Israel assente com o envio de tropas russas às Colinas de Golã

Autoridades israelenses apoiam o envio de forças de paz russas para as Colinas de Golã, substituindoas forças austríacas Foto: AP

Autoridades israelenses apoiam o envio de forças de paz russas para as Colinas de Golã, substituindoas forças austríacas Foto: AP

Israel não se opõe ao envio de soldados russos a sua fronteira com a Síria. De acordo com especialistas, é possível alterar com facilidade a norma de 40 anos que proíbe que membros do Conselho de Segurança enviem forças de paz para a região. Mas essa ideia ainda não tem apoio no gabinete do Secretário-Geral da ONU.

Na última segunda-feira (10), a vice-ministra do Interior de Israel, Faina Kirshenbaum,em visita a Moscou, declarou que as autoridades israelenses apoiam o envio de forças de paz russas para as Colinas de Golã, substituindoas forças austríacas.

"Ouvimos que alguns países decidiram retirar suas forças de paz depois de alguns integrantes serem feridos. Lamentamos muito, apesar de haver um acordo de que as forças de paz permaneceriam lá. Se o presidente Putin decidiu enviar suas forças de paz, então não creio que Israel irá se opor. Queremos alguém constantemente lá para  acompanhar a situação", disse Kirschenbaum à rádio “Eco de Moscou".

A Síria, por sua vez, deverá saudar o envio das forças de paz russas. No dia 7 de junho, o deputado do parlamento sírio Sharif Shahada expressou esse sentimento à agência RIA “Novosti”. Não há tropas russas no Oriente Médio desde o fim de 2006, quando o contingente das forças de paz se retirou do vizinho Líbano.

O representante oficial da ONU Martin Nesirki negou anteriormente que Moscou pudesse enviar suas forças a Golã. Segundo ele, pelas regras existentes, as forças de paz dos países membros permanentes do Conselho de Segurança não poderiam estar presentes nesse território.

Posteriormente, o presidente do Conselho de Segurança, Mark Lyall Grant reconheceu ser possível realizar a iniciativa da Rússia, desde que Síria e Israel concordassem.

Ações militares em larga escala

De acordo com o chefe do Comitê dos Assuntos Internacionais da Duma (cãmara dos deputados da Rússia), Aleksêi Pushkov, “a situação exige uma decisão qualitativamente nova".

"A questão, por enquanto,  não está resolvida, ainda esta sendo examinada. Não se pode excluir a possibilidade de que a questão sírio-israelense também seja envolvida em ações militares, em larga escala", disse Pushkov à agência ITAR-Tass.

O professor Aleksandr Vavilov, da Academia Diplomática do Ministério do Exterior, disse ao jornal “Vzgliad”, que a norma citada Nesirki não foi introduzida pelo estatuto da ONU, mas por uma resolução do Conselho de Segurança.

"Foi aprovada a resolução Nº 350 do Conselho de Segurança da ONU, da qual constava que os membros permanentes do Conselho de Segurança não devem enviar as suas forças de paz para essa região",  disse Vavilov.

De acordo com Vavilov, para alterar a norma não se exigirá muito trabalho.  "Fazer isso é absolutamente elementar, será  aprovada uma outra resolução do Conselho de Segurança da ONU, e a antiga perderá a sua validade, e isso é tudo", acredita.

Ele não descarta que a  nova resolução e o mandato baseado nela serão aprovados antes  da conferência Genebra-2. Na sua opinião, a decisão não será rejeitada pelos membros do Conselho de Segurança. "Isso é de interesse comum,  caso contrário eles vão prejudicar a si próprios. O principal é que sírios e israelenses concordam”.

O Departamento de Operações de Paz da ONU promete examinar a proposta de Moscou, junto a iniciativas de outros países. O presidente do Conselho de Segurança da ONU, Grant, acrescentou que outros países, cujas forças de paz já estão nas Colinas de Golã se ofereceram para  enviar reforços. Podem se tratar das forças de paz das Filipinas (340 enviados) e da Índia (193 enviados).

Projétil atemoriza 377 soldados

Representantes do gabinete do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, reiteraram que a proposta de enviar forças de paz russas para a missão nas Colinas de Golã (UNDOF) sequer está sendo analisada.

"O secretário-geral está procurando alguém para substituir as tropas austríacas que anunciaram, na semana passada, a intenção de se retirar da composição da UNDOF", disse Nesirki. Ele ressaltou que a continuidade dos trabalhos da UNDOF é "vital" para garantir a segurança na região, para onde se transferiram os principais confrontos entre o exército de Bashar e a oposição.

O representante do secretário-geral ressaltou que a presença nas Colinas de Golã da Rússia e de outros países que são membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU é impossível no âmbito dos acordos internacionais existentes.

"Há um mandato do Conselho de Segurança e um protocolo entre Israel e a Síria. Assim, na composição da missão não podem entrar representantes dos países que são membros permanentes do Conselho”, lembrou Nesirki.

Quando se iniciou a guerra civil na Síria, o Canadá, a Croácia e o Japão retiraram  seus soldados da zona. O protocolo do acordo entre Israel e a Síria sobre o fim dos combates prevê que permaneça na área uma missão de paz com até 1.250 integrantes.

Na quinta-feira (6), iniciaram-se combates nas colinas pelo posto de controle "Quneitra”, durante os quais um projétil da artilharia caiu sobre o acampamento das forças de paz da ONU. Um integrante das forças de paz filipino se feriu.

De acordo com o jornal russo “Nezavisimaya Gazeta”, o Ministério da Defesa russo planeja enviar para as Colinas de Golã um batalhão de tropas por via aérea que integra a 31ª Brigada de assalto separada, além de um grupo de helicópteros de transporte, Mi-8 e de helicópteros de ataque Mi-24.

A 31ª Brigada é formada com objetivos pacificadores e constituída exclusivamente por integrantes contratados. A maioria dos soldados da Brigada participou de missões como a de Kosovo, Abecásia e Quirguistão, e os pilotos têm ampla experiência em operações análogas na África.

 

Publicado originalmente pelo Vziglad

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