Os jornais russos sobre os eventos na Ucrânia em 29 de maio

Manifestantes na praça Maidan se recusam a levantar acampamento e prometem acompanhar o trabalho de Petro Porochenko Foto: AP

Manifestantes na praça Maidan se recusam a levantar acampamento e prometem acompanhar o trabalho de Petro Porochenko Foto: AP

Um panorama da imprensa russa sobre a situação ucraniana.

Em editorial, a revista Rúski Reportior afirma que o presidente eleito na Ucrânia, Petro Porochenko,"acordou na segunda-feira em outro país". Segundo o jornal, ele conduziu uma campanha eleitoral como se não houvesse uma guerra se desenrolando ali, "em uma Ucrânia virtual, onde as regiões de Lugansk e Donetsk não são de modo algum questões na ordem do dia, mas sim locais onde existem apenas terroristas e sabotadores russos".

De acordo com a Rúski Reportior, isso foi um golpe tático de sorte que fez com que Porochenko fosse eleito o presidente "da não guerra". O deflagar desnecessário de uma guerra contra parte de seu próprio povo, usando todos os meios militares e sem qualquer tentativa de fazer contato político, lê-se no jornal, não tem a ver com Porochenko.

No entanto, muito em breve isso pode se transformar em uma arma política para ele. "Se Porochenko quer ser presidente da Ucrânia real, ele terá que usar pelo menos parte de seu brilhante índice para a resolução pacífica da situação nas regiões de Lugansk e Donetsk e para curar as feridas de Odessa", lê-se no Rúski Reportior.

A publicação sugere que Porochenko irá se se tornar um "presidente pai da nação". Mas essa atuação pode ser impedida pelos "patrões políticos externos do Ocidente, mais especificamente, pelos norte-americanos, cuja atuação, para observadores imparciais, é bastante óbvia". E agora, poderão ser úteis a Porochenko suas próprias "raízes e psicologia camponesas. No fim das contas, agora essa é a Ucrânia dele", arremata o Rúski Reportior.

O jornal Vzgliad relata que os manifestantes na praça Maidan se recusam a levantar acampamento e prometem acompanhar o trabalho de Petro Porochenko durante um mês. No "Manifesto das Comunidade da Maidan sobre a visão da situação depois de maio 2014", aprovado nesta quarta-feira (28), afirma-se que a Maidan não irá se dispersar até determinadas exigências serem atendidas: "a punição dos criminosos, a renovação do poder, a reforma do sistema político, a regulação da ordem constitucional das comunidades, a criação da comunidade territorial de Kiev com autogoverno".

Se o presidente recém-eleito não atender essas exigências em um mês, os manifestantes da Maidan ameaçam exercer "pressão social". No entanto, especialistas ouvidos pelo jornal acreditam que o movimento da Maidan já há muito se transformou em um "acampamento comum de sem-tetos" e que já não representa nenhuma força organizada.

"São pessoas que não se entende o que fazem, de que vivem. Dizer que são um estrato social definido que tem a intenção de controlar o poder seria um exagero", lê-se no jornal. O Vzgliad também relembra que o pugilista Vitáli Klitchkô, que venceu as eleições para prefeito de Kiev, pediu anteriormente que as barricadas fossem retiradas da praça.

Klitchkô disse que o movimento Maidan já cumpriu a sua função e que está agora na hora de Kiev regressar à vida normal. Ele também apelou, escreve o jornal, para que se construa um "memorial aos mortos na luta por um futuro democrático".

O jornal Kommersant traz uma leitura dos documentos do WikiLeaks para analisar como, no decorrer do tempo, a visão dos EUA sobre Porochenko mudou. De acordo com o jornal, o presidente dos EUA, Barack Obama, foi um dos primeiros a felicitar Porochenko pela vitória, depois de manifestar desejo de se reunir com ele durante sua visita à Europa.

O Kommersant observa que o novo líder ucraniano "é bem conhecido da administração norte-americana: nos despachos do WikiLeaks existem exatamente 100 referências a ele e algumas das características dadas a ele por diplomatas norte-americanos estão longe de ter caráter lisonjeiro". A maioria das características negativas atribuídas a Petro Porochenko por diplomatas dos EUA datam de 2006 a 2009.

Em um dos despachos, por exemplo, lê-se que "a imagem de Porochenko está desacreditada com verossímeis alegações de corrupção". Em outros documentos diplomáticos, Porochenko é chamado de "oligarca que se envergonha a si próprio" e de "político extremamente impopular que goza de amplo apoio dos líderes do partido devido a sua antiga atividade e empresarial e organizacional".

Além disso, o jornal salienta que em telegramas de outros diplomatas norte-americanos, há referências ao fato de que "foi justamente Porochenko, quando estava à frente do Ministério das Relações Exteriores da Ucrânia, que se esforçou por não deixar Kiev se aproximar muito de Moscou".

 

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