Cinco anos depois da guerra na Ossétia do Sul

Os moradores de Tskhinvali dizem que a principal conquista dos últimos cincos anos foi a capacidade de dormir em paz, sem medo de uma nova guerra Foto: Reuters

Os moradores de Tskhinvali dizem que a principal conquista dos últimos cincos anos foi a capacidade de dormir em paz, sem medo de uma nova guerra Foto: Reuters

Intervenção russa no conflito com a Geórgia é avaliada pelas autoridades atuais.

Em 8 de agosto de 2008, as tropas da Geórgia invadiram a Ossétia do Sul. Naquele dia, a capital Tskhinval e a base das forças de paz russas foram submetidas a um intenso bombardeio. Centenas de civis se tornaram vítimas, assim como integrantes das forças de paz.

Depois de algumas horas, as tropas russas foram transferidas para a Ossétia do Sul e expulsaram o exército da Geórgia da região. Cinco dias depois, os presidentes da Ossétia do Sul e da Geórgia, Eduard Kokoiti e Mikhail Saakashvili, aceitaram os termos para o término do conflito propostos pelos líderes da Rússia e da França na época, Dmítri Medvedev e Nicolas Sarkozy.

Hoje em dia, a liderança da Geórgia ajustou a sua antiga atitude intransigente. Mas Tbilisi continua não reconhecendo a independência da Abecásia e da Ossétia do Sul, e as tropas russas que permanecem no território dos Estados recém-constituídos são chamadas, pelo lado georgiano, de tropas de ocupação.

A nova coalizão governista, “Sonho Georgiano”, liderada pelo primeiro-ministro Bidzina Ivanishvili, deposita uma parte significativa da responsabilidade pelas ações que levaram ao derramamento de sangue, em 2008, no presidente do país, Mikhail Saakashvili.

Paata Zakareishvili, ministro da Reintegração do Estado da Geórgia, garantiu à agência de notícias RIA Nóvosti que a guerra poderia ter sido evitada. “As autoridades não foram capazes de contornar esse conflito. Na época, a Rússia havia enviado as assim chamadas mensagens ao presidente Mikhail Saakashvili, que diziam que ela não estava interessada na Ossétia do Sul, mas no fim das contas, aconteceu ao contrário”, diz o ministro. “Embriagado pelo desejo de se apossar dos territórios, Saakashvili foi vítima de um engano e caiu nessa armadilha”, acrescenta Zakareishvili.

Reconhecimento internacional

Na Ossétia do Sul, os eventos de 2008 são considerados como a parte final de sua luta pela independência da Geórgia, que se prolongava desde 1989. “Até nos intervalos entre as operações militares declaradas, as forças especiais georgianas realizavam atos terroristas, os civis eram sequestrados, submetidos à tortura e mortos. Tskhinval e os distritos da República eram vítimas de bombardeios periodicamente”, descreveu David Sanakoev, ministro dos Negócios Estrangeiros da República da Ossétia do Sul, à RIA Nóvosti.

As organizações internacionais, juntamente com o presidente georgiano Mikhail Saakashvili, também são responsáveis pela guerra de 2008. Depois de 2004, quando se tornou visível a tendência das autoridades georgianas de resolver o conflito pelo emprego da força, a Ossétia do Sul era regularmente visitada por representantes de organizações internacionais de direitos humanos, da UE e do Conselho da Europa.

“No território da Ossétia do Sul também havia uma missão da OSCE [Organização para a Segurança e Cooperação na Europa]. Todos eles foram repetidamente alertados sobre as iminentes hostilidades, mas fecharam os olhos e, assim, contribuíram para que a Geórgia desencadeasse a guerra em agosto de 2008”, disse Sanakoev.

Mesmo assim, o ministro acredita que a independência da Ossétia do Sul “valeu as perdas e os esforços do povo, após 20 anos de luta pela liberdade e oportunidade de assumir o controle do próprio futuro”.

Missão da paz

Cinco anos depois, os russos veem o conflito como consequência da “política chauvinista de Tbilisi” em relação às minorias étnicas. Na época, os dirigentes russos não tinham outra escolha a não ser proteger a população da Ossétia do Sul.

“Isso não foi uma guerra entre os países e, muito menos, uma guerra entre o povo da Rússia e o povo georgiano. Essa foi uma operação coercitiva para o estabelecimento da paz. Ela tinha objetivos absolutamente locais. Devíamos desarmar o adversário até um ponto em que ele parasse de matar pessoas”, revelou Dmítri Medvedev, atual primeiro-ministro, que ocupava o cargo de presidente em 2008, ao canal “Rússia Today” na semana passada.

As autoridades alegam que Moscou não planejava substituir o regime político na Geórgia pelo uso da força militar. “Na qualidade de Comandante Supremo, eu nunca dei a instrução de entrar em Tbilisi, substituir o regime político e executar Saakashvili. O seu destino pessoal nunca suscitou o meu interesse. Eu sempre acreditei que esse destino seria definido pelo povo da Geórgia”, completou Medvedev.

 

Publicado originalmente pela agência RIA Nóvosti

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