Diplomacia russa critica falta de atitude de Kiev no combate ao extremismo

Bloqueio na cidade de Slaviánsk Foto: Reuters

Bloqueio na cidade de Slaviánsk Foto: Reuters

Em poucos dias após a assinatura da Declaração de Genebra, Rússia e Ucrânia já falam da violação bilateral. Enquanto o governo russo exige o desarmamento dos militantes nacionalistas, os líderes ucranianos pedem o fim de manifestações a favor da Rússia nas regiões no leste do país.

O recente ataque a um dos postos de bloqueio na cidade de Slaviánsk por um grupo desconhecidos resultou na morte de, pelo menos, três moradores locais e criou novas dificuldades para a resolução da crise política entre os dois Estados. A situação foi agravada pelo comunicado do Ministério das Relações Exteriores da Ucrânia, que confirmou a ausência de quaisquer armas portadas pelas vítimas.

O ato de violência foi considerado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia como uma provocação por parte dos militantes do Setor de Direita e reflexo da falta de vontade das autoridades ucranianas de desarmar os grupos radicais que atuam em território nacional. Os líderes russos mais uma vez reforçaram a necessidade de cumprimento das promessas feitas pelo governo local.

“A Declaração de Genebra não estabelece prazos, porém prevê urgência na tomada de medidas adequadas. O ataque às pessoas desarmadas na noite de Páscoa não pode ser tolerado”, declarou o chanceler russo, Serguêi Lavrov. Segundo ele, a falta de providências para prevenir a tragédia confirma que o governo da Ucrânia não possui intenção de controlar as atividades dos extremistas, enquanto os ataques dos militantes armados no sudeste ucraniano indicam possíveis planos para uma futura guerra civil.

A anistia aos presos políticos e participantes dos protestos, uma das cláusulas da Declaração de Genebra, também não vem sendo respeitada pelas autoridades ucranianas. “Em vez de apresentar ultimatos e ameaçar com as possíveis sanções, o governo americano deveria se responsabilizar pelas atitudes tomadas pelos novos dirigentes ucranianos que conseguiram assumir o poder com a sua assistência”, acrescentou o ministro russo.

Em resposta aos ataques, a diplomacia da Ucrânia emitiu um comunicado, no qual qualifica as conclusões da Rússia como “precipitadas” e “sem fundamento”. No documento também informa sobre o início das investigações do ataque ao posto de bloqueio em Slaviánsk.

O governo da Ucrânia exigiu que as autoridades russas “tomem todas as medidas necessárias para liberar os edifícios ocupados e rodovias bloqueadas ilegalmente pelos adeptos da federalização, desarmar as tropas irregulares e prevenir novos atos de violência”. Os líderes das tropas irregulares simpatizantes à Rússia afirmaram que não entregariam as suas armas antes dos militantes do Setor de Direita e outros grupos radicais nacionalistas.

Em entrevista à rádio Kommersant-FM, o cientista político Mikhail Trótski duvidou da capacidade imediata do governo ucraniano de desarmar os militantes que atuavam na Maidan. Ele acredita que nenhum dos participantes da crise política ucraniana está pronto a dar o primeiro passo. “Tanto o governo do país quanto os grupos armados não querem se responsabilizar pelo não cumprimento do acordo assinado em Genebra e pela promessa de desarmamento. Acredito que a situação permanecerá a mesma até que a crise se resolva por conta própria”, conclui o especialista.

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