Snowden não teria seguido para Cuba por pressão dos EUA

EUA ameaçou diversos países, inclusive Cuba, caso prestassem socorro ao ex-consultor da CIA Foto: Reuters

EUA ameaçou diversos países, inclusive Cuba, caso prestassem socorro ao ex-consultor da CIA Foto: Reuters

Os meios de comunicação tomaram conhecimento dos pormenores da viagem de Snowden de Hong Kong para Moscou, bem como da razão pela qual este ficou retido em Cheremetievo.

Segundo o jornal “Kommersant”, Snowden entrou em contato com representantes da Rússia antes mesmo de adentrar o avião em Hong Kong com destino a Moscou. Por força das circunstâncias, o ex-consultor da CIA mudou os planos, pois Cuba ameaçou, sob a pressão dos EUA, negar a aterrissagem ao avião da Aeroflot, caso Snowden estivesse a bordo.

Antes de partir de Hong Kong a Moscou no dia 23 de junho, o fugitivo passou alguns dias no consulado russo dessa região administrativa da China. Essa informação foi confirmada por outra fonte em um dos países ocidentais, segundo a qual “os russos convidaram Snowden, e transmitiram o convite através dos chineses, que ficaram contentes por se livrar do problema”.

Outra fonte confirmou que Snowden passou dois dias no consulado, mas não foi convidado por ninguém. Ele teria contatado o consulado russo por conta própria e comunicado que pretendia pedir asilo num dos países da América Latina, apresentando a passagem aérea para o voo da Aeroflot com destino a Havana via Moscou. O foragido declarou que corria perigo de vida e pediu ajuda, evocando o Direito Internacional dos Refugiados.

Porém, o fato de a Rússia ter tomado a decisão de ajudar Snowden não contradiz em nada a declaração de Pútin sobre a estadia do americano em Moscou. “Tanto o seu pedido de ajuda como a sua escolha do itinerário foram para nós absolutamente inesperados. Não o convidamos”, garantiu o presidente. 

A mesma fonte do “Kommersant” informou que as estruturas estatais russas tinham a certeza de que Snowden, após a sua chegada a Cheremetievo em 23 de junho, partiria depois de 22 horas para Havana. O seu destino final devia ter sido o Equador, ou, segundo outros dados, a Bolívia. No entanto, no dia 24 de junho, o assento 17A  reservado para Snowden permaneceu vazio. 

As autoridades de Cuba, pressionadas pelos EUA, informaram Moscou que não autorizariam a aterrissagem em Havana do avião caso Snowden estivesse a bordo. O entrevistado pelo jornal confirmou que Cuba realmente fazia parte da lista dos Estados cujas autoridades receberam o aviso feito pelos EUA sobre “as consequências indesejadas” de qualquer ajuda prestada a Snowden.

Mais tarde, Pútin constatou que os EUA, “de fato, bloquearam o seguimento da viagem” de Snowden, “amedrontando os países” pelos quais ele poderia chegar à América Latina.

 

Publicado originalmente pelo Kommersant

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