Kremlin sugere criação de agência de rating dos Brics

De acordo com o jornal “RBC Daily”, a nova agência poderá ser criada com base na cooperação entre a russa RusRating e a chinesa Dagong Global Foto: ITAR-TASS

De acordo com o jornal “RBC Daily”, a nova agência poderá ser criada com base na cooperação entre a russa RusRating e a chinesa Dagong Global Foto: ITAR-TASS

Autoridades alegam que principais agências de classificação de risco continuam sob a influência dos EUA. Além de governo chinês ter manifestado interesse pelo projeto, outras agências e consórcios internacionais estão sendo avaliados para cooperação na nova agência.

O governo russo irá apresentar aos seus parceiros do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul)  a criação de uma agência única de rating para competir com as tradicionais Standart & Poor’s, Moody e Fitch. “Todos os países dos Brics têm instituições nacionais de rating, mas queremos criar uma estrutura de reconhecimento mútuo”, disse à Gazeta Russa Konstantin Korischenko, membro da Academia Russa de Economia.

De acordo com o jornal “RBC Daily”, a nova agência poderá ser criada com base na cooperação entre a russa RusRating e a chinesa Dagong Global, que já realizaram negociações em Pequim durante um encontro dos Brics nos anos anteriores. Acredita-se que a agência americana Egan-Jones Ratings também poderá cooperar na empreitada.

Enquanto a área de influência da Dagong Global é basicamente nacional, com esporádicos casos de ratings sobre outros países, a americana Egan-Jones Ratings expõe classificações de dívidas, incluindo títulos cambiários e empréstimos bancários. Ambas as agências são conhecidas de longa data por trabalhar com emissores corporativos e Estados, dedicando-se aos chamados “mercados de créditos quentes”, como a China e Estados Unidos.

O projeto a ser criado já tem nome – Universal Credit Rating Group. “A Universal Credit Rating Group irá classificar as empresas russas e suas avaliações poderão ser reconhecidas pelas agências estrangeiras, como as ‘três grandes’ americanas”, diz Vadim Vedernikov, vice-diretor do departamento de Pesquisa e Gestão de Riscos da companhia de investimento UFS.

Outra alternativa é cooperar com a agência Arc Ratings – um consórcio internacional formado por instituições de Portugal, Índia, África do Sul, Malásia e Brasil. “A cooperação entre as agências russas e a Arc Ratings pode ser um fator positivo, pois permitirá uma avaliação objetiva e independente sobre as empresas russas, bem como servirá de avaliação suplementar àquelas da Universal Credit Rating Group”, afirma Vedernikov.

As agências japonesa Credit Rating Agency e a canadense Dominion Bond Rating Service também despontam como potenciais parceiros. “Essas interações com agências estrangeiras independentes poderão melhorar a percepção de emitentes russos aos olhos dos investidores estrangeiros”, garante o analista da UFS.

Impacto global

Recentemente, a Standart & Poor’s rebaixou o rating da Rússia sobre os passivos em moeda estrangeira de BBB para BBB-, com perspectiva negativa. “A grande saída de capital da Rússia no primeiro trimestre de 2014 elevou o risco de uma significativa deterioração no financiamento externo”, justificou a agência norte-americana.

A saída de capitais, que no primeiro trimestre de 2014 totalizou US$ 50,6 bilhões, pode não ser menor durante o segundo semestre do ano. Além disso, é provável que o custo dos empréstimos aumente para a Rússia e para as empresas do país atuando em mercados estrangeiros. Por isso, o rebaixamento da S&P pode ter um impacto sério sobre a economia russa.

“As agências estrangeiras analisam os riscos crescentes de investir na economia russa, mas elas podem exagerar um pouco. O cenário mundial nesse segmento está formado quase por um monopólio. Assim, o desenvolvimento de alternativas irão trazer benefícios não somente para a Rússia, mas para o mundo em geral”, afirma o analista da holding Finam, Anton Soroko.

 

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