Agentes russos detidos na Alemanha aguardam libertação

Andreas Anshlag, 54, e sua esposa foram presos no final de 2011 por suspeita de espionagem em favor da Federação Russa Foto: ITAR-TASS

Andreas Anshlag, 54, e sua esposa foram presos no final de 2011 por suspeita de espionagem em favor da Federação Russa Foto: ITAR-TASS

Presos por espionagem em 2011, casal russo não perde esperança de ser objeto de troca em negociação entre Rússia e Alemanha.

Andreas e Heidrun Anshlag, condenados em julho de 2013, respectivamente, a seis anos e meio e a cinco anos e meio de prisão por atividades de espionagem em favor da Rússia, encontram-se detidos em uma prisão alemã,segundo informou seu advogado, Horst-Dieter Petchke. O advogado declarou ao jornal "Kommersant" que seus clientes acreditam firmemente que serão trocados por algum dos agentes ocidentais que estão cumprindo pena de prisão na Rússia e por isso decidiram não recorrer da sentença. Fontes do jornal em agências de segurança russas também afirmaram que a troca pode ocorrer a qualquer momento.

Andreas Anshlag, 54, e sua esposa Heidrun Anshlag, 48, que viviam na Alemanha há mais de 20 anos com passaporte austríaco, foram presos no final de 2011 por suspeita de espionagem em favor da Federação Russa. De acordo com os investigadores, o casal trabalhou para a inteligência soviética e, após o fim da URSS, para a inteligência russa. As autoridades alemãs ficaram sabendo de suas atividades através do FBI, que em 2010 desmascarou uma rede de agentes russos graças ao desertor Aleksandr Poteev. O casal foi descoberto, mas os investigadores não foram capazes de descobrir seus verdadeiros nomes, e os agentes ficaram conhecidos somente pelos nomes austríacos e pelos codinomes Pete e Tina.

As autoridades alemãs ficaram sabendo de suas atividades através do FBI, que em 2010 desmascarou uma rede de agentes russos graças ao desertor Aleksandr Poteev. O casal foi descoberto, mas os investigadores não foram capazes de descobrir seus verdadeiros nomes, e os agentes ficaram conhecidos somente pelos nomes austríacos e pelos codinomes Pete e Tina.

 

 

Os Anshlag mudavam com frequência de uma região da Alemanha para outra e seu último local de residência foi a pequena cidade de Michelbach. A detenção dos agentes russos trouxe fama ao lugar, mas de acordo com Stefan Mut, antigo vizinho dos Anshlag, os habitantes da cidadezinha já começaram a esquecer a história. "A casa deles foi alugada para outras pessoas, que fizeram uma reforma e alteraram o número do telefone. Portanto, agora não há mais nada que faça lembrar os Anshlag”, informou. Questionado sobre a possibilidade de os novos moradores encontrarem na casa algum dispositivo de espionagem escondido ou dinheiro (supostamente os agentes teriam acumulado cerca de € 700 mil, que não foram descobertos), o vizinho respondeu ser “pouco provável”. “Os serviços especiais reviraram tudo, viraram a casa de ponta-cabeça, arrancaram até mesmo o papel de parede.”

De acordo com Mut, recentemente Anna, a filha de 23 anos de idade dos Anshlag, foi vista em Michelbach. Ela nasceu na Alemanha e, de acordo com os investigadores, desconhecia as atividades de seus pais. Acompanhada de amigas, Anna veio da cidade vizinha, Marburg, onde estuda medicina. "Mas ela não disse nada sobre os pais e ninguém fez perguntas a ela", contou o vizinho. Segundo ele, os moradores da cidade continuam a se preocupar com o fato de que, todos os anos, os Anshlag enviavam a filha à Áustria para visitar os "avós" e agora não está claro quem eram esses "parentes". O vizinho, assim como os outros moradores de Michelbach, estava certo de que os Anshlag seriam rapidamente trocados e homenageados como heróis na televisão russa, como ocorreu com os dez agentes de inteligência russos que em 2010 foram descobertos nos Estados Unidos e foram trocados por quatro espiões que trabalhavam na Rússia para o governo americano. Porém, até agora isso não aconteceu.

Especialistas acusam Berlim de "ganância"

O pesquisador alemão de serviços especiais Erich Schmidt- Eenboom informou ao “Kommersant” que várias vezes Berlim propôs a Moscou iniciar a troca dos agentes de inteligência, porém as autoridades alemãs estão exigindo "um preço excessivamente alto". Ele explicou que devido a um insistente pedido dos EUA, os alemães propuseram como candidato à troca pelo lado russo o ex-coronel do Serviço Federal de Segurança, Valeri Mikhailov, condenado a 18 anos por transmitir segredos aos americanos. “Washington tem pressionado bastante Berlim para conseguir a libertação de Mikhailov”, declarou Schmidt- Eenboom. “Os russos sempre querem trazer de volta os seus. Mas, no caso em questão, aparentemente eles consideraram que esta seria uma troca desigual”, acrescentou.

Erich Schmidt- Eenboom considera um exagero o fato de a Justiça alemã ter reconhecido os espiões russos como "uma séria ameaça para os interesses nacionais e para a segurança da República Federal da Alemanha". "Eles apenas ajudavam a passar as informações provenientes do diplomata holandês Raymond Poeteray, sendo que os documentos sobre as atividades da Otan e da União Europeia levavam no máximo a classificação de ‘secreto’, enquanto Valeri Mikhailov transmitiu milhares de documentos classificados como ‘altamente secretos’ à CIA.” Schmidt- Eenboom acredita que as negociações sobre a troca poderão ser retomadas nos próximos meses, depois que o novo governo da Alemanha "se inteirar do curso dos acontecimentos".

Andrêi Soldatov, editor-chefe do portal "Agentura.ru", também está convencido de que os Anshlag retornarão à Rússia. "O Serviço de Inteligência Exterior da Federação Russa tem a obrigação de fazer tudo para resgatar os seus agentes", explicou. Além disso, ao contrário do especialista alemão, Soldatov acredita que os Anshlag conseguiram alcançar importantes êxitos, pois "obtinham segredos militares". O perito avalia que os méritos do casal de agentes perante a Rússia são ainda maiores do que os de alguns dos dez espiões detidos em 2010 nos EUA e conclui: "A história do adiamento da troca dos Anshlag é misteriosa e incomum".

 

Publicado originalmente no site do jornal “Kommersant”

 

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