País pretende duplicar volume comercial com África do Sul

Durante as conversas com Pútin (dir.), presidente sul-africano Jacob Zuma enfatizou que a cooperação Rússia-África do Sul não é apenas importante no âmbito do Brics, mas também no G20 Foto: AP

Durante as conversas com Pútin (dir.), presidente sul-africano Jacob Zuma enfatizou que a cooperação Rússia-África do Sul não é apenas importante no âmbito do Brics, mas também no G20 Foto: AP

Abertura de escritório de representação comercial em Joanesburgo promete alavancar posição do Brics e ampliar influência russa no sul do continente africano. Porém, especialista duvida que Moscou consiga cumprir metas em curto período de tempo.

A decisão de abrir uma representação comercial da Rússia em Joanesburgo, na África do Sul, foi formalizada no último dia 11 e será concretizada ainda este ano. A nova missão empresarial será um “ponto de referência” para o empresariado russo na porção sul do continente africano.

“Planejamos realizar, no primeiro semestre de 2014, um encontro de trabalho entre empresas russas em Pretória e aprovar um mapa de orientação dos projetos de investimento bilaterais”, disse à Gazeta Russa a vice-ministra do Desenvolvimento Econômico da Rússia, Elena Lachkina.

Moscou pretende recuperar a sua posição na África Subsaariana, onde há 25 anos exercia uma intensa atividade no estabelecimento de relações comerciais, exploração mineral e criação de indústrias de produção. No entanto, após a queda da União Soviética, muitas destas posições foram perdidas e agora a Rússia tem apenas três missões comerciais em toda a África: Egito, Marrocos e Argélia.

A África do Sul ocupa agora o primeiro lugar entre os parceiros comerciais russos no sul do continente africano. Nos últimos cinco anos, o volume de negócios cresceu três vezes até atingir US$ 1 bilhão, segundo os dados de 2012 do Ministério do Desenvolvimento Econômico russo. Ao longo dos próximos cinco anos, a expectativa do ministério é duplicar esse índice.

De acordo com o vice-ministro do Desenvolvimento Econômico da Rússia, Aleksêi Likhatchev, os grandes empresários russos do ramo da energia e indústria pesada, bem as empresas de inovação tecnológica, têm mostrado grande interesse em desenvolver e aprofundar a cooperação econômica com os países africanos.

Entre os projetos de infraestrutura na África do Sul, as empresas russas pretendem intensificar seu envolvimento na modernização de trens e construção de ferrovias, modernização de infraestruturas portuárias, mineração e processamento de minerais, principalmente metais não ferrosos e raros, setor energético (incluindo nuclear), aviação, telecomunicações e agricultura.

Em contrapartida, a Rússia está interessada em aumentar a importação de produtos de agricultura tropical (citricultura, uva, vinho), área em que a África do Sul já responde por parcela substancial no mercado da Rússia.

Lanterninha do Brics

A representação comercial da Rússia na África do Sul terá um impacto positivo também no desenvolvimento do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) como um todo. No grupo de países emergentes, a África do Sul é considerado o elo mais fraco, e suas principais vantagens não são econômicas, mas a projeção regional, os recursos naturais e a sua importante localização geopolítica.

As exportações da África do Sul para os países do Brics demonstram uma crescente diversificação da economia do país. Nos últimos anos, as trocas comerciais com os demais países do grupo atingiu US$ 36,4 bilhões. Paralelamente, essa dinâmica empresarial positiva contribuiu para o crescimento econômico no continente africano, aumentando gradualmente a sua importância a nível global.

De acordo com o analista sênior do Instituto de Pesquisa dos Mercados Emergentes Skôlkovo, Christopher Hartwell, atualmente, China e Brasil são os dois países do grupo que trabalham mais ativamente com a África do Sul. “As trocas comerciais com a aumentaram radicalmente nos últimos anos, mas a China e o Brasil têm uma presença mais ativa no país”, diz ele.

“Enquanto o investimento russo é de US$ 1 bilhão na África do Sul, o investimento chinês em apenas um negócio com Joanesburgo será de mais do que US$ 7 bilhões. E o comércio russo com toda a África soma apenas 2% do seu total”, acrescenta Hartwell.

As oportunidades da Rússia, segundo o especialista, serão limitadas a determinadas circunstâncias, e o principal recurso de troca comercial entre os dois países podem ser caminhões e veículos de transporte. “A questão aqui é que vantagens as empresas russas podem ver na busca de fornecedores ou exportação de bens e serviços para os consumidores sul-africanos e vice-versa”, aponta o especialista.

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