Nova acusação de espionagem russa pode ser retaliação

Essa foi a segunda acusação de espionagem russa feita pelo Ocidente após a concessão de asilo ao ex-funcionário da CIA Edward Snowden no país Foto: Reuters

Essa foi a segunda acusação de espionagem russa feita pelo Ocidente após a concessão de asilo ao ex-funcionário da CIA Edward Snowden no país Foto: Reuters

Jornal italiano afirma que pen drives e carregadores de celulares entregues a membros de delegações dos países presentes na última cúpula do G20, em São Petersburgo, seriam destinadas ao roubo de dados sigilosos. País rebate suspeita como represália por asilo a Snowden.

Uma reportagem publicada no jornal italiano Corriera della Sera na última terça-feira (29) afirma que pen drives e carregadores de celulares entregues como lembranças aos membros de delegações dos países presentes à última cúpula do G20, em São Petersburgo, eram destinadas ao roubo de dados sigilosos.

"Não sabemos das fontes exatas das acusações de espionagem, mas acreditamos que seja apenas uma tentativa frustrada de desviar a atenção dos problemas atuais entre os países europeus e os Estados Unidos", afirmou Dmítri Peskov, porta-voz do presidente russo, em resposta às acusações.

De acordo com a reportagem do jornal italiano, após o término do evento, o presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, pediu que o serviço de inteligência alemão verificasse os presentes. O resultado teria confirmado a modificação dos dispositivos para a coleta não autorizada de informações.

Especialistas em segurança de dados confirmam que pen drives e carregadores podem ser usados para copiar o conteúdo de computadores e celulares.

Represália

Essa foi a segunda acusação de espionagem russa feita pelo Ocidente após a concessão de asilo ao ex-funcionário da CIA Edward Snowden no país. Na primeira, a Agência Federal de Investigação norte-americana levantou suspeitas contra o diretor do centro cultural russo em Washington.

"Este escândalo não conseguirá romper os laços entre os países, mas irá contribuir para a inclusão de novas regras no Direito Internacional. Até agora, os norte-americanos não poupavam esforços para impedir a criação de novas normas, pois isso prejudicaria sua supremacia na internet. Mas agora eles já não poderão mais evitá-las", diz o vice-diretor do Instituto dos EUA e Canadá, Pavel Zolotarev, ao site Pravda.Ru.

O major-general aposentado do Serviço Federal de Segurança da Rússia, Evguêni Lobatchev, explica ao Pravda.Ru que a segurança dos veículos de comunicação foi incluída na lista das prioridades do governo russo ainda durante a operação militar da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) na antiga Iugoslávia.

A operação foi marcada pelo corte de todos os meios de comunicação da Ucrânia com o mundo, provocada pelos Estados Unidos com o objetivo de proteger sua frota de aviões.

"Nossos sistemas resistem a ataques e impossibilitam o acesso dos norte-americanos a nossas principais fontes de informação. Infelizmente, não podemos proteger todos os usuários, apenas os dados de extrema importância", explica Lobatchev.

 

Com a agência RIA Novosti e os portais Gazeta.Ru e Pravda.Ru

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