Avança acordo russo-americano sobre a Síria

A segurança à volta dos locais onde serão realizados trabalhos para a destruição das armas químicas sírias será mantida tanto por militares russos quanto americanos e europeus Foto: AP

A segurança à volta dos locais onde serão realizados trabalhos para a destruição das armas químicas sírias será mantida tanto por militares russos quanto americanos e europeus Foto: AP

Após governo sírio entregar lista de armas químicas na sexta-feira passada (21), autoridades internacionais bolam esquema de segurança para destruir o respectivo arsenal. Apesar do primeiro objetivo ter sido alcançado, ainda restam divergências em torno do relatório que aborda o ataque químico ocorrido em agosto passado.

O presidente sírio Bashar al-Assad confirmou que o país aceita destruir seu arsenal de armas químicas, conforme o entendimento russo-norte-americano alcançado em Genebra, mas afirmou que será necessário obter ajuda para tal. Fato é que a segurança do processo de destruição das armas químicas sírias é um aspecto delicada da iniciativa russo-americana. Para a oposição irreconciliável comandada pela Al Qaeda, o fracasso do acordo de Genebra ou, pelo menos, sua descredibilização, pode ser a última chance na luta pela Síria.

Neste sábado (21), o governo sírio já entrou a lista de armas químicas à Organização para a Proibição das Armas Químicas (OPAQ), segundo a própria organização, dando o primeiro passo para colocar em prática o acordo entre russos e americanos.

Paralelamente, os altos oficiais russos estão mantendo consultas sobre o número de efetivos a serem enviados à Síria para ajudar o governo local a retirar e a destruir seguramente suas armas químicas. Supõe-se que o grupo inclua especialistas em proteção radiológica, química e biológica das Forças Armadas russas. Também é possível que a Rússia envie uma brigada de forças especiais ao local da operação. Como a operação deve envolver contingentes de tropas de outros países, o número total de militares pode chegar a 10 mil.

Essas medidas estão de acordo com a declaração do ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguêi Lavrov, feita depois de um recente encontro com seu homólogo francês, Laurent Fabius. De acordo com o ministro russo, “são necessários passos adicionais para garantir a presença internacional no  local de armazenamento de armas a ser definido pelos peritos após a primeira fase de seu trabalho. A Rússia está disposta a participar de  atividades para garantir a segurança à volta dos locais onde os peritos irão realizar seus trabalhos”.

A Síria, por sua vez, aceitou que a Rússia participe das atividades de segurança nas regiões onde os inspetores internacionais irão atuar, mesmo porque o governo local entende que a destruição de suas armas químicas deve ser executada em cooperação com a OPAQ (Organização para a Proibição de Armas Químicas).

A segurança à volta dos locais onde serão realizados trabalhos para a destruição das armas químicas sírias será mantida tanto por militares russos quanto americanos e europeus, nomeadamente da França e do Reino Unido, a fim de diminuir o risco de eventuais provocações por parte da oposição local.

No entanto, a discussões na ONU em torno do relatório apresentado por um grupo de especialistas internacionais acerca do uso de armas químicas nos arredores de Damasco em agosto passado. O governo de Moscou é contra esse documento ser interpretado como prova de culpa do governo sírio, tese defendida pelos EUA e seus aliados, já que o próprio relatório afirma que muitas das provas coletadas não são fidedignas. “Durante o tempo que os inspetores passaram nessas regiões, pessoas trouxeram munições suspeitas, o que mostra que tais provas potenciais poderiam ter sido manipuladas ou deslocadas”, ressaltam os autores. 

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