Falta de unidade prejudica oposição síria, afirma especialista

Países vizinhos interessados em derrubar Assad e os países ocidentais desempenham um papel importante na formação de uma estrutura única da oposição síria Foto: Reuters

Países vizinhos interessados em derrubar Assad e os países ocidentais desempenham um papel importante na formação de uma estrutura única da oposição síria Foto: Reuters

Para Gumer Issaev, centro de estudos sobre o Oriente Médio de São Petersburgo, regime de Bashar Assad é desafiado por grupos avulsos que não podem chegar a acordo entre si nem atuar em conjunto em negociações de paz.

Com mais de dois anos e meio de conflito na Síria, não há, até agora, uma oposição unida, capaz de substituir o atual governo. O regime de Bashar Assad é desafiado por grupos avulsos que não podem chegar a um acordo entre si nem atuar em conjunto em negociações de paz.

Essa é opinião de Gumer Issaev, diretor do centro de estudos sobre o Oriente Médio de São Petersburgo, que concedeu entrevista ao jornal “Moskóvski Komsomolets”.

Segundo Issaev, a oposição síria conta com representantes de todos os principais grupos religiosos do país: sunitas, alauítas e cristãos.

"Não há um conflito religioso em que os sunitas façam frente aos alauítas ou aos cristãos. Nos altos escalões do poder, há muitos alauítas, razão pela qual a oposição síria afirma estar lutando contra o ‘predomínio alauíta’, embora tenha em suas fileiras oposicionistas alauítas, entre outros", disse o especialista.

"A oposição síria é muito heterogênea e engloba diferentes grupos, como sunitas, que estão lutando contra o ‘predomínio aluaíta e xiita’ e pelo rompimento das relações com o Irã e o Hezbollah xiita do Líbano, e os oposicionistas moderados, como cristãos e alauítas, que defendem a  democratização e reivindicações políticas. Os curdos estão agindo em seus próprios interesses lutando pela criação de seu próprio Estado independente", ressaltou Issaev.

Para o especialista, o governo sírio enfrenta não só mercenários, mas também "voluntários", ou seja, pessoas que estão lutando por razões ideológicas. Isaev cita a experiência do Afeganistão, quando as pessoas que lá combateram nos anos 1980 seguiam para lutar em outras regiões do mundo como a Bósnia ou Tchechênia.

De acordo com o especialista, os países vizinhos interessados em derrubar Assad e os países ocidentais desempenham um papel importante na formação de uma estrutura única da oposição síria. "Enquanto os grupos oposicionistas tiverem objetivos comuns, negociações são possíveis. As questões do patrocínio também ajudam a se unir", disse o especialista.

Ao mesmo tempo, Issaev apontou intensas disputas pela liderança da oposição, o que mostra que ela continua desunida.

"Vemos quão rápido os líderes da oposição se sucedem. O Catar e a Arábia Saudita lutaram entre si para colocar seu candidato à frente da oposição e formar um novo governo após uma suposta derrubada de Assad. A oposição está tentando se fazer passar por uma força unida oposta ao ditador, mas, na realidade, está completamente desunida. Acho que os grupos oposicionistas na Síria não conseguirão chegar a um acordo. Atuam, por vezes, como oposição unida por necessidade de agradar a seus patrocinadores, clientes e amigos", disse Isaev.

 

Publicado originalmente em russo pelo Moskóvski Komsomolets 

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