Uma ponte entre a Rússia e a China

Acordos também definiram planos de criar concorrente para Boeing e Airbus Foto: Konstantin Savraschin / Rossiyskaya Gazeta

Acordos também definiram planos de criar concorrente para Boeing e Airbus Foto: Konstantin Savraschin / Rossiyskaya Gazeta

Visita da delegação russa a Pequim resultou na assinatura de diversos acordos econômicos. Entre eles, figura a criação de um concorrente para a Boeing e a Airbus, a construção da primeira grande ponte entre a Rússia e a China e um fornecimento recorde de energia.

De acordo com o presidente russo Vladímir Pútin, o volume de projetos conjuntos russo-chineses em áreas prioritárias totaliza cerca de 40 bilhões de dólares. No entanto, até 2020, os países planejam aumentar esse valor até US $ 200 bilhões.

O mais promissor dos projetos conjuntos é a criação de um avião de longo curso, que irá concorrer com os modelos das fabricantes Boeing e Airbus. O projeto, cujo investimento é estimado em US$ 10 bilhões, encontra-se em fase inicial, mas os seus dados preliminares serão apresentados aos respectivos ministérios da Economia já na metade deste ano.

O projeto será desenvolvido no formato de joint venture, sendo as ações divididas paritariamente entre a Rússia e a China. Recentemente, os russos tiveram experiência semelhante na criação do novo avião de passageiros Sukhôi SuperJet 100 em parceria com o conglomerado italiano Finmeccanica.

O início da produção de carros chineses em território russo faz parte de outra parceria assinada durante a visita. Em 2017, a Great Wall Motors, produtora chinesa de SUVs, vai implantar uma fábrica em Tula, na porção europeia da Rússia. Com investimento na faixa de de US$ 520 milhões, a empresa vai produzir até 150 mil veículos por ano, junto com a marca Haval. O aumento da produção também promete criar cerca de 2.5000 postos de trabalho.

Em contrapartida, será também iniciada a produção de bens em território chinês. A petroquímica russa Sibur e a empresa chinesa de petróleo e gás Sinopec vão implantar, em Shanghai, uma indústria de produção de borracha, com capacidade de 50 mil toneladas ao ano.

A maior parte do projeto pertencerá a Sinopec (74,9%), enquanto que a Sibur vai ficar com apenas 25,1% por disponibilizar as tecnologias. No ano passado, os parceiros já abriram uma joint venture para a produção de borracha na cidade siberiana de Krasnoiarsk. Esse produto já é exportado para o mercado chinês.

Gás em pauta

Nas negociações, ficou decidido que os recursos energéticos continuam sendo o principal tipo de produto fornecido pela parte russa. A China é o maior comprador de petróleo russo  - de 2009 até 2038, a maior petrolífera privada do mundo, a Rosneft, deve fornecer ao país cerca de 665 milhões de toneladas de petróleo. A novidade é que a Rússia passará também a fornecer gás.

O monopólio de gás Gazprom e a China National Petroleum Corporation (CNPC) assinaram um contrato de compra e venda de gás natural durante a visita da delegação russa a Shanghai. Enquanto o presidente russo propôs alíquota zero para o imposto sobre matéria-prima para os campos onde será extraído gás para a China, o lado chinês demonstrou intenção de acabar com as taxas de importação de gás da Rússia.

O fornecimento de gás poderá começar em 2018, com um volume de 38 bilhões de metros cúbicos ao ano. A Rússia também fornecerá gás natural liquefeito (GNL) para a China.

Paralelamente, a Yamal GNL fechou um acordo com a CNPC para o fornecimento de 3 milhões de toneladas de GNL anualmente. Esse projeto prevê a construção de uma usina de produção de GNL, com capacidade de 16,5 milhões de toneladas, no norte da Rússia, bem como a exploração do depósito de gás Tambeiskoie-Sul.

Como base, a Gazprom irá se orientar pelos preços que pratica para exportar GNL de Sakhalin-2 ao Japão. No ano passado, esses valores eram de cerca de 512 dólares por mil metros cúbicos de gás. O monopólio de gás ofereceu ainda às empresas chinesas uma cota de participação em outro projeto similar de russo, o “Vladivostok GNL”, e contratos de compra de gás liquefeito.

Em entrevista ao canal Bloomberg, o primeiro-ministro russo, Dmítri Medvedev, declarou que os investidores chineses também podem participar na privatização da estatal Rosneft. No entanto, o tamanho do pacote que poderá ser adquirido ainda é desconhecido. Os investidores chineses já integram parte do capital da Rosneft – em 2006, a CNPC adquiriu 0,6% das ações da empresa russa em uma IPO (oferta pública inicial).

Ponte de verdade

O envolvimento de empresas chinesas na implementação de projetos de infraestrutura tornou-se uma das principais áreas de cooperação entre os países. Em 2013, o volume do tráfego de fronteira entre a Rússia e a China aumentou 8% em comparação com 2012, chegando a 30,5 milhões de toneladas.


Confira o infográfico sobre projetos russos no exterior

 

Além disso, nos próximos meses terá início a construção da primeira ponte entre os dois países sobre o rio Amur, na Sibéria. Pelas estimativas, a nova ponte permitirá transportar 21 milhões de toneladas de carga anualmente, bem como reduzir a distância do transporte em 700 quilômetros.

O monopólio russo do mercado ferroviário, a companhia “Ferrovias Russas”, e a operadora ferroviária estatal chinesa, a China Railway Corporation, firmaram acordos referentes à construção de instalações de logística, desenvolvimento do tráfego de passageiros e redução das tarifas.

A China também irá ajudar a Rússia a reduzir a dependência do dólar nos pagamentos – os países planejam aumentar o volume dos pagamentos em moedas nacionais após assinatura da parceria entre o banco russo VTB e a corporação chinesa Bank of China. No momento, os banqueiros chineses já estão disponibilizando empréstimos em rublos à petrolífera russa Rosneft.

 

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