Três prioridades da política externa

Diplomatas russos terão que se esforçar para angariar novos mercados na Ásia e resgatar antigos parceiros europeus Foto: Shutter stock / Legion media

Diplomatas russos terão que se esforçar para angariar novos mercados na Ásia e resgatar antigos parceiros europeus Foto: Shutter stock / Legion media

Algumas autoridades nacionais insistem em se referir a 2013 como o “ano do triunfo da diplomacia russa”. No entanto, as respostas aos principais desafios da política externa russa ainda não apareceram, e o país terá que resolvê-los neste ano que se inicia. Diplomatas russos terão que se esforçar para angariar novos mercados na Ásia e resgatar antigos parceiros europeus.

1. Integração Euroasiática

Este ano será crucial para a formação da Comunidade Econômica da Eurásia (CEE), que, além de mencionada na nova edição do Conceito da Política Externa Russa, é uma das prioridades do terceiro mandato presidencial de Vladímir Pútin.

O tratado, que será assinado entre Rússia, Bielorrússia, Cazaquistão e outras ex-repúblicas soviéticas na metade do ano, será finalizado até março e deve entrar em vigor a partir de janeiro de 2015.

No entanto, o processo da integração passou por uma série de problemas no ano passado. O principal deles é a visão contrastante de Moscou e Astana sobre o futuro da união.

A Rússia pretende criar uma estrutura bem integrada, na qual os Estados-membros devem aderir não só ao mercado único com circulação livre de mercadorias, serviços, capital e pessoas, como também a uma política única em matéria de imigração, educação e informação.

As autoridades do Cazaquistão e, mais recentemente da Bielorrússia, acreditam que a proposta de Moscou representa uma invasão de soberania e, por causa dessas contradições, as autoridades russas terão que demonstrar tato diplomático.

2. Em busca de mercados asiáticos

Um dos principais desafios que a Rússia venceu em 2013 foi encontrar um novo mercado para a exportação de hidrocarbonetos. A petrolífera estatal Rosneft assinou um acordo com empresas chinesas que prevê o pré-pagamento de até US$ 60 bilhões para futuros fornecimentos de petróleo. O dinheiro será aplicado principalmente na compra de ativos russos.

Mas, apesar de ser uma solução positiva, a Rússia ficará excessivamente dependente de um único consumidor. Uma das tarefas mais importantes de 2014 é a diversificação de contatos na Ásia Oriental, embora a China certamente mantenha o papel de maior importador dos recursos naturais da Rússia.

O país, porém, não tem tido muito sucesso na criação desse contrapeso. A visita de Pútin à Coréia do Sul, no ano passado, não gerou desdobramentos, e as relações com o Japão continuam complicadas devido à disputa territorial em torno das ilhas Curilas.

3. Reaproximação com a Europa

A política comercial voltada para a China exigirá não só a diversificação de contatos na Ásia para minimizar os riscos, como também o reestabelecimento de relações mais próximas com a Europa. Nos últimos dois anos, as relações com a UE deterioraram-se acentuadamente, embora Moscou e os parceiros europeus tentem não demonstrá-lo.

As contradições acumuladas foram confirmadas pela realização de apenas uma única cúpula entre a Rússia e a UE em 2013, na cidade de Iekaterinburgo, ao contrário dos anos anteriores. A Comissão Europeia justificou a ausência de novas reuniões pelo fracasso das negociações na cúpula de Iekaterinburgo.

A discórdia aumentou com a crise na Ucrânia, quando autoridades europeias acusaram a Rússia de interferir nos assuntos internos de um Estado soberano. Os russos foram mais contidos, embora não tenham perdido a chance de falar sobre os representes europeus que apoiaram os manifestantes da praça Maidan, em Kiev.

Mas a perda mais dolorosa foi a deterioração dos contatos com a Alemanha. O processo criminal contra os membros da oposição, incluindo as integrantes do grupo punkPussy Riot, geraram insatisfação de Berlim e contribuíram para a redução gradual da dependência das empresas alemãs nas matérias-primas e no mercado russo. A libertação do empresário Mikhail Khodorkóvski, na qual a Alemanha desempenhou um papel significativo, pode ser um exemplo positivo da parceria entre os países.

 

Publicado originalmente pelo Kommersant

 

 

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