Rússia no espaço pós-soviético: o Sul do Cáucaso

Vladímir Pútin (dir.) e seu homólogo azeri Ilham Alíiev (esq.) Foto: Reuters

Vladímir Pútin (dir.) e seu homólogo azeri Ilham Alíiev (esq.) Foto: Reuters

A Armênia é o principal aliado na região; o Azerbaijão não é um parceiro potencial, mas as relações são amigáveis. A relações com a Geórgia estãose normalizando após a tensão dos últimos anos.

Baku demonstrou sua distância de todos os projetos de integração, com exceção de ser membro da Comunidade de Estados Independentes (CEI) e do Conselho Turco. No entanto, os únicos projetos implementados pelo Conselho Turco são de caráter humanitário e não requerem grandes sacrifícios.

O desinteresse de Baku nas alianças pode ser explicado pela sua completa falta de vontade de viver em condições que preveem ter em conta os “interesses multilaterais”, porque esses “interesses” podem levar à interferência estrangeira da soberania nacional.

O presidente Ilkham Aliev afirmou que o Azerbaijão não está interessado na integração com a Europa e que o caminho europeu não é adequado para o seu país. Ao mesmo tempo, Baku está pronta para estabelecer e fortalecer as relações bilaterais em condições de igualdade com quase qualquer país. Devido aos problemas com a Armênia em relação à situação em Nagorno-Karabakh, o Azerbaijão é forçado a levar em conta a posição da Rússia e evitar decisões precipitadas.

Outros fatores que limitam seus movimentos são o mercado russo, onde se vendem tradicionalmente grande parte dos produtos agrícolas azeris e o grande número (pelo menos um milhão) de trabalhadores migrantes azeris na Rússia.

Esses fatores podem ser considerados os mecanismos de influência de Moscou sobre o Azerbaijão. Especialistas afirmam que os interesses de Baku em alianças internacionais é inversamente proporcional à quantidade de energia que produz. Isso significa que uma diminuição na produção de petróleo e gás, que de acordo com as previsões dos especialistas poderá acontecer até 2020, refletirá na independência do Azerbaijão, que poderia começar a ter interesse nas uniões multilaterais.

A Rússia gostaria de ver o Azerbaijão na União Aduaneira, mas as pressões de qualquer tipo sobre Baku só empurram o país a estreitar os laços com Ancara.

No entanto, em geral, as relações bilaterais entre o Azerbaijão e a Rússia podem ser consideradas completamente amigáveis. A influência de Moscou sobre o Azerbaijão pode ser descrita como limitada.

Armênia

Não há problemas entre Ierevan e Moscou. O governo armênio hesitou entre a União Europeia e a União Aduaneira, mas escolheu a aliança pró-russa. Além disso, toda a economia da Armênia depende do capital russo. Os especialistas afirmam que a dependência de Ierevan de Moscou não é absoluta, mas extremamente alta.

Os países ocidentais sempre entenderam a abordagem multivetorial da Armênia nos assuntos internacionais. No entanto, após a decisão do governo armênio de apoiar incondicionalmente as ações da Rússia na Ucrânia, os países ocidentais deixaram claro que vão reconsiderar suas relações com Ierevan. Isso significa que o principal aliado da Rússia no Cáucaso do Sul pode enfrentar tempos difíceis em termos de estabilidade interna.

Geórgia

As relações da Rússia com a Geórgia não parecem às com a Armênia, embora o capital russo ocupe um lugar significativo no mercado georgiano. O problema principal é a ausência das forças que apoiam Moscou na Geórgia.

Após a guerra com a Geórgia de 2008 e o reconhecimento da independência da Abecásia e da Ossétia do Sul, a Rússia perdeu sua influência sobre Tbilisi. Além disso, a Rússia introduziu um embargo aos produtos georgianos, que, apesar da importância do mercado russo, não foi uma perda fatal para a Geórgia.

No entanto, a derrota de Saakashvili nas eleições parlamentares de 2012 e sua saída do poder em 2013 levaram à redução da tensão entre os dois países.

A Geórgia, como a Moldávia, planeja assinar um acordo de associação com a União Europeia. Após a crise na Ucrânia e a guerra de 2008, Tbilisi ainda está avaliando os riscos associados coma Rússia. De acordo com os especialistas, a principal ameaça pode vir da Abecásia e da Ossétia do Sul, onde podem surgir provocações.

A outra região problemática é o Javalheti, uma área de maioria armênia. Segundo dados da Geórgia, o número de pessoas que desejam obter cidadania russa nessa região está crescendo rapidamente.

Além disso, as autoridades georgianos estão preocupados com as relações com o governo anterior, que não esconde os seus planos revanchistas e ameaça organizar um “Maidan” em Tbilisi.

 

Confira outros destaques da Gazeta Russa na nossa página no Facebook

Todos os direitos reservados por Rossiyskaya Gazeta.