O apoio financeiro não só livrou a Ucrânia de ameaça de moratória: agora, Kiev pode esperar crescimento econômico de 3% Foto: AFP/East News
Na última segunda-feira (23), a Rússia transferiu US$ 3 bilhões à Ucrânia. É a primeira parcela da compra de dívidas ucranianas de um total de US$ 15 bilhões.
Segundo especialistas, o pacote de acordos teve um grande efeito emocional sobre empresas e cidadãos ucranianos. Após sua assinatura, o proprietário da empresa ucraniana Global Spirits, Evguêni Tcherniak, escreveu em sua página no Facebook: “O crédito de US$ 15 bilhões, o preço de gás reduzido em 30%, a renovação dos programas bilaterais na área de construção naval e a ausência das exigências para a entrada da Ucrânia na União Aduaneira mostram que a Rússia não perdeu, mas demonstrou novamente que os russos são e serão os melhores amigos da Ucrânia.”
De acordo com especialistas ucranianos, essa opinião tornou-se bastante popular entre os empresários do país. “Oligarcas ucranianos reconhecem apenas o poder de dinheiro. Neste sentido, a decisão de Pútin teve um efeito impressionante. Kiev recebeu muitos emissários europeus que não deram nenhum centavo e só exigiram a libertação da prisoneira política Timochenko”, disse um interlocutor da “Gazeta.ru” em Kiev.
O apoio financeiro não só livrou a Ucrânia de ameaça de moratória: agora, Kiev pode esperar crescimento econômico de 3%, e o governo promete reduzir os preços dos serviços de habitação e até pagar as dívidas dos depósitos soviéticos.
Ao mesmo tempo, o assessor presidencial, Serguêi Gláziev, em entrevista à rádio Business FM, explicou porque a Ucrânia não assinou o Acordo de Associação com a União Europeia.
"Eu tinha certeza de que a Ucrânia não assinaria o acordo. Eu posso explicar o desejo do governo ucraniano de assinar esse acordo somente de uma maneira: os ucranianos não leram o texto”, declarou Gláziev.
Segundo Gláziev, a assinatura do acordo com a UE é um “suicídio” para a Ucrânia, porque aumentará o deficit comercial devido às importações da Europa, principalmente de equipamentos, o que vai matar a indústria local.
Gláziev declarou que o acordo com os europeus não promete benefícios para o povo da Ucrânia, que está interessado na isenção do regime de vistos com a UE e na possibilidade de trabalhar nos países europeus. “A isenção de vistos é uma questão das negociações entre a Ucrânia e os diferentes Estados europeus. Além disso, o acordo não aborda questões de emprego dos cidadãos ucranianos na União Europeia”, diz Gláziev.
O assessor presidencial sublinhou que agora existe um regime comercial especial entre a Rússia e a Ucrânia. Segundo ele, a cooperação com a Rússia têm vários benefícios reais: gás barato, eliminação de impostos sobre a importação de produtos petrolíferos e o livre acesso ao mercado alimentício russo.
Além disso, Gláziev deixou claro que a Rússia continua preocupada com a perspectiva da possível adesão da Ucrânia à OTAN.
Com informações da Gazeta.ru e BFM.ru
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