Conferência de Munique se volta para a guerra civil na Síria

Fonte: AP

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Não há progressos nas negociações entre os rebeldes e o governo sírio, mas a Rússia acredita que não se trata de um beco sem saída.

O tema central da 50ª Conferência de Segurança de Munique, na Alemanha, foi o conflito na Síria, que já dura mais de dois anos e meio e já causou a morte de mais de 100 mil pessoas. O ministro das Relações Exteriores russo, Serguêi Lavrov, se juntou às conversações sobre a resolução da questão síria, primeiro em um encontro com o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, e depois em uma conversa com a participação do secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, e do enviado especial da ONU e da Liga dos Estados Árabes, Lakhdar Brahimi.

Este último foi a Munique vindo diretamente de Genebra,na Suíça, onde no dia 31 de janeiro terminou a primeira rodada de conversações entre as delegações de Damasco e da oposição síria. O diplomata argelino disse que as negociações referentes à Síria devem retomar no dia 10 de fevereiro e manifestou a esperança de que as discussões nesta próxima etapa sejam mais produtivas.

De acordo com uma fonte do RBTH na representação permanente da Federação Russa junto às Nações Unidas e outras organizações internacionais em Genebra, "ainda não foram encontradas soluções práticas significativas nas negociações, mas a situação não entrou em nenhum beco sem saída". Mais ou menos com este mesmo espírito se expressou Brahimi em Munique: "A diferença nas posições defendidas por cada um dos lados é muito grande, e eu nem esperava algum resultado. O gelo está derretendo, muito lentamente, mas está derretendo. Espero que o segundo turno seja mais construtivo e produtivo".

Evidência de um pequeno avanço foi o progresso verificado no que se refere à prestação de assistência humanitária aos milhares de palestinos que vivem no campo de refugiados de Yarmouk, em Damasco. Eles se estabeleceram lá antes do início do conflito na Síria. No entanto, e de acordo com Brahimi, pouco foi feito no que diz respeito à população da cidade de Homs e à troca de prisioneiros entre o governo e os rebeldes. "As discordâncias entre as partes continuam sendo muito significativas e é inútil fingir que não", disse ele.

Acima de tudo, as discordâncias dizem respeito ao órgão do governo de transição da Síria. Os representantes da Coalizão Nacional Síria da Oposição e das Forças Revolucionárias previam começar na quinta-feira a discussão sobre a composição quantitativa do novo governo de coalizão e de seus poderes. No entanto, a delegação oficial de Damasco disse ser sua prioridade a luta contra o terrorismo.

Para evitar um possível colapso das conversações, Ban Ki-Moon pediu uma participação ainda mais ativa no processo dos promotores da conferência Geneva 2, a Rússia e os Estados Unidos. Em resposta, John Kerry assegurou que está trabalhando com Lavrov a fim de envolver o governo de Bashar Al-Assad no processo de paz. "Há boas razões para acreditarmos que Assad deve estar ainda mais interessado na participação imediata nas negociações", disse ele, sem especificar que razões são essas.

Por sua vez, Lavrov reconheceu que está exercendo forte pressão sobre a Rússia para que Moscou influencie Damasco. No entanto, a Rússia sozinha não pode fazer nada se aqueles que apoiam a oposição não seguirem o seu exemplo. Esta tese do ministro das Relações Exteriores da Federação Russa foi desenvolvida no dia seguinte, em um discurso na conferência de Munique. "A Rússia sozinha não pode fazer nada. É importante que todos os interventores externos não tentem promover os representantes sírios com os quais concordam como os únicos representantes legítimos do povo sírio, mas sim que forcem as partes a permanecerem em Genebra e a continuarem as negociações sem fecharem a porta", disse Lavrov.

O ministro fez notar que o diálogo iniciado em Genebra terá que progredir o mais rápido possível. "Todos aqueles que têm influência sobre a oposição devem fazer as coisas de modo que as delegações à mesa representem todo o espectro da sociedade síria. É precisamente esta a exigência contida na resolução 2118 do Conselho de Segurança da ONU que aprova o comunicado de Genebra de 30 de junho de 2012 e que apoia a conferência para a sua implementação", lembrou ele.

Lavrov mais uma vez chamou a atenção da elite política euro-atlântica para o fato de que o prolongado conflito transformou a Síria em um reduto de extremistas e terroristas de todo o mundo e que ninguém sabe como eles irão aplicar essas habilidades quando voltarem para casa. "As atrocidades cometidas por eles contra os cristãos e outras minorias nos países do Oriente Médio levam a pensamentos funestos", lamentou.

 

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