Síria será tema central da futura Assembleia Geral da ONU

Conflito na Síria, que já se estende há mais dois anos, ocupará pauta principal da reunião da ONU Foto: Getty Images/Fotobank

Conflito na Síria, que já se estende há mais dois anos, ocupará pauta principal da reunião da ONU Foto: Getty Images/Fotobank

Reunião deve ser o prelúdio da conferência de paz para a Síria "Genebra 2", esperada desde maio.

John Ash abre hoje a 68ª sessão da Assembleia Geral da ONU, com o habitual martelo. O objetivo fundamental desta sessão é analisar mais de 160 questões, desde a regulação de conflitos regionais e problemas ligados ao desarmamento nuclear até a recuperação de valores culturais.

Não é segredo para ninguém que a grande sala de East River, em Nova York, será palco de acaloradas discussões políticas que, este ano, decorrerão de 24 de setembro a 1 de outubro. Espera-se a participação de presidentes de 70 países e 42 vice-presidentes e primeiros-ministros. Ash conta reunir sob as bandeiras do mundo, se não todos, pelo menos a maioria dos membros da ONU.

A prioridade será reforçar a organização tanto no que diz respeito à reação coletiva aos perigos dos nossos dias, como à prevenção dos mesmos. O alvo das atenções será o Oriente Médio, sobretudo, a situação na Síria, onde se assiste, desde há dois anos e meio, a violentos confrontos entre as forças governamentais e grupos rebeldes de toda a espécie. Segundo dados da ONU, o conflito fez mais de 110 mil mortos e obrigou cerca de 2 milhões de sírios a se tornarem refugiados.

Tendo em vista a tensão das contradições ente a Rússia e os EUA no que diz respeito à resolução da crise síria, é bem provável que o tema seja discutido em um encontro paralelo organizado pelo Conselho de Segurança. Segundo uma fonte da Gazeta Russa junto da representação permanente da Rússia na ONU, a reunião deverá ser um prelúdio da conferência de paz para a Síria “Genebra 2”, esperada desde maio, esperada desde maio. Para Moscou, não se justifica qualquer intervenção estrangeira na Síria nem compete à comunidade internacional dizer que governos devem estar à frente deste ou daquele país.

Pútin afirmou que a Rússia só tomará uma posição de princípio quando estiver na posse de dados objetivos sobre quem utilizou armas químicas. “Só ficaremos convencidos após uma análise objetiva e profunda que conduza a provas evidentes de quem foi e que meios usou. Depois disso, estaremos prontos a agir de modo mais decidido e sério”, destacou o presidente russo.

As provas devem ser entregues ao Conselho de Segurança da ONU. “As provas não devem partir de rumores nem de informações fornecidas pelos serviços especiais provenientes de escutas e coisas do mesmo género”, esclareceu Pútin. Até nos EUA há especialistas que não excluem a possibilidade de ter se tratado de uma provocação conduzida pela oposição síria “na tentativa de dar a seus protetores uma justificação para a intervenção armada”.

O Kremlin declarou mais de uma vez que defende não o presidente da Síria, Bashar al-Assad, mas “as normas e os princípios do direito internacional, a ordem e a paz no mundo contemporâneo”, os quais exigem que os problemas decorrentes do emprego da força sejam resolvidos exclusivamente no âmbito do Conselho de Segurança da ONU. Caso contrário, “surgirá o receio de que se recorra a soluções ilegítimas contra um qualquer país e sob os mais diversos pretextos”, realçou Pútin.

A mesma linha de ideias foi defendida em conversa com Gazeta Russa por Mikhail Marguelov, representante especial do presidente da Federação da Rússia para o Oriente Médio e presidente do Comitê para Assuntos Internacionais do Conselho da Federação, que, como sempre, fará parte da delegação russa na Assembleia Geral.

“No seu tempo, a mentira sobre a existência de armas de extermínio maciço nos arsenais de Saddam Hussain serviu de pretexto para a operação norte-americana no Iraque. Agora, com os mesmos fundamentos falaciosos, prepara-se uma operação de três meses contra a Síria. Diga-se, a propósito, que em violação das leis internacionais. O cerne da política externa russa é o respeito a essas normas, no quadro das quais é inaceitável o emprego da força militar sem o aval do Conselho de Segurança da ONU”, afirmou o político.  “Nenhuma das intervenções dos EUA, seja no Iraque ou no Afeganistão, levou a paz ou a democracia aos países que delas foram alvo.”

A visão russa da solução dos problemas internacionais será exposta na sessão por Serguêi Lavrov, ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia. Falando para os representantes dos 193 países-membros da ONU, Lavrov deverá repetir suas declarações sobre o papel da organização internacional na resolução de problemas internacionais. “O funcionamento tranquilo e disciplinado da ONU, como o mais amplo espaço de diálogo, é como uma ‘vacina a longo prazo contra o vírus da anarquia’ nas relações internacionais”, disse recentemente o ministro.

Todos os direitos reservados por Rossiyskaya Gazeta.