Brasil e Rússia acertam os ponteiros

Foto: AFP / EastNews

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Chanceler russo, Serguêi Lavrov, e seu par brasileiro, Antônio de Aguiar Patriota, se encontraram no Rio de Janeiro na última terça-feira (11) para discutir situação síria e assuntos bilaterais.

As relações bilaterais e o conflito sírio dominaram a pauta do encontro do chanceler russo, Serguêi Lavrov, com seu par brasileiro, Antônio Patriota, na última terça-feira (11), no Rio de Janeiro.

Durante a visita, o chanceler russo entregou, em nome do presidente russo Vladímir Pútin, a Ordem da Amizade ao embaixador Carlos Antonio da Rocha Paranhos, que encerrou, neste mês sua missão em Moscou.

"Em cinco anos que o senhor passou em nosso país como embaixador, a Rússia e o Brasil se tornaram parceiros estratégicos nas Nações Unidas, no Brics e no G-20", disse o chanceler russo.

O contato entre Rússia e Brasil em diferentes setores vem ganhando fôlego nos últimos anos. "A Rússia é hoje um dos principais mercados para carnes, bovina e suína, para soja e muitos outros produtos agrícolas brasileiros. Estamos trabalhando também para diversificar essa pauta comercial", afirmou Antônio Patriota.

Os programas de intercâmbio universitário também estiveram na pauta da reunião, inclusive no âmbito do “Ciência sem Fronteiras”. Segundo Patriota, Rússia e Brasil começam a cooperar mais ativamente em  pesquisas nucleares e espaciais, além de nanotecnologia. 

Balança comercial

O Brasil é o maior parceiro comercial da Rússia Brasil na América Latina, e o intercâmbio comercial entre os dois é de cerca de US$ 6 bilhões de dólares. "Os presidentes de nossos países fixaram o objetivo de aumentar o comércio bilateral para US$ 10 bilhões ao ano. A meta pode ser atingida, dados os planos já aprovados e aqueles que estão sendo discutidos para grandes projetos conjuntos", disse Lavrov.

Mas Lavrov e Patriota concordam que os países continuam desconhecidos, distantes e exóticos para seus cidadãos. Para aproximar seus povos, os chanceleres discutiram a possibilidade de instalar centros culturais dedicados a esses países.  Além disso, planeja-se o Ano da Rússia no Brasil (e vice-versa).

No esporte, a região russa de Krasnodar, no sul do país, já tem uma escola de futebol brasileiro. No Brasil, o intercâmbio fica por conta do hóquei no gelo.

"Ficamos surpresos ao saber que o hóquei no gelo começou a ser praticado no Brasil, mais especificamente, em São Paulo", disse Lavrov. "Quando voltarmos a Moscou, tentaremos retribuir o gesto dos brasileiros mandar especialistas para ajudar a desenvolver o hóquei no gelo no Brasil", completou.

A coordenação das posições dos dois países em grandes fóruns internacionais, como ONU, Brics, G-20 e outros, pautou os itens internacionais da agenda da reunião.

"Temos o interesse comum de usar esses formatos internacionais para a  promoção da reforma do comércio internacional e do sistema financeiro internacional com a intenção de assegurar a novos centros de crescimento econômico um lugar mais justo no sistema internacional", disse Lavrov.

O problema sírio também foi abordado. No dia 25 de junho, Genebra sediará uma reunião preparatória para a conferência internacional sobre a Síria. A  conferência, informalmente chamada de Genebra-2, ainda não tem data definida. De acordo com Lavrov, o maior problema é determinar a lista de participantes.

"Teremos um grande prazer em ver o Brasil entre os participantes do evento,  atendendo a sua posição sempre objetiva e equilibrada em relação a qualquer problema internacional. Mas, no momento, a principal questão, ou seja, a participação de atores externos, não está resolvida. Insistimos em convidar todos os países vizinhos da Síria e aqueles que têm influência direta sobre a situação na região", disse Lavrov, em alusão ao Egito e Irã.

No entanto, a participação desses dois países, especialmente do Irã, é rejeitada por alguns países. 

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