Kremlin poderá fornecer US$ 2 bilhões em armas para o Egito

O ministro da Defesa russo, Serguêi Choigu (esq.), e o ministro dos Negócios Estrangeiros, Serguêi Lavrov (dir.) Foto: ITAR-TASS

O ministro da Defesa russo, Serguêi Choigu (esq.), e o ministro dos Negócios Estrangeiros, Serguêi Lavrov (dir.) Foto: ITAR-TASS

Governo russo assinou um acordo com o Egito para o fornecimento de armas no valor de US$ 2 bilhões. Segundo a imprensa egípcia, o negócio pode ser financiado pela Arábia Saudita e Emirados Árabes, mas o governo local não confirmou tal informação.

Não é novidade que a Arábia Saudita apoia o governo atual do Egito e é um dos seus principais patrocinadores. Além disso, os sauditas já subsidiaram a compra de armas de outros países muçulmanos, como o Marrocos, por exemplo. Mesmo assim, a informação divulgada pela imprensa egípcia de que os armamentos russos seriam financiados pelos vizinhos árabes continua uma incógnita, assim como os aparatos que serão fornecidos no âmbito do proposto acordo russo-egípcio.

“Acho pouco provável o Egito se tornar o primeiro cliente estrangeiro para os SMTO Iskander”, disse ao jornal “Vzgliad” o diretor do Centro de Análise de Estratégias e Tecnologias, Ruslan Pukhov. “Suponho que os egípcios vão comprar elementos de defesa antiaérea”, especulou. Acredita-se ainda que o país poderá receber caças MiG-29 ou sistemas antimísseis Kornet.

Os observadores internacionais também se questionaram por que o Egito gastaria dinheiro com armamento russo precisamente agora que a situação econômica do país deixa a desejar. Porém, o presidente do Instituto de Religião e Política, Aleksandr Ignatenko, aponta para o grande número de ameaças externas às quais o Egito estaria submetido.

“Não devemos esquecer que encostado ao Egito está a Líbia, onde a situação é altamente instável e de onde se pode esperar todos o tipo de problema. Além disso, está em curso uma operação de contra-terrorismo na Península do Sinai”, explica o cientista político. “O exército egípcio está lutando lá contra os islâmicos, por detrás dos quais há quem acredite que esteja o adversário da Arábia Saudita na liderança sobre a região – o Qatar”, acrescenta, justificando a possível compra pelos sauditas.

Outro motivo para a compra de novos equipamentos militares pode ser encontrado nas fronteiras do sul do Egito, onde o Cairo tem relações tensas com os Estados da região do Nilo. A Etiópia, por exemplo, está construindo uma barragem que irá prejudicar gravemente o abastecimento de água no Egito, e as autoridades egípcias provavelmente terão que tomar medidas energéticas para solucionar a questão.

Os observadores lembram ainda que o Egito tem o exército mais numeroso do mundo árabe, o que representa um dos fatores de contenção de Israel e uma das garantias da segurança das monarquias árabes, especialmente face à ameaça iraniana. “O enfraquecimento do Cairo levaria à mudança de equilíbrio do poder no Oriente Médio. Por isso, a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos podem, de fato, vir a financiar a compra de armas”, conclui Ignatenko.

Desde a URSS

Os primeiros relatos de um possível acordo referente ao fornecimento de armamento surgiram em novembro passado, durante a visita oficial do ministro da Defesa russo, Serguêi Choigu, e do ministro dos Negócios Estrangeiros, Serguêi Lavrov, ao Egito. Mas o fato de Moscou e Cairo estarem negociando o fornecimento de armas significa apenas o restabelecimento de uma tradição antiga.

Entre as décadas de 1950 e 1970, a URSS era o maior fornecedor de armamento dos egípcios. Nos últimos anos da presidência de Hosni Mubarak, que durou até fevereiro de 2011, a Rússia começou a se voltar ao mercado egípcio. Nessa época, os países assinaram um acordo fundamental para a venda de equipamento militar, sobretudo helicópteros, e modernização dos meios de defesa aérea no montante de US$ 1,5 bilhões. No entanto, após a derrubada de Mubarak, a cooperação técnico-militar ficou congelada, já que o Egito simplesmente não tinha capital para adquirir armamento. 

 

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