Começo de uma nova Guerra Fria?

Referendo sobre a adesão da Crimeia à Rússia acirrou os ânimos na região Foto: RIA Nóvosti

Referendo sobre a adesão da Crimeia à Rússia acirrou os ânimos na região Foto: RIA Nóvosti

O referendo sobre a adesão da Crimeia à Rússia, que será realizado neste domingo, está provocando muita polêmica entre os especialistas russos sobre o início de uma nova Guerra Fria.

O parlamento da Crimeia apoiou a adesão do território à Rússia e decidiu realizar um referendo para consolidar a decisão. Especialistas russos e estrangeiros estão alarmados pelo aumento das tensões políticas na região.

Existe um consenso crescente sobre a possibilidade de que a crise ucraniana poderá se tornar o início de uma nova Guerra Fria.

De acordo como o diretor do Programa Oriental do Instituto Polonês de Assuntos Internacionais, Piotr Kościński, qualquer tentativa da Rússia de “anexar a Crimeia à força será inaceitável para a comunidade internacional e poderá levar a uma nova Guerra Fria”.

O diretor do Centro de Pesquisa de Políticas Públicas, Vladímir Evséiev, afirma que uma nova Guerra Fria poderá ser provocada pela "miopia política" do Ocidente. “O que pode provocar a segunda Guerra Fria não é o referendo na Crimeia, mas a posição extremamente unilateral do Ocidente”, diz Evséiev.

A legitimidade do referendo

Kościński não vê nenhuma razão pela qual a Crimeia deva se separar da Ucrânia. “Os direitos dos cidadãos russos que vivem na península não foram ameaçados", diz.

Kościński afirma que os soldados russos ficam não apenas nas bases militares russas na Crimeia, mas também nos edifícios do governo local, no aeroporto de Simferopol e nas bases militares ucranianos. "A Rússia pode ser justamente acusada de dirigir toda a iniciativa do referendo", afirma Kościński. "A Rússia poderá anexar Crimeia pela força", completou.

Mas segundo Evséiev, o referendo na Crimeia é muito mais legítimo do que as recentes ações das autoridades atuais ucranianas em Kiev, que usaram a violência para tomar o poder.

“Essas autoridades não expressam os interesses de toda a Ucrânia, mas apenas da sua parte ocidental, representada pelos nacionalistas radicais. A Crimeia tem o direito de expressar o seu ponto de vista e decidir se deve continuar a ser parte da Ucrânia ou deve ser anexada à Rússia”, disse o estudioso. “As autoridades atuais não têm nenhuma base legal para impedir a realização do referendo", completou Evséiev.

 

Publicado originalmente pelo Russia Direct  

 

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