Obama anuncia “reforma cosmética” da Agência de Segurança Nacional

Líder americano promete reforçar segurança dos Estados Unidos contra ameaças externas Foto: Reuters

Líder americano promete reforçar segurança dos Estados Unidos contra ameaças externas Foto: Reuters

Observadores internacionais alegam que iniciativa de modificar atuação do órgão pode sair pela culatra.

O presidente norte-americano Barak Obama declarou recentemente que a Agência de Segurança Nacional passará por reforma. Além de eliminar as contradições entre os direitos e liberdades dos cidadãos do país, líder americano promete reforçar segurança dos Estados Unidos contra ameaças externas.

A ausência de qualquer reação do governo americano às revelações do Edward Snowden prejudicou a imagem e a situação econômica do país. “A liderança global dos Estados Unidos tentaram mascarar os seus interesses particulares com uma suposta preocupação com o bem da humanidade”, explica Andrei Suchentsov, cientista político e professor da Universidade Estatal de Relações Exteriores de Moscou. 

“Os problemas econômicos dos Estados Unidos também foram agravados pela redução da demanda por produtos eletrônicos. Isso porque os consumidores têm receio de que os aparelhos recém-adquiridos sejam capazes de repassar as suas informações particulares ao governo americano”, acrescenta o especialista.

As novidades apresentadas por Obama durante o seu discurso de 45 minutos foram apoiadas apenas por políticos que inicialmente se manifestaram contra a reforma da agência, como Peter King, membro do Congresso americano. Os defensores dos direitos humanos, contudo, não ficaram satisfeitos com as iniciativas devido ao seu caráter irrealizável ou meramente declaratório.

“Muitos consideram os acontecimentos recentes, tais como as revelações do Snowden, como uma consequência de controle deficiente sobre os funcionários civis da Agência. Portanto, as reformas propostas por Obama preveem a troca do seu diretor militar pelo dirigente civil, assim como a introdução das mudanças na corte secreta responsável pela emissão das autorizações de aquisição de qualquer informação pela Agência de Segurança Nacional”, explica Valéri Garbuzov, vice-diretor do Instituto dos EUA e Canadá da Academia de Ciências da Rússia.

No entanto, as medidas anunciadas pelo presidente americano não serão suficientes, pois há uma grande possibilidade de não aprovação da reforma, bem como a troca dos dirigentes militares pelos civis poderá ter o efeito contrário ao esperado. “Obama reconhece os problemas atuais da agência, porém, decidiu não conduzir uma verdadeira reforma. Em outras palavras, ele se aproximou à linha de chegada, mas escolheu não atravessá-la", conclui Anthony Romero, diretor executivo da União Americana pelas Liberdades Civis. Isso faz com que as propostas do Obama sejam chamadas de “reformas cosméticas”, continua Garbuzov.

“Estamos lidando com simples declarações sem quaisquer ações legais destinadas à sua realização, ao contrário da documentação da administração do presidente George Bush emitida no período entre 2004 e 2005”, argumenta Aleksêi Fenenko, pesquisador sênior do Instituto de Segurança Internacional da Academia de Ciências da Rússia.

“Naquela época, os poderes do serviço secreto americano referentes à coleta de informações particulares, principalmente às da imprensa, foram ampliados. A CIA recebeu o direito de efetuar o controle mais rígido sobre o banco de dados de endereços IP dos funcionários da administração, entre outras possibilidades. Portanto, independentemente da nossa atitude para com o sistema criado pelo Bush, ele foi mais eficiente”, conclui Fenenko.  

 

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