Confrontos em Kiev sugerem participação ativa do Ocidente

As autoridades de Moscou interpretam as ações dos radicais na Ucrânia como uma tentativa de golpe de Estado Foto: Reuters

As autoridades de Moscou interpretam as ações dos radicais na Ucrânia como uma tentativa de golpe de Estado Foto: Reuters

Número de mortos durante os confrontos na capital ucraniana chegou a 25. Agravamento da situação tem atraído a atenção das autoridades e da opinião pública na Rússia. Enquanto parlamentares exortam as autoridades ucranianas a tomarem medidas para travar a atuação de extremistas, observador aposta na intervenção externa para evitar a transformação da crise política em guerra civil.

“Vários observadores acreditam que ninguém esteja comandando a Maidan nem o seu destacamento de combate, como se fosse apenas uma intempérie popular. Mas últimos acontecimentos contrariam essa ideia, tal foi a habilidade coordenação com que os militantes repeliram os ataques das forças policiais”, declarou o chefe do Comitê da Federação Internacional, Mikhail Marguelov. “É visível a organização por detrás dessas ações de luta”, continuou o senador.

Marguelov acredita que os líderes dos partidos UDAR, Vitáli Klitchko, e Batkivchina, Arséni Iatseniuk, estão traçando planos com o Ocidente para criar um governo de oposição e elaborar reformas constitucionais. “Por isso a ajuda financeira ocidental”, acrescentou o chefe do comitê, ao reiterar a importância de iniciar um diálogo político.

Seguindo a mesma linha de pensamento, o membro do comitê do Conselho da Federação para Assuntos Externos, reforçou à agência de notícias RIA Nóvosti que está na hora de as autoridades ucranianas declararem estado de emergência em Kiev e tomar medidas duras contra os manifestantes armados a fim de restaurar a ordem no país. “É preciso enviar o exército para Kiev”, disse Morozov.

Paralelamente, o chefe da Duma de Estado (câmara dos deputados na Rússia) para os Assuntos Externos, Aleksêi Puchkov, está certo de que o apelo do vice-presidente dos EUA, Joe Biden, ao presidente da Ucrânia, Viktor Ianukovitch, para evitar a violência é um “sinal” para extremistas. “Biden pediu a Ianukovitch, mas não aos radicais. Os extremistas receberam novamente um sinal de apoio dos EUA”, escreveu o deputado nesta quarta-feira (19) no Twitter.

Mas há também quem aposte na pressão da comunidade internacional para resolver a crise política na Ucrânia, como é o caso do diretor-executivo do Centro de Estudos Políticos Norte-Sul, Aleksêi Vlasov. “Se as forças externas –Rússia, União Europeia e EUA – não exercerem influência sobre a situação política na Ucrânia, temo que se aproxime de uma guerra civil”, diz.

Conflitos à parte

Na noite desta quarta-feira (19), os presidentes da Rússia, Vladímir Pútin, e da Ucrânia, Víktor Ianukovitch, discutiram a situação atual no país. O assessor do Kremlin, Dmítri Peskov, ressaltou, no entanto, que Moscou não deu nem pretende dar nenhum conselho à liderança ucraniana no que se refere à resolução dos conflitos internos.

“A posição do governo russo consiste em esperar por um desfecho. (...) Como, de que maneira e à custa do quê será encontrada essa resolução depende apenas das autoridades legítimas da Ucrânia”, declarou Peskov.

As autoridades de Moscou interpretam as ações dos radicais na Ucrânia como uma tentativa de golpe de Estado, de modo que toda a responsabilidade pelos recentes fatos deve ser creditada aos extremistas.

 

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