Questões fiscais estarão no centro das discussões da cúpula do G20

A troca de informações entre os órgãos fiscais e o combate aos “offshores” serão questões-chave  das discussões na reunião de cúpula do G20, em São Petersburgo, em setembro Foto: RIA Nóvosti / Grigóri Sissoev

A troca de informações entre os órgãos fiscais e o combate aos “offshores” serão questões-chave das discussões na reunião de cúpula do G20, em São Petersburgo, em setembro Foto: RIA Nóvosti / Grigóri Sissoev

Relatório sobre a elaboração de uma política conjunta que dificulte a evasão de divisas e a sonegação de impostos por meios legais, através dos “offshores”, será redigido após a reunião dos ministros das finanças do G20.

A troca de informações entre os órgãos fiscais e o combate aos “offshores” serão questões-chave  das discussões na reunião de cúpula do G20, em São Petersburgo, em setembro. Será a primeira vez que os temas fiscais serão incluídos na agenda da  reunião dos líderes do grupo.

No último dia 10, em uma coletiva de imprensa sobre os resultados do primeiro semestre da presidência de Moscou do grupo que reúne as 19 maiores economias do mundo mais a União Europeia, Ksenia Iudáeva, chefe do Conselho Consultivo do presidente da Federação Russa e “sherpa” russa (emissária do governo) no G20, informou  que os líderes do grupo planejam discutir duas iniciativas na esfera fiscal.

As propostas para a troca automática de informações entre os órgãos fiscais serão apresentadas pela OCDE (Organização para a Cooperação Econômica e Desenvolvimento). E o relatório sobre a elaboração de uma política conjunta que dificulte a evasão de divisas e a sonegação de impostos por meios legais, através dos “offshores”, será redigido após a reunião dos ministros das finanças do G20.

"Em muitos países, especialmente na Europa, ocorreram vários escândalos relacionados à sonegação de impostos”, enfatizou Iudáeva. “Eles envolvem grandes empresários, políticos e empresas. O G20 irá discutir esse assunto em uma reunião separada e tomar decisões em relação a ele.”

Indagada sobre quais outras questões deverão ser abordadas na cúpula, Iudáeva disse: "Serão discutidos os resultados do nosso trabalho na esfera do combate à corrupção.”

A emissária do governo lembrou que foi desenvolvido um plano de ação bianual nessa área bastante delicada ainda no ano passado.

"Para este ano, estamos preparando um relatório sobre o seu cumprimento”, disse.  “Além disso, serão analisadas iniciativas da  Rússia nesse campo. Por exemplo, a luta contra a corrupção durante a realização de eventos esportivos internacionais de grande porte,  durante a realização de privatizações etc.”

O vice-ministro das Finanças da Rússia, Serguêi Storchak, acrescentou que juntamente com o trabalho de elaboração da agenda da reunião de setembro, foi desenvolvido um projeto para as atividades do G20 em 2014, quando a presidência passará a ser da Austrália. Na sua opinião, em São Petersburgo, será possível resolver o problema do financiamento de investimentos sem a utilização de recursos de bancos, o que permitirá evitar uma repetição da crise financeira global de 2008.

"Nos últimos anos, os bancos foram as principais fontes de recursos para a concretização do financiamento de projetos em todos os setores da economia", destacou Storchak.

“Como resultado, o setor financeiro desprendeu-se da vida real e passou a dominar a economia. As opiniões da maioria dos membros do G20 convergem em relação à solução para este problema.”

"Existe um consenso da inevitabilidade do impasse caso futuramente continuarmos a nos apoiar exclusivamente sobre os financiamentos bancários", completou Storchak.

Ele lembrou que a Rússia anunciou uma busca por fontes alternativas de investimento, a questão-chave durante a sua presidência do G20.

Bancos privados

Além disso, os líderes do G20 devem por um ponto final na discussão sobre o apoio aos bancos privados.

"Ninguém mais pretende, à custa dos orçamentos nacionais, salvar instituições financeiras privadas que assumiram os riscos dos refinanciamentos a mutuários não confiáveis, acumularam ativos problemáticos e pedem aos governos volumes incríveis de ajuda financeira",  disse Storchak.

Na reunião realizada recentemente, já havia unanimidade absoluta em relação à essa questão entre vice-ministros das Finanças.

Civil 20

Em 13 de junho, foi realizada em Moscou a conferência Civil 20. De acordo com Iudáeva, a Rússia é o primeiro país-presidente a realizar esse tipo de fórum.

Mais de 350 pessoas, incluindo representantes da sociedade civil, organizações internacionais, empresas e a mídia, bem como funcionários, participaram do evento.

Por trás da ação estão sete subgrupos de trabalho nos quais foram desenvolvidas  propostas em áreas como energia e desenvolvimento ecologicamente sustentáveis, combate à corrupção, questões da arquitetura financeira internacional, questões sobre trabalho e emprego, acessibilidade dos serviços financeiros e alfabetização financeira e segurança alimentar. Em conformidade com as recomendações da Civil 20, poderão ser introduzidas alterações significativas no comunicado final dos líderes do G20.

Estão na fila as seguintes Cúpulas: Juventude do Grupo dos Vinte (Youth-20), Negócios do Grupo dos Vinte (Business-20), Sindicato do Grupo dos Vinte (Labour-20) e “Pesquisa do Grupo dos Vinte (Think-20). 

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