Snowden aguarda em Moscou resposta sobre asilo político no Equador

Snowden é procurado pelo governo norte-americano por divulgar informações secretas sobre programa para acessar conversas telefônicas e por internet Foto: Reuters

Snowden é procurado pelo governo norte-americano por divulgar informações secretas sobre programa para acessar conversas telefônicas e por internet Foto: Reuters

Ex-consultor da CIA procurado pelo governo americano não deixará aeroporto moscovita antes de obter visto das autoridades equatorianas. Apesar de solicitarem extradição de Snowden, autoridades norte-americanas agem com cautela para não danificar ainda mais as relações Rússia-EUA.

Mais um voo da Aeroflot para Havana vai partir nesta quinta-feira (26), mas a grande dúvida é se levará a bordo o ex-consultor da CIA Edward Snowden. O que não faltam são hipóteses de toda a espécie a esse respeito pela internet.

Uma das versões diz que Snowden teria recebido o visto de trânsito na Rússia e já deixado o aeroporto moscovita de Cheremetievo. Outros afirmam que o fugitivo norte-americano estaria com o passaporte cancelado e simplesmente não pode comprar uma nova passagem aérea, razão pela qual está aguardando uma carteira de identidade de refugiado do Equador.

Por enquanto, sabe-se apenas que o escândalo em torno de Snowden está intensificando a tensão nas relações russo-americanas.

A agência de notícias russa RIA Nóvosti alega que Snowden poderia ter obtido o visto de trânsito na Rússia válido por três dias. “Passageiros em trânsito com as passagens válidas para a continuação da viagem e  documentos necessários à entrada em um país terceiro podem obter um visto de trânsito russo. Se Snowden tem esses documentos, ele tem o direito de solicitar o visto de trânsito diretamente a um posto consular no aeroporto e poderia ter feito isso”, informou à agência uma fonte familiarizada com a situação.

Snowden reservou duas vezes passagens Moscou-Havana na última segunda e terça-feira, mas em ambos os casos o norte-americano não esteva a bordo das aeronaves.

Um representante do WikiLeaks empenhado em prestar aconselhamento jurídico a Snowden havia dito que o foragido poderia entrar em um país terceiro com a carteira de refugiado emitida pelas autoridades equatorianas. No entanto, não se sabe até agora se ele recebeu a carteira de refugiado nem quanto tempo levará para o Equador decidir sobre a concessão do asilo político. “Levamos dois meses para decidir sobre o caso de Assange. Por isso, não esperem que, dessa vez, seremos mais rápidos”, disse o ministro das Relações Exteriores do Equador, Ricardo Patiño, citado pela agência Associated Press.

“O cancelamento do passaporte de Snowden e a política de intimidação dos países mediadores podem detê-lo na Rússia para sempre”, diz um comunicado do WikiLeaks publicado no Twitter. 

Mais um nó

A situação em torno do ex-consultor da CIA pode ter um impacto negativo sobre os laços entre os EUA e a Rússia se ele ficar por mais tempo em Moscou. “Não descarto a hipótese de ele demorar aqui por razões políticas. Se isso acontecer, será, naturalmente, uma farpa nas relações russo-americanas”, diz o conselheiro para Política Externa e Defesa, Fiódor Lukianov.

Já o presidente da Comissão para Assuntos Internacionais da Duma de Estado (câmara baixa do Parlamento russo), Aleksêi Puchkov, acredita que as ameaças lançadas pelos EUA contra a Rússia e a China por causa do caso Edward Snowden não terão nenhum resultado; pelo contrário, contribuirão para uma maior aproximação entre a Rússia e a China.

O presidente Vladímir Putin confirmou que Snowden chegou a Moscou como passageiro em trânsito e não cruzara a fronteira da Rússia. Pútin também disse que os serviços secretos russos não estavam em contato com Snowden e que, quanto mais rápido ele escolhesse o destino de sua viagem, melhor seria para a Rússia e para ele. Por fim, acrescentou que a Rússia só pode extraditar cidadãos estrangeiros para os países com os quais tem acordos do gênero fechados.

Washington continua insistindo na extradição de Snowden, justificando que os EUA extraditaram para a Rússia centenas de criminosos russos. Enquanto o Departamento de Estado tenta se conter em suas declarações, alguns políticos norte-americanos, como o senador republicano John McCain, dizem que o “reinício das relações bilaterais pode ser comprometido”.

Mas nem todos os analistas políticos estão tão pessimistas. Em um artigo publicado pelo jornal moscovita “Moskovski Komsomolets”, o cientista político Melor Sturua, do Centro Carnegie, afirma que os EUA estão interessados ​​na Rússia e, portanto, evitam criticar duramente Moscou. “Basta proferir três palavras para ter certeza disso: Síria, Irã, Afeganistão. Como diz um colega da Carnegie, precisamos  mais de uma cooperação com a Rússia do que os russos”, completa o observador.

 

Com materiais da RIA Nóvosti, Kommersant e Moskóvski Komsomolets

Todos os direitos reservados por Rossiyskaya Gazeta.