Universidades russas decepcionam em ranking dos Brics

Universidade Estatal de Moscou Lomonossov ocupou a terceira posição no ranking de melhores estabelecimentos de ensino superior dos países do Brics Foto: Ria Novosti

Universidade Estatal de Moscou Lomonossov ocupou a terceira posição no ranking de melhores estabelecimentos de ensino superior dos países do Brics Foto: Ria Novosti

Instituições de ensino chinesas e brasileiras levam vantagem em avaliações de ensino nos mercados emergentes. Segundo educadora, atraso dos institutos superiores russos nos rankings mundiais se deve a razões históricas.

Em meados de dezembro passado,a Universidade Estatal de Moscou Lomonossov (MGU, na sigla em russo) ocupou a terceira posição no ranking de melhores estabelecimentos de ensino superior dos países do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), produzido pela Quacquarelli Symonds World University Rankings – QS (vide quadro).

No entanto, a liderança pertence à China, cujas universidades de Tsinghua e de Pequim ocupam as duas primeiras colocações. Entre as 50 melhores universidades dos Brics, as brasileiras perdem somente para a China em quantidade (11 e 22, respectivamente), enquanto a Rússia é representada por apenas seis instituições de ensino.

TOP 10 das Universidades do Brics

1. Universidade de Tsinghua (China)                      

2. Universidade de Pequim (China)             

3. Universidade Estatal de Moscou Lomonosov (Rússia)

4. Universidade de Fudan (China)               

5. Universidade de Nanjing (China)            

6. Universidade de Ciência e Tecnologia da China (China)

7. Universidade de Shanghai Jiao Tong (China)

8. Universidade de São Paulo (Brasil)

9. Universidade de Zhejiang (China)

10. Universidade Estadual de Campinas (Brasil)    

 

Fonte: QS/2013

De acordo com Irina Abánkina, diretora do Instituto de Desenvolvimento do Ensino, o atraso dos institutos superiores russos nos rankings mundiais se deve a razões históricas. “Nas listas internacionais, três quartos dos índices medem o nível de desenvolvimento de ciência nos estabelecimentos de ensino superior, enquanto apenas um terço avalia a qualidade de educação”, explica.

“Os institutos superiores se concentram no ensino, enquanto a ciência é desenvolvida em organismos próprios, como institutos acadêmicos e de investigação científica”, acrescenta a educadora.

A avaliação da QS, conduzida com base na qualidade de educação, na reputação dos finalistas entre os empregadores, na quantidade de estudantes estrangeiros, e no número de publicações científicas e respectivas citações, seguiu um estudo semelhante da revista britânica “Times Higher Education”.

Apesar de as primeiras duas posições da China coincidirem com os resultados da QS, os ingleses tiveram uma avaliação ainda mais negativa do ensino na Rússia. Alegando que o país está “em depressão”, a edição britânica posicionou a MGU em 10lugar, destacando que o fato de trabalhos científicos serem publicados em língua russa dificulta a divulgação dessas pesquisas no resto do mundo.

“Os rankings internacionais influenciam, em primeiro lugar, a mobilidade de estudantes, e os finalistas desses institutos superiores incutem mais confiança nos empregadores estrangeiros”, conclui Abánkina.

Reforço para educação

Com o intuito de elevar a classificação das universidades russas no cenário internacional, o governo planeja investir mais de um bilhões de dólares na educação superior.

Além da MGU, o financiamento previsto no orçamento federal vai abranger outras 16 instituições de ensino superior. Entre elas, estão a Universidade Federal do Extremo Oriente, o Instituto Superior Físico-Técnico de Moscou, a Escola Superior de Economia e a Universidade Aerocósmica de Samara Korolióv.

Além disso, em julho do ano passado, o presidente russo Vladímir Pútin encarregou o Ministério da Educação e Ciência de elaborar os critérios para a criação de um ranking próprio para avaliar as universidades do país.

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