Síria demonstra “boa vontade”, e resolução da ONU deve evitar uso automático da força, diz Riabkov

Riabkov disse que as tentativas dos EUA de pressionar os membros do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas para aprovar uma resolução que permita um ataque militar são ilógicas Foto: PhotoXPress

Riabkov disse que as tentativas dos EUA de pressionar os membros do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas para aprovar uma resolução que permita um ataque militar são ilógicas Foto: PhotoXPress

Vice-ministro dos Negócios disse que as tentativas dos EUA de pressionar os membros do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas para aprovar uma resolução que permite um ataque militar são ilógicas.

Em discurso à Duma de Estado (câmara baixa do parlamento russo), o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros, Serguêi Riabkov, comentou os esforços do ministério para uma regulação pacífica do conflito sírio e reconheceu que a ameaça de uma agressão contra a Síria continua a ser um ponto importante na agenda das discussões internacionais. 

Riabkov disse que as tentativas dos EUA de pressionar os membros do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas para aprovar uma resolução que permita um ataque militar são ilógicas porquê o governo sírio está demonstrando sua "boa vontade". De acordo com o diplomata russo, a resolução do Conselho de Segurança da ONU em relação à Síria não pode prever o uso automático da força.

A Rússia espera que a resolução sobre as armas sírias possa ser aprovada logo após a decisão da Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ). O trabalho vai continuar durante os próximos dias, declarou o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguêi Lavrov, após uma reunião com o Secretário de Estado dos EUA, John Kerry, na sede da ONU em Nova York.

"A reunião foi construtiva, ambas as partes entendem bem como continuar a trabalhar. Esperamos conseguir chegar a um acordo sobre a resolução”, declarou Lavrov. 

O ministro russo também disse que "a OPAQ é a mais alta autoridade nessas questões". 

O presidente da Comissão de Assuntos Internacionais da Duma Estatal, Aleksêi Puchkov, acredita que a Rússia deve colaborar com os países ocidentais até um certo ponto e seguir sua própria linha no processo de resolução do conflito sírio. 

"Existe um limite para a cooperação. No caso da Líbia demonstramos uma grande vontade de cooperação e perdemos tudo. Não devemos apoiar o principal objetivo dos Estados Unidos na Síria: a mudança de regime.

Além disso, vários especialistas afirmam que é necessário entender o que pode acontecer depois de uma possível vitória diplomática russa.

"Ganharemos uma batalha, mas não a guerra", diz o membro do conselho científico do Centro Carnegie de Moscou, Aleksêi Maláchenko. “Bashar al-Assad deve ser substituído por outro líder”, explica.

"Hoje, a Rússia controla a situação, mas o mais importante é o que vai acontecer depois. A posição da Rússia durante as futuras eleições na Síria será muito importante. A etapa seguinte mostrará até que ponto a diplomacia russa é madura e pragmática", declarou Malachenko ao jornal “Gazeta.ru”. 

De acordo com o presidente da Fundação da Política Efetiva, Gleb Pavlóvski, o sucesso da Rússia é temporário. “A Rússia deve reforçar a imagem de sucesso do país. Esse é um caso único depois de muito tempo em que a Rússia ficou na sombra negativa”, diz Pavlóvski. 

“Em primeiro lugar é preciso consolidar a situação. Além disso, a Rússia não deve fazer declarações sobre a necessidade de fornecer armamentos ao Irã, porque isso ajudaria ao Congresso dos EUA a tomar uma resolução que permitirá a intervenção armada. Nesse caso, a Rússia se tornará uma das partes do conflito”, completou Pavlóvski.

 

Publicado originalmente pela Gazeta.ru

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