Nadador gay dos EUA escreve carta aberta a Pútin

"Lei antigay" russa preocupa atletas que participarão dos Jogos Olímpicos de Inverno 2014, em Sôtchi Foto: Reuters

"Lei antigay" russa preocupa atletas que participarão dos Jogos Olímpicos de Inverno 2014, em Sôtchi Foto: Reuters

Em artigo publicado pelo “Huffington Post”, Richard Alther elogia físico do líder russo e pede maior tolerância durante Sôtchi-2014.

“Assim como um líder mundial, você é uma celebridade internacional vista como um cara orgulhoso e fortão. Milhões de pessoas que admiram esportistas já viram suas fotos sem camisa.”

É assim que o nadador americano Richard Alther, declaradamente gay, começa a sua carta ao presidente russo Vladímir Pútin, publicada no jornal “Huffington Post” nesta segunda-feira (12).

A bajulação não para por aí, já que Alther chega a comparar o líder russo ao ator inglês Daniel Craig, dizendo que “em comparação com pesos-pesados ​​políticos, Pútin é bem atraente”.

Na carta, Alther descreve os próximos Jogos Olímpicos de Sôtchi, em 2014, como “um momento de glória para a Rússia”, mas pede uma postura mais respeitosa em relação aos atletas e espectadores homossexuais presentes no evento esportivo.

“Não estamos pedindo para usar sungas cor de rosa na piscina ou collants nas pistas de corrida. Nós simplesmente queremos exibir nosso talento (soa familiar?), que é pura perseverança e habilidade em nosso esporte”,  continuou Alther.

O nadador se refere ainda ao assassinato brutal de um homem gay em Volgograd, em maio, como um sinal da intolerância russa, mas acrescenta que crimes motivados pelo ódio acontecem em todo o mundo, inclusive nos EUA.

O atleta termina a sua carta a Pútin com um apelo de tolerância. “Todos sabemos que você é um 'macho man', o que pode ser legal. Mostre que só um homem de verdade trata os outros – quero dizer, todos – com compaixão e respeito”, escreve o nadador.

Alther já competiu em diversos campeonatos nacionais, e ganhou quatro medalhas de ouro e uma medalha de prata nos Jogos Gays de Chicago, em 2010.

 

Publicado originalmente pelo The Moscow Times

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