Ativistas do Greenpeace não têm previsão para deixar a Rússia

Ana Paula ficou presa por dois meses depois de participar de protesto no Ártico Foto: Greenpeace.org

Ana Paula ficou presa por dois meses depois de participar de protesto no Ártico Foto: Greenpeace.org

Acusados de vandalismo, ativistas do Greenpeace falam sobre apoio recebido dos presos em casa de detenção em São Petersburgo. Recém-libertados, porém com futuro incerto, eles estão hospedados em hotel e prestam assistência ao Comitê de Investigação da Rússia.

Na última sexta-feira (29), o Greenpeace realizou uma reunião informal com os ex-tripulantes do quebra-gelo Arctic Sunrise, que, depois de serem libertados, foram hospedados em um hotel no centro de São Petersburgo.

Esperando por julgamento, os ativistas mantêm contato com os seus familiares, visitam museus e continuam trabalhando para o Greenpeace em novos projetos, programas e estratégias de combate a atividades prejudicam a natureza. Paralelamente, todos são obrigados a participar diariamente de reuniões com o Comitê de Investigação.

De acordo com o advogado do Greenpeace, Anton Beneslavsk, ainda não é possível prever quando os ambientalistas receberão autorização para sair do país, isto é, se eles receberem permissão para deixar o território russo antes do final do julgamento.

Como os ativistas foram levados sob um registro temporário emitido pelo serviço de imigração de São Petersburgo e não possuem um visto formal, Beneslavsk afirma que os membros do Greenpeace estariam sujeitos à acusação de fuga caso tentassem deixar o país.

“O problema é consequente da desconformidade entre a legislação processual e sua aplicação prática", explica o advogado. “O conceito de fiança, amplamente usado nos países ocidentais, não possui uma definição precisa na legislação russa. Enquanto os investigadores não apontarem os limites do permitido, estamos agindo com muita cautela.”

Família e amigos novos

Alguns deles ainda não puderem receber a visita de familiares, que estão à espera de visto para entrar na Rússia. Esse é o caso esposa e a filha do capitão Peter Willcox, que estão atualmente tentando um visto junto à embaixada russa nos EUA. “Acredito que o processo será longo”, lamenta ele.

Os ativistas de países cujos cidadãos não precisam de vistos para entrar na Rússia, como o Brasil, foram mais sortudos. No domingo passado (1), a mãe de Ana Paula Maciel, Rosângela, chegou com a sobrinha no aeroporto de São Petersburgo. Ela viu a filha pela primeira vez depois de Ana Paula ficar dois meses presa.

Durante o período em que permaneceram detidos em um presídio de São Petersburgo, alguns ambientalistas dizem ter sentido falta de notícias do mundo fora da prisão e de contatos com pessoas que falassem inglês. Em compensação, muitos receberam apoio de outros detentos.

“Conhecemos pessoas que nos tratavam como irmãos e compartilhavam tudo conosco”, lembra o vice-capitão Miguel Hernan Orsi. “Quando cheguei ao presídio sem os meus pertences, ganhei calça, camiseta e sapatos novos. E, depois que me troquei, recebi um prato de macarrão”, continua.

Willcox também elogiou o seu ex-colega de cela, que, todas as noites, servia uma sopa vegetariana feita exclusivamente para o capitão do Arctic Sunrise.

 

Publicado originalmente pelo portal Gazeta.ru

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