Reunião EUA-Rússia não traz esperança de paz à Síria

Serguêi Lavrov (esq.) e John Kerry (dir.) Foto: AP

Serguêi Lavrov (esq.) e John Kerry (dir.) Foto: AP

O chanceler russo, Serguêi Lavrov, e o Secretário de Estado dos EUA, John Kerry, discutiram mais uma vez alguns pontos-chave das relações bilaterais, mas não chegaram a um consenso.

O chanceler russo Serguêi Lavrov encontrou-se novamente com o Secretário de Estado dos EUA, John Kerry, em meio a reunião de Ministros da Cúpula dos países do Leste Asiático, em Brunei, no início deste mês. Embora seja o sétimo encontro das duas autoridades desde que Kerry assumiu o cargo em fevereiro passado, a reunião foi novamente marcada pelo debate em torno da questão síria.

No entanto, se antes os chefes da diplomacia dos dois países expressavam algum otimismo em relação às perspectivas de uma solução diplomática do conflito, a situação mudou de vez diante das dificuldades para a preparação de uma segunda Conferência Internacional sobre a Síria. Até agora não foi possível chegar a um acordo sobre a data da chamada “Genebra 2” nem sobre a composição dos participantes.

Ao final das conversações com Kerry, Lavrov informou que os americanos não rejeitam as tentativas de “conseguir a consolidação da oposição Síria na base do Comunicado de Genebra”. Mas, de acordo com uma fonte próxima à delegação russa, “já não têm intenções de realizar a conferência”. Prova disso é a decisão de Washington de começar a abastecer a oposição síria com armamentos. “A Arábia Saudita também se opõe à Genebra 2”, explicou a fonte. “Agora está acontecendo um jogo diplomático sobre a questão de quem será o primeiro a anunciar publicamente o fracasso da iniciativa”.

A expectativa é que o segundo assunto para discussão na reunião de  Lavrov e Kerry seria o escândalo em torno do ex-consultor da CIA, Edward Snowden. Logo no início das negociações, uma jornalista do “The Washington Post” perguntou inclusive sobre a possibilidade de concessão de asilo político para Snowden pela Rússia. “Não grite comigo”, respondeu o ministro russo explicitamente irritado. “Não abordamos esse assunto. O nosso presidente já disse tudo. Eles [os americanos] entendem isso”, declarou Lavrov após a reunião.

A recente iniciativa de Barack Obama de elevar o nível de confiança entre os EUA e a Rússia por meio de uma radical redução dos arsenais nucleares dos dois países também foi motivo de especulação da imprensa. O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros, Serguêi Riabkov, havia declarado que Moscou pretendia analisar a proposta de Washington.

De acordo com a declaração de uma fonte diplomática russa ao jornal “Kommersant”, a iniciativa de Obama possui um caráter dissimulado, “considerando que os EUA estão desenvolvendo  paralelamente outros tipos de armamentos, não querem ratificar o Tratado de Proibição Total dos Testes Nucleares e estão discutindo a possibilidade de alocação de armas no espaço”. Ao que tudo indica, parece que as autoridades russas definiram a sua posição para a recente reunião, rejeitando a proposta de Obama.

Publicado originalmente pelo Kommersant

Todos os direitos reservados por Rossiyskaya Gazeta.