“Brasil abre portas para mercado latino-americano”, diz diplomata russo

Likhatchev: “Investimentos mútuos devem ajudar a cumprir essas missões de grande escala” Foto: Ramil Sítdikov/RIA Nóvosti

Likhatchev: “Investimentos mútuos devem ajudar a cumprir essas missões de grande escala” Foto: Ramil Sítdikov/RIA Nóvosti

Autoridades russas estiveram em Brasília para definir os rumos da parceria estratégica. Intercâmbio em diversas áreas promete elevar volume de trocas comerciais para US$ 10 bilhões em 2015.

A reunião da Comissão Intergovernamental de Cooperação Econômica, Comercial, Científica e Tecnológica, que define as tarefas para intensificar a parceria estratégica e o fortalecimento da aliança tecnológica entre Brasil e Rússia, terminou em Brasília nesta terça-feira (10).

O encontro reuniu funcionários de ministérios de ambos os países, representantes de bancos centrais e comerciais, além de empresas estatais e privadas que já vinham implementando projetos conjuntos nas áreas de comércio, investimentos, ciência e intercâmbio cultural.

Os grupos de trabalho focaram em como aumentar a tradicional parceria e encontrar novas áreas de crescimento para elevar o volume de trocas comerciais para US$ 10 bilhões em 2015. Os países pretendem dobrar seu comércio, que está sendo atualmente restaurado após a queda provocada pela crise financeira mundial de 2008.

“Os investimentos mútuos devem ajudar a cumprir essas missões de grande escala”, adiantou o copresidente da delegação russa e vice-ministro do Desenvolvimento Econômico, Aleksêi Likhatchev, à agência Itar-Tass.

“Temos boas oportunidades para diversificar e ampliar a cooperação em termos de comércio para, assim, servir de indicador formal da intensidade das nossas relações. Tudo isso prevê a criação de joint ventures, cooperação mais profunda em todas as áreas do setor de serviços, tecnologias de software e turismo”, acrescentou.

Além disso, segundo Likhatchev, o Brasil está abrindo oportunidades para as empresas russas entrarem no mercado da América Latina.

Uma das áreas promissoras de cooperação é a nuclear, na qual a Rússia já provou ser altamente competitiva. Os projetos concretos com a participação da corporação nuclear estatal Rosatom foram discutidos por um grupo de trabalho especial da comissão intergovernamental.

“Trinta anos atrás, eu não podia sequer imaginar que a [empresa brasileira] Marco Polo e a [fabricante de caminhões russa] Kamaz iriam trabalhar em conjunto na fabricação de ônibus na Basquíria nem que a Rosneft iria analisar e desenvolver exploração de petróleo e gás na Amazônia”, declarou o vice-ministro das Relações Exteriores brasileiro, Carlos Antonio da Rocha Paranhos, que atua como Subsecretário-Geral para Assuntos Políticos. “O trabalho da comissão intergovernamental provou ser eficaz e permitiu a elaboração de diretrizes para a cooperação e definição de projetos que podem nos fazer continuar seguindo em frente.”

Os representantes da Comissão Intergovernamental decidiram realizar uma teleconferência sobre a cooperação russo-brasileira em fevereiro do ano que vem. Além disso, o cumprimento das decisões tomadas no Brasil será analisado durante as reuniões paralelas na próxima cúpula do Brics, que acontecerá na cidade de Fortaleza em abril. O encontro vai reunir os líderes das principais economias emergentes do grupo – Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.

 

Publicado originalmente pela agência de notícias ITAR-TASS

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