Gazprom assina acordo de US$ 130 milhões com Bolívia

Executivos da Gazprom e da Total firmaram um acordo com o presidente da Bolívia, Evo Morales Foto: YPFB

Executivos da Gazprom e da Total firmaram um acordo com o presidente da Bolívia, Evo Morales Foto: YPFB

Petrolífera russa e a empresa francesa Total assinaram contrato com a estatal boliviana Yacimentos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB) para exploração de gás

Na semana passada, as petrolíferas boliviana YPFB, russa Gazprom e francesa Total assinaram um contrato para exploração do bloco Azero, que tem uma superfície total de 785.623 hectares e está localizada entre Santa Cruz e Chuquisaca, na Bolívia. O acordo foi assinado entre o presidente da YPFB, Carlos Villegas, o diretor-geral de exploração e produção da petrolífera estatal russa Gazprom, Vladímir Burdakov, e o diretor-geral da Total E&P Bolivie, José Ignacio Sanz. 

O evento ocorreu no Palácio de Governo da Bolívia e contou com a presença do presidente boliviano Evo Morales e do ministro de Hidrocarbonetos, Juan José Sosa. “O fato de a Rússia e a Gazprom estarem presentes na exploração e extração de gás na Bolívia é uma satisfação e um avanço profundo para o povo local. Vamos continuar a melhorar a economia nacional”, declarou o presidente boliviano.

“São mais de 700 mil hectares nesse bloco; geologicamente é uma área com grande potencial para encontrar hidrocarbonetos”, disse Sosa. ”No caso da descoberta comercial positiva nessa área, o governo imediatamente criará uma sociedade anônima entre os parceiros e a YPFB que será responsável pela extração e produção de gás”, completou o ministro.

A delegação da Gazprom foi encabeçada pelo vice-diretor de operações, Roman Kuznetsov, que declarou que esse projeto é o resultado da cooperação entre os dois países. “É uma grande honra que o primeiro contrato foi assinado no Palácio de Governo com a presença do presidente Evo Morales. A Bolívia é um dos países mais atraentes para a realização e desenvolvimento de projetos de gás”, disse Kuznetsov.

Porém, de acordo com a analista do banco de investimentos VTB Capital, Ekaterina Ródina, os investimentos da Gazprom na Bolívia são insignificantes. "Os investimentos anuais da Gazprom ultrapassam US$ 40 bilhões. Os US$ 130 milhões que foram destinados à exploração na Bolívia é um valor irrisório para a empresa tão grande", diz Ródina. "Quase todos os investimentos das petrolíferas no exterior são infrutíferos", completa.

O contrato assinado em La Paz prevê ainda que a petrolífera estatal russa Rosneft se junte à Gazprom para realizar a exploração de petróleo no local. Isso deve ampliar a área de influência do gigante russo, que já está presente no Brasil, México, Venezuela e Peru. "As empresas estatais russas que trabalham no exterior representam os interesses de todo o país e a concorrência pode se tornar um obstáculo. No entanto, não estamos falando sobre a fusão das duas empresas em uma só", explica Ródina.

Relações bilaterais

A assinatura do presente acordo havia sido antecipada durante o encontro entre o presidente da Bolívia Evo Morales e seu homólogo russo Vladímir Pútin na véspera da cúpula do Fórum de Países Exportadores de Gás (FPEG), realizada em Moscou no dia 2 de julho.

“É a primeira vez que um país tão grande como a Rússia convida a uma reunião bilateral, fiquei surpreso”, declarou o presidente da Bolívia Evo Morales na véspera da sua viagem a Moscou para participar na cúpula do FPEG.

O Fórum de Países Exportadores de Gás (FPEG) foi realizado pela primeira vez em 2001, no Teerã. Trata-se de uma organização internacional que reúne treze dos principais produtores de gás de todo o mundo (que representam mais 60% das reservas mundiais) com objetivo de promover uma estratégia comum para a comercialização dessa fonte de energia não renovável. Entre os membros do grupo estão a Rússia, Bolívia, Venezuela, Argélia, Irã e Líbia.

Depois da descoberta de vastas reservas de gás de xisto nos Estados Unidos, os países participantes da cúpula do FPEG falaram sobre a necessidade de relacionar os preços de gás e de petróleo, bem como assinar mais contratos de exportação a longo prazo para garantir a estabilidade do mercado internacional.           

Os presidentes da Rússia e Bolívia confirmaram que a exploração de gás é a base das relações entre os dois países. Morales declarou que a Bolívia está interessada em presença da Rússia na exploração dos recursos nacionais bolivianos, primeiramente no desenvolvimento das jazidas de gás, que contêm mais de 11,2 bilhões de pés cúbicos.

Além de corporação na área de hidrocarbonetos, o acordo bilateral entre Morales e Pútin assinado em Moscou inclui a compra pelo governo boliviano de dois helicópteros russos Mi-17 para a luta contra o tráfico de drogas e o aumento das vagas para estudantes bolivianos na Rússia.

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