Discurso “conciliador” de Pútin dá novo fôlego às relações russo-ucranianas

“Nós já hoje estamos trabalhando com as pessoas que controlam o poder [em Kiev], mas, depois das eleições, é claro, que vamos trabalhar com as instituições eleitas”, disse Pútin Foto: Reuters

“Nós já hoje estamos trabalhando com as pessoas que controlam o poder [em Kiev], mas, depois das eleições, é claro, que vamos trabalhar com as instituições eleitas”, disse Pútin Foto: Reuters

Em palestra no Fórum Econômico de São Petersburgo (Spief), realizado nos dias 22 e 23 de maio, o presidente Vladímir Pútin exortou os parceiros internacionais a permanecerem na Rússia. Entre os pontos de destaque, o líder russo prometeu não bloquear o acesso ao Facebook nem ao Twitter e anunciou estar disposto a reconhecer as eleições presidenciais na Ucrânia e a trabalhar com o novo governo de Kiev.

Logo no início do discurso, o chefe de Estado russo prometeu prestar assistência aos investidores estrangeiros no país. “Pensem nas vantagens e possíveis dividendos por trabalharem na Federação Russa, não sucumbam à pressão nem à chantagem, sigam o caminho de vocês e alcançarão sucesso. E nós ajudaremos nisso”, declarou Pútin, referindo-se ao futuro processo de simplificação da atividade empresarial.

Ainda neste, a Duma de Estado (câmara baixa do Parlamento russo) irá apresentar um pacote de cinco projetos de lei para facilitar o trabalho dos empresários. “O investidor não deve esperar. Em um contexto em que precisamos garantir maiores taxas de crescimento, considero necessário apresentar todo este pacote na Duma ainda antes do final deste ano”, continuou o presidente.

A expectativa é que, em 2018, a Rússia entre para a lista dos 20 países com o melhor clima para o investimento. As autoridades russas também vão simplificar significativamente o processo de seleção dos projetos de investimento sob garantias do Estado e encurtar o tempo de decisão para resposta.

Em consequência do discurso de Pútin no Spief-2014, a taxa de câmbio do rublo retomou o crescimento. Aleksêi Kudrin, ex-ministro das Finanças e aliado de longa data do presidente, disse aos jornalistas que o principal fator no discurso de Pútin foi a declaração sobre a Ucrânia e as relações da Rússia com o Ocidente. “Já existe mais esperança de que a situação vai se resolver”, disse Kúdrin, após a sessão plenária.

O Fórum Econômico de São Petersburgo aconteceu em meio a tensões entre a Rússia, os Estados Unidos e a União Europeia. Muitos chefes de corporações internacionais se recusaram a participar do evento, e, de acordo com o jornal “The New York Times”, o presidente americano Barack Obama pediu aos líderes de corporações americanas para não irem ao evento.

De acordo com o vice-ministro do Desenvolvimento Econômico da Rússia, Serguêi Beliákov, cerca de 15% das empresas registradas que se recusaram a comparecer no evento da semana passada.

Retomando relações

As sanções impostas pelo Ocidente em relação à Rússia não tiveram ainda um efeito sistêmico sobre a economia, segundo Pútin. “E espero que não aconteça”, completou o chefe de Estado. Segundo ele, ao insistirem nas sanções contra a Rússia, os EUA esperam ganhar vantagem competitiva em seu comércio e relações econômicas com a Europa. “Simplesmente não compreendo que outros motivos tão graves e profundo existam, mas espero que o bom senso acabe prevalecendo.”

“Também não temos a intenção de bloquear nada”, rebateu Pútin, ao ser questionado sobre o possível bloqueio de redes sociais internacionais, como Facebook e Twitter.

Como era de se esperar, um dos principais temas do discurso do presidente russo girou em torno da situação na Ucrânia. “Nós já hoje estamos trabalhando com as pessoas que controlam o poder [em Kiev], mas, depois das eleições, é claro, que vamos trabalhar com as instituições eleitas”, disse Pútin.

Além disso, as autoridades russas esperam chegar a um acordo com a Ucrânia sobre o fornecimento de gás, apesar de, por enquanto, Kiev se recusar a pagar a dívida existente. “Como se estivéssemos em família, eu posso chegar e dizer: está bem, querem um desconto, bem, paguem a dívida, pelo menos pelo período em que vendemos com desconto, mas estão recusando pagar isso. Escutem, como a gente vai conseguir trabalhar assim?”, declarou o presidente.

Nas palavras de Pútin, “a situação que se desenvolveu na Ucrânia é vital para a Rússia, enquanto que, para os Estados Unidos, trata-se de uma questão técnica”.

Estratégia do futuro

O Kremlin espera desenvolver a sua estratégia de substituição de importações até meados do segundo semestre. “Graças à modernização da indústria, da construção de novas empresas, da localização da produção concorrente, nós conseguimos reduzir significativamente as importações e devolver o mercado interno aos produtores nacionais, sem violar as regras do comércio internacional ou introduzir quaisquer barreiras”, disse o líder russo.

Entre as áreas de destaque figuram a produção de softwares, equipamentos eletrônicos, têxteis e mercado alimentício. Pútin acrescentou que será desenvolvido um pacote de medidas para apoiar as empresas nacionais que sejam capazes de produzir competitivamente, com a criação de um fundo especial.

 

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