Os jornais russos sobre os eventos de 27 de maio na Ucrânia

Durante toda a segunda-feira (26) houve confrontos no aeroporto internacional de Donetsk Foto: Reuters

Durante toda a segunda-feira (26) houve confrontos no aeroporto internacional de Donetsk Foto: Reuters

Um panorama da imprensa russa sobre a situação ucraniana.

Nezavísimaia Gazeta escreve sobre os primeiros planos de Piotr Porochenko como presidente da Ucrânia. Apesar de o novo presidente tomar posse só em meados de junho, ainda antes disso, ele poderá visitar Varsóvia, onde iria se reunir com o presidente dos EUA, Barack Obama, e líderes de países da Europa Central e Oriental.

Além disso, imediatamente após a tomada de posse, ele pretende ir a Moscou. "Não dá para falar da segurança na região sem a participação da Rússia", explica o artigo da Nezavísimaia Gazeta. No jornal escreve-se ainda sobre as primeiras declarações políticas de Porochenko. Segundo ele, o caminho da Ucrânia para a integração europeia não mudará, já que "esta foi a orientação da política externa apoiada pelo voto dos eleitores".

Além disso, o jornal diz que Piôtr Porochenko precisa formar rapidamente uma equipe capaz de efetuar as reformas exigidas pelo movimento do Maidan. A Nezavísimaia Gazeta salienta que Iúlia Timochenko foi a primeira a reconhecer a vitória do adversário. Ela disse que "as pessoas esperam do presidente, em primeiro lugar, que ele trave uma guerra e restaure a ordem nas províncias do leste e, em segundo lugar, recupere e desenvolva a economia do país".

O enviado especial do jornal Kommersant fala do tiroteio no aeroporto de Donetsk, do qual foi testemunha ocular. A publicação relata que, no dia seguinte às eleições presidenciais, o eleito Piôtr Porochenko anunciou "a necessidade de continuar a operação militar no leste do país".

O Kommersant cita declaração oficial na qual Porochenko reitera seu apoio a uma operação antiterrorista, mas exige uma alteração na sua forma: "Ela deve durar menos, ser mais eficiente, as unidades e divisões devem ser mais bem equipadas, ter armas e munições melhores".

De acordo com o jornal, na segunda-feira (26) à tarde, a aviação ucraniana atacou o Aeroporto de Donetsk, anteriormente ocupado por milícias da "República Popular de Donetsk". Na noite de segunda, nenhum dos lados havia divulgado dados exatos sobre o número de mortos e feridos nos confrontos no aeroporto, escreve o Kommersant.

Tratando do mesmo tema, o portal Gazeta.ru relata que o agravamento da situação em Donetsk começou algumas horas após o fechamento das urnas de votação na Ucrânia. De acordo com o portal, as autoridades ucranianas anunciaram que em um futuro próximo irão colocar em prática uma "operação antiterrorista".

Em resposta, a autoproclamada República Popular da Donetsk (RPD) anunciou a introdução da lei marcial. É possível, relata o Gazeta.ru, que todos os eventos em Donetsk "se desenrolem justamente em conformidade com essas declarações belicosas", já que durante toda a segunda-feira (26) houve confrontos no aeroporto internacional de Donetsk, que os separatistas tentaram capturar durante a noite.

Ainda de acordo com o portal, à noite os combates continuaram na entrada da cidade. O Gazeta.ru relata que Porochenko, vencedor das eleições presidenciais na Ucrânia, declarou a intenção de fazer sua primeira oficial à região do Donbass. De acordo com o portal, as autoridades da República Popular de Donetsk disseram estar prontas para negociar com Porochenko, mas "apenas com a mediação da Rússia". O veículo pressupõe a discussão de apenas dois temas: "a troca de reféns e a retirada das forças de ocupação da Ucrânia do território da RPD".

A Nezavísimaia Gazeta escreve sobre a reunião que se realizou na segunda-feira em Berlim entre Rússia, UE e Ucrânia para discutir o fornecimento de energia. O jornal relata que o Comissário de Energia da EU, Günther Oettinger, "exigiu o pagamento da dívida da Ucrânia à Gazprom". Além disso, escreve o jornal, os parceiros europeus acreditam que a Ucrânia "deve pagar as dívidas do gás russo a partir de fundos fornecidos pelos parceiros ocidentais para estabilizar a economia".

No entanto, o novo líder ucraniano, Piôtr Porochenko, ainda não citou quaisquer datas para pagamento da dívida. De acordo com o jornal, sua última declaração foi feita inteiramente "em estilo de campanha eleitoral", como se as pessoas ainda estivessem votando. Além disso, Porochenko anunciou que a Ucrânia irá lutar pela independência energética.

Para o jornal, não ficou claro se "os negociadores ucranianos receberam novas instruções para resolver a crise do gás, ou se irão continuar se esquivando de discutir os termos do pagamento da dívida".

 

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