Brasileira ficará detida 3 dias na Rússia antes de nova audiência

Segundo os investigadores, o navio do Greenpeace foi retido em águas russas, enquanto a organização afirma que a embarcação encontrava-se em águas internacionais Foto: AP

Segundo os investigadores, o navio do Greenpeace foi retido em águas russas, enquanto a organização afirma que a embarcação encontrava-se em águas internacionais Foto: AP

Pré-julgamento de 30 ativistas do Greenpeace ainda em andamento na cidade de Murmansk, no norte da Rússia, determinou que gaúcha Ana Paula Alminhana Maciel, 31 anos, ficará detida por 72 horas até nova audiência.

Trinta ativistas do Greenpeace estão sendo submetidos a um pré-julgamento nesta quarta-feira (26) para definir se responderão em liberdade a acusações de pirataria depois de serem mantidos sob custódia dentro da embarcação Artic Sunrise durante todo o final de semana.

A brasileira Ana Paula Alminhana Maciel, 30, ficará sob custódia por 72 horas antes de nova audiência. Outros ativistas ficarão 2 meses detidos para investigação. Os motivos alegados para a detenção são que os ativistas "poderiam continuar suas atividades criminosas", "destruir evidências" e "fugir do país".

Na última sexta-feira (20) a embarcação do Greenpeace foi rendida por homens armados do Serviço de Proteção a Fronteiras da Rússia no Ártico. Dois dias antes, dois ativistas haviam tentado subir em uma plataforma da gigante estatal russa do gás e petróleo Gazprom, protestando contra os efeitos da exploração petrolífera na região.

A embarcação aportou na última segunda feira na cidade russa de Murmansk, escoltada pelo navio de guarda do Serviço de Proteção a Fronteiras da Rússia, e foi iniciado um processo criminal contra os ativistas por "pirataria", atividade que prevê penas de 10 a 15 anos de prisão.

Segundo os investigadores, o navio do Greenpeace foi retido em águas russas, enquanto a organização afirma que a embarcação encontrava-se em águas internacionais.

"Parecem muito suspeitas as intenções desse grupo de pessoas que se apresentam como membros de uma organização de proteção ao meio ambiente e tentam, com um grande número de equipamentos eletrônicos a bordo, invadir uma plataforma petrolífera com propósitos desconhecidos", declarou o porta-voz do Comitê de Investigação, Vladímir Markin.

Para ele, qualquer ato não autorizado realizado na plataforma poderia causar um acidente ou catástrofe ecológica, além de ser considerado uma invasão do território nacional.

"A detenção de um navio em águas internacionais dessa forma é ilegal. Não há motivos para justificar as medidas da guarda costeira ", explica Polina Malicheva, porta-voz do Greenpeace Rússia.

"A equipe da plataforma petrolífera foi avisada sobre o caráter pacífico da ação da ONG, que protestava contra a exploração de petróleo no Ártico."

A gaúcha Ana Paula Alminhana é acompanhada por policial russo no tribunal Foto: divulgação/Greenpeace

Muitos dos ativistas detidos não tinham visto de entrada na Federação Russa. Além deles, foi detido um fotojornalista freelancer russo.

Os resultados do pré-julgamento até o fechamento desta reportagem deram 72 horas sob custódia antes de nova audiência para a brasileira , a um cozinheiro ucraniano, ao holandês porta-voz do Greenpeace Faiza Oulahsen e ao porta-voz sueco do Greenpeace Dmitry Litvinov; além de dois meses de detenção para investigação por pirataria ao porta-voz russo o Greenpeace Roman Dolgov, ao ativista canadense Paul Douglas Ruzycki, ao membro da tripulação neozelandês David John Haussmann, ao mecânico neozelandês Jonathon Beauchamp, ao ativista polonês Tomasz Dziemianczuk, ao membro da tripulação francês Francesco Pisanu, ao capitão norte-americano Pete Willcox,  ao ativista suíço Marco Weber e ao ajudante de cozinheiro turco Gizhem Akhan.

Liberdade de imprensa

Um dos primeiros a ser sentenciados, o fotógrafo freelancer russo Denis Sinyakov, que ficará detido por 2 meses para investigação causou comoção.

"A atividade criminal da qual sou acusado chama-se jornalismo. Continuarei a executando", disse.

Alguns dos principais veículos de imprensa russos independentes declararam que não publicarão fotografias amanhã em protesto contra a detenção de Sinyakov. Entre eles, estão o Canal Dozhd, a Rádio Echo Moskvi, o jornal Novaya Gazeta, a agência Lenta.Ru e o site Svobôdnaia Pressa.

O fato dos tripulantes terem se aproximado da plataforma e realizado tentativas de desembarque já qualificaria crime, de acordo com o professor da Academia Diplomática do Ministério de Relações Exteriores da Rússia, Oleg Khlestov.

"O direito internacional prevê um limite de segurança de 500 metros em torno de objetos como as plataformas petrolíferas. Durante uma visita a uma instalação similar na Noruega, precisei de um convite oficial emitido pelas autoridades do país. A tentativa de desembarcar na plataforma é uma violação de todas as regras estabelecidas pelo Direito Internacional Marítimo, independentemente dos seus motivos", afirma. 

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