Os rumos da Rússia sob Pútin

Declaração sobre possível candidatura de Pútin em 2018 foi justificada por seu assessor como "retórica" Foto: RIA Nóvosti

Declaração sobre possível candidatura de Pútin em 2018 foi justificada por seu assessor como "retórica" Foto: RIA Nóvosti

Na semana passada, o 10° Fórum do Clube de Discussão Internacional “Valdai”, dedicado ao tema “A diversidade da Rússia para o mundo moderno”, chegou ao fim. No último dia do evento, o presidente russo Vladímir Pútin compartilhou as suas avaliações da situação na Síria e dos resultados das eleições regionais na Rússia e, pela primeira vez, reconheceu a possibilidade de participar das próximas eleições presidenciais.

Cerca de 200 especialistas e jornalistas da Rússia, EUA, Reino Unido, França, Alemanha e China participaram do encontro com o presidente, cujo discurso foi focado na identidade nacional russa. “É evidente que não podemos seguir em frente sem a autodeterminação espiritual, cultural e nacional. Caso contrário, não seremos capazes de resistir aos desafios externos e internos, não vamos conseguir alcançar o sucesso em meio às condições da concorrência global”, declarou Pútin.

Eleições e protestos

Os membros da oposição questionaram Pútin sobre o destino dos envolvidos no processo criminal instaurado em maio do ano passado, após os protestos em massa em Moscou. O chefe de Estado disse não excluir a possibilidade de anistia para tais pessoas, “mas somente quando todos os processos judiciais e investigativos forem concluídos”.

Ele também admitiu a possível ocorrência de irregularidades nas eleições de 8 de setembro em algumas regiões, embora tenha afirmado que as votações em Moscou transcorreram sem quaisquer problemas.

Além disso, Pútin chegou a assumir que tem intenção de ser presidente mesmo após 2018. “Eu não descarto [a possibilidade de reeleição]”, respondeu o presidente ao ministro francês François Fillon. Mais tarde, o assessor de imprensa do Kremlin, Dmítri Peskov, classificou essa resposta como simples “retórica”. Mas os analistas políticos não duvidaram dos planos de Pútin. “Acho que essa variante está realmente sendo analisada. Eu não assimilei isso como uma brincadeira”, disse o observador Evguêni Mintchenko.

Síria e o Ocidente

Quanto às perspectivas de Damasco abdicar das armas químicas, Pútin observou que “até agora, pelo que parece, a Síria aceitou a proposta e está disposta a agir conforme o plano”.

“A toda hora estamos falando da responsabilidade do governo de Assad, no caso dele ter utilizado [as armas químicas]. E se quem utilizou foi a oposição? Ninguém diz o que faremos com a oposição. Mas essa, também não é uma questão desprezível. Existem muitas razões para crer que se trata de uma provocação”, ressaltou o presidente russo ao comentar sobre as divergências entre a Rússia e o Ocidente nessa questão.

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