucranianas, que já fez dezenas de vítimas mortais e feridos”, justificou, acrescentando que só depois disso seria possível estabelecer um diálogo nacional e promover a reforma constitucional.

O representante permanente da Rússia chamou a atenção para o fato de a Otan estar disponibilizando assistência técnica a Kiev, incentivando, assim, as novas autoridades ucranianas a continuarem com as ações de força. “Com isso, a Aliança assume a sua parte da responsabilidade pela escalada da violência e fracasso no processo político”, completou.

Defesa pronta

Gruchko também alertou os presentes na reunião para os problemas resultantes da colocação de forças de combate na Europa Central e Oriental, referindo-se ao processo como “uma violação das obrigações sob o Tratado Fundamental com a Rússia”.

“No meio militar, como se sabe, o que se leva em conta é o potencial, e não as intenções que, como os mais recentes eventos têm mostrado, podem ser voláteis. Por isso, se virmos que as novas atitudes da Otan em relação à Rússia vão se traduzir em medidas no âmbito militar, expressas em um avanço do potencial militar da Otan rumo ao Oriente, tomaremos as medidas necessárias para garantir a segurança da Rússia”, declarou o diplomata russo.

“No geral, a conversa foi bastante difícil. Todos os membros do Conselho expressaram a sua opinião. Vamos esperar que daqui saia algum resultado”, continuou o representante permanente da Rússia junto à Otan.

 

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