Justiça inocenta ativistas do Greenpeace

No final de novembro, os integrantes do grupo apelidado de “Arctic 30” foram colocados em liberdade sob fiança de 2 milhões de rublos por detento Foto: Lenta.ru

No final de novembro, os integrantes do grupo apelidado de “Arctic 30” foram colocados em liberdade sob fiança de 2 milhões de rublos por detento Foto: Lenta.ru

Todos os 30 membros do quebra-gelo Arctic Sunrise acusados de vandalismo após protesto na plataforma de petróleo Prirazlómnaia, foram anistiados, incluindo a brasileira Ana Paula Maciel. A anistia pressupõe reconhecimento de culpa da parte dos acusados, embora nenhum dos ambientalistas tenha o feito.

Os ativistas do Greenpeace detidos no mar de Pechora receberam nesta quarta-feira de Natal (25) a informação de que as acusações contra eles haviam sido encerradas, em conformidade com a anistia aprovada por parlamentares da Duma Estatal (câmara dos deputados na Rússia).

“No dia 24 de dezembro, o Comitê de Investigação começou a retirar as acusações. Todos os ativistas aceitaram a anistia, embora nenhum deles tivesse reconhecido a culpa pelo crime no qual foram indiciados”, informou Evguênia Beliakova, coordenadora do programa ártico do Greenpeace, ao jornal “Vzgliad”.

Na terça-feira (24), o britânico Anthony Perrett já havia sido notificado sobre a retirada da acusação e a possibilidade de deixar a Rússia.“Esperamos que em breve os demais recebam documentos similares. O Serviço Federal de Migração já começou o processamento dos documentos para eles poderem sair do país”, realçou Beliakova.

Possíveis sanções contra os membros do Greenpeace serão contempladas individualmente pelo Departamento de Vistos do Serviço Consular da Rússia. Não se descarta a possibilidade de proibir a entrada dos respetivos cidadãos estrangeiros na Rússia, por terem sido submetidos a uma investigação criminal no país.

Uma reprepresentante do Greenpeace Rússia relatou à agência de notícias Itar-Tass que os envolvidos tinham direito a recusar a anistia, caso quisessem levar o assunto ao julgamento a fim de conseguir o reconhecimento total da inculpabilidade.

“Vandalismo” ecológico

Em meados de setembro, os ativistas da Greenpeace a bordo do quebra-gelo Arctic Sunrise organizaram um protesto contra a exploração petrolífera do Ártico, tentando escalar a estrutura da plataforma Prirazlómnaia.

As ações foram interrompidas por oficiais da Guarda de Fronteira russa, e os 30 membros do Arctic Sunrise foram detidos e, inicialmente, acusados de pirataria,Após reação da mídia internacional, o comitê de investigação abrandou a acusação para vandalismo.

“As novas acusações subentendem anulação das acusações anteriores”, explicou o advogado Konstantin Trapaidze na época. Enquanto o artigo do Código Penal sobre a pirataria prevê a pena de reclusão de 15 anos, o prazo máximo por vandalismo é de 7 anos.

No final de novembro, os integrantes do grupo apelidado de “Arctic 30” foram colocados em liberdade sob fiança de 2 milhões de rublos por detento (o equivalente a R$ 138 mil).

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