Reaproximação entre Rússia e Otan ocorrerá ainda este ano, diz especialista

A Otan já anunciou no início de março que suspenderia sua primeira missão conjunta com a Rússia Foto: Reuters

A Otan já anunciou no início de março que suspenderia sua primeira missão conjunta com a Rússia Foto: Reuters

A Otan suspendeu sua cooperação prática com a Rússia tendo a situação ucraniana de plano de fundo. Moscou, em resposta, retirou seu representante militar na organização. No entanto, especialistas acreditam que o “congelamento” das relações entre Rússia e a Organização do Tratado do Atlântico Norte não deve durar muito tempo.

No dia 1º de abril, os chanceleres dos países da Otan decidiram suspender a cooperação civil e militar com a Rússia. A declaração assinalou que as ações da Rússia em relação à Ucrânia são contrárias aos princípios do Ato Fundador do Conselho Rússia-Otan e da Declaração de Roma. O diálogo político, no entanto, não foi interrompido e continuará em alto nível “de embaixadores e acima”.

Especialista da Academia Russa de Ciências que estuda problemas globais e regionais,  Tatiana Parkhalina espera que o novo secretário-geral da Otan, o norueguês Jens Stoltenberg, que tomará posse no dia 1º de outubro, “descongelará” as relações com a Rússia no fim do ano.

“Assim fizeram seus antecessores: Robertson, que quando assumiu o cargo no final de 1999, restabeleceu as relações após o Kosovo, e Rasmussen, secretário-geral desde 2009, após o conflito georgiano-osseta, em 2008.”

A Otan já anunciou no início de março que suspenderia sua primeira missão conjunta com a Rússia –uma escolta marítima ao navio americano USS Cape Ray, dentro do qual deveria ocorrer a destruição de armas químicas sírias. O projeto será implementado, mas sem a participação russa. A declaração dos chanceleres está relacionada, principalmente, com projetos  de cooperação sobre frotas de helicópteros e na formação de forças policiais anti-drogas no Afeganistão.

A reação do lado russo surgiu prontamente. Na sexta-feira, o vice-ministro da Defesa, Anatóli Antonov, declarou que a Rússia retiraria seu representante militar na Otan para consulta. Ele ressaltou que o acúmulo de tropas da Otan em estreita proximidade com as fronteiras russas não será capaz de reduzir as tensões na região.

Otimismo

De acordo com especialistas, a reação da Rússia à iniciativa da Otan é adequada. Além disso, eles acreditam que o país não perde muito com a suspensão da cooperação prática. Segundo o vice-diretor do Instituto para os EUA e Canadá da Academia Russa de Ciências, Victor Kremeniuk, a relação entre a Rússia e a organização variou entre “nem bom e nem mau” e alguns projetos foram realizados de forma pouco efetiva, de modo que podem ser cancelados.

Diante disso, ele acredita que a Rússia “fez muito bem”, já que possui um pretexto consistente:

“Quando a Otan achou necessário, tomou decisões sem consultar a Rússia no que tange, por exemplo, a expansão dela para o leste ou as operações militares na Iugoslávia. Na situação atual, a Rússia está agindo da mesma forma.”

Contudo, o programa mais importante da cooperação entre a aliança e Moscou refere-se ao Afeganistão, que é necessária para ambos, e por isso é possível que a Otan busque num futuro próximo a reaproximação. Além disso, tendo em vista que a Rússia e o Ocidente já demonstraram ânimo de negociar sobre a Ucrânia, o governo russo garantiu firmemente que não irá levar tropas para a Ucrânia.

Parkhalina também acredita que é muito necessário continuar os projetos afegãos entre Moscou e a Otan para evitar a desestabilização daquele país e da região.

De acordo com a pesquisadora, além da questão afegã, a Rússia e a aliança militar de países também colaboram em outros projetos importantes como, por exemplo, a luta contra a pirataria e o desenvolvimento de instrumentos para a detecção de dispositivos explosivos.

Ela ainda lembra que, em grande parte, o rigor da decisão do dia 1º de abril simbolizou uma espécie de “equilíbrio compensador do abrandamento das sanções econômicas impostas pela Europa”. 

 

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