Conselho Rússia-Otan traça planos para 2014

Durante a reunião, os chefes das diplomacias dos países da Otan pediram ao governo da Ucrânia para parar com o “uso excessivo da força” contra os manifestantes, e Lavrov aproveitou para criticar a atuação do órgão diante dos últimos acontecimentos Foto: Reuters

Durante a reunião, os chefes das diplomacias dos países da Otan pediram ao governo da Ucrânia para parar com o “uso excessivo da força” contra os manifestantes, e Lavrov aproveitou para criticar a atuação do órgão diante dos últimos acontecimentos Foto: Reuters

Reunidas em Bruxelas, autoridades de ambas as partes discutiram atua situação internacional e perspectivas de cooperação para ano que vem. Entre os assuntos abordados, líderes pediram para governo ucraniano parar com o “uso excessivo da força” e reiteraram planos de realizar Genebra 2 em janeiro.

Na quarta-feira passada (4), o Conselho Rússia-Otan se reuniu em Bruxelas para discutir a atual situação internacional e as perspectivas de atuação do grupo no futuro. O encontro, que contou com a presença do secretário-geral da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), Anders Fogh Rasmussen, ministros das Relações Exteriores dos 28 países membro da Aliança e o chanceler russo, Serguêi Lavrov, foi bem recebido pela parte russa.

“Trocamos opiniões sobre a atual situação internacional e evidenciamos os progressos alcançados em relação às armas químicas sírias, à convocação da conferência Genebra 2 e ao programa nuclear iraniano”, disse Lavrov durante coletiva de imprensa após a reunião. “Tudo isso comprova a eficácia das medidas políticas e diplomáticas para a resolução de crises complexas.”

Grande parte da reunião foi dedicada aos resultados da cooperação entre a Rússia e a Otan ao longo do ano, como, por exemplo, a criação de um sistema de detecção precoce e rastreamento de aeronaves sequestradas por terroristas, e o projeto Detecção Remota de Explosivos (Standex), destinado a evitar atentados terroristas em locais movimentados.

Este ano também foi marcado pela continuidade da cooperação entre a Rússia e a Otan no Afeganistão com base em uma resolução do Conselho de Segurança da ONU que prevê o transporte de cargas da Força Internacional de Assistência para a Segurança (ISAF, na sigla em inglês) de e para o Afeganistão pelo território russo, bem como o treinamento das forças de segurança do Afeganistão, Paquistão e dos países da Ásia Central para o combate ao tráfico de drogas. De acordo com dados de novembro passado, no âmbito desse programa, foram treinados cerca de três mil agentes policiais de sete países.

Outro projeto conjunto importante colocado em prática é a formação de técnicos afegãos para a manutenção dos helicópteros Mi-17 e Mi -35, principais veículos aéreos da frota de helicópteros do país, e o fornecimento ininterrupto de suas peças de reposição ao Afeganistão. Desde abril passado, quando o programa começou, já foram formados 40 técnicos afegãos.

2014 em pauta

No próximo ano, as partes darão continuidade ao programa de criação de grupos aéreos da Força Aérea afegã para missões de evacuação médica. Segundo Lavrov, a Rússia tem especial interesse na questão do Afeganistão após 2014, quando as tropas da Otan serão retiradas, por causa de sua proximidade com o país. “É importante manter um diálogo regular para estarmos cientes dos planos, inclusive sobre a criação de uma nova missão da Otan e dos EUA no Afeganistão depois de 2014”, disse o chanceler.

Entre as novas áreas de cooperação, merece atenção um acordo sobre a coordenação de ações para combater ameaças à segurança de suas missões diplomáticas em países em crise.

As partes discutiram ainda a possibilidade da participação financeira da Otan na criação de um Fundo Fiduciário para o desenvolvimento de tecnologias inofensivas ao meio ambiente. O projeto será monitorado pelos russos e concretizado em conformidade com a legislação do país.

Ucrânia, Síria e Irã

Durante a reunião, os chefes das diplomacias dos países da Otan pediram ao governo da Ucrânia para parar com o “uso excessivo da força” contra os manifestantes, e Lavrov aproveitou para criticar a atuação do órgão diante dos últimos acontecimentos.

Paralelamente, foi aprovada uma declaração conjunta em que as partes se manifestaram favoráveis aos esforços das Nações Unidas e da Organização para a Proibição de Armas Químicas para a destruição do arsenal de armas químicas sírio. Os chanceleres reunidos em Bruxelas reiteraram a necessidade de convocar uma conferência sobre a paz na Síria, conhecida Genebra 2, que deve acontecer em janeiro de 2014. Os preparativos para Genebra 2 foram discutidos a portas fechadas por Serguêi Lavrov e pelo secretário de Estado dos EUA, John Kerry.

Depois do encontro, chanceler russo declarou ainda que, se o problema nuclear iraniano for resolvido e colocado sob um rígido controle da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), não haverá mais razões para construir um escudo antimíssil europeu. 

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