Irã está disposto a colaborar com AIEA, diz embaixador do país na Rússia

Em primeiro lugar, o país pede a revogação das sanções e a retirada do dossiê nuclear iraniano da agenda do Conselho de Segurança da ONU, declarou o embaixador iraniano em Moscou, Mahmoud-Reza Sadjjadi Foto: RIA Nóvosti

Em primeiro lugar, o país pede a revogação das sanções e a retirada do dossiê nuclear iraniano da agenda do Conselho de Segurança da ONU, declarou o embaixador iraniano em Moscou, Mahmoud-Reza Sadjjadi Foto: RIA Nóvosti

Isso viria em troca de medidas recíprocas do sexteto –Rússia, EUA, China, França, Reino Unido e Alemanha–, diz embaixador do país na Rússia.

Teerã está pronta para mostrar uma abertura significativamente maior na sua colaboração com a AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) e propõe a construção conjunta de usinas nucleares e outras áreas de cooperação com a comunidade internacional em troca de medidas recíprocas do sexteto –Rússia, EUA, China, França, Reino Unido e Alemanha.

Em primeiro lugar, o país pede a revogação das sanções e a retirada do dossiê nuclear iraniano da agenda do Conselho de Segurança da ONU, declarou o embaixador iraniano em Moscou, Mahmoud-Reza Sadjjadi, em uma entrevista ao jornal “RIA Nóvosti”.

Pela primeira vez, ele anunciou oficialmente ao sexteto de mediadores os detalhes das propostas de Teerã, que foram discutidas durante as últimas reuniões sobre a questão nuclear do Irã em Alma-Ata e em Istambul.

Ontem, no entanto, a agência nuclear da agência da ONU disse que as negociações com Teerã "andam em círculos" há algum tempo.

Pacote de propostas  

"O plano passo a passo da regularização da situação em torno da questão nuclear iraniana ainda consta da agenda das conversações. O Irã apresentou um pacote de propostas para solucionar a questão nuclear que consiste de cinco itens, dos quais o quarto e quinto levam um caráter genérico de interação com o sexteto e não estão diretamente relacionados às questões nucleares", disse o embaixador.

De acordo com ele, o primeiro passo é o pleno reconhecimento pelo sexteto do direito do Irã enriquecer urânio. Em troca, o país “reafirma seus compromissos no âmbito do Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares e destaca a sua recusa em relação à utilização de armas nucleares”.

"O segundo passo são as chamadas ‘medidas de transparência’, baseadas em uma cooperação mais aberta do Irã com a AIEA em relação à questão do caráter militar do programa nuclear iraniano", continuou Sadjjadi. “Em troca, pedimos que o sexteto revogue todas as sanções em relação ao Irã”.

O diplomata disse que o terceiro passo são as "medidas de fortalecimento da confiança", que estão direcionadas à cooperação do Irã com o sexteto na questão do fornecimento de combustível para o reator de pesquisa-científica de Teerã. Em contrapartida, o sexteto deve retirar o dossiê nuclear iraniano da agenda do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

"O quarto passo é reforçar a cooperação com base em interesses mútuos e que consiste no projeto e na construção de usinas nucleares, assim como de reatores de pesquisa, no Irã. O quinto e último passo pressupõe a cooperação do Irã em questões como a situação na Síria e no Bahrein. De nossa parte, solicitamos que o sexteto nos ajude na luta contra a pirataria e no combate à proliferação das drogas", acrescentou o embaixador.

De acordo com Sadjjadi, agora Teerã aguarda uma resposta do sexteto em relação à questão da data para uma nova rodada de negociações.

Conferência sobre a Síria

Sadjjadi também declarou que o Irã está pronto para participar da Conferência Internacional sobre a regularização da situação na Síria, caso receba o convite.

"Estamos prontos para participar dessa conferência. Sem qualquer dúvida, se o Irã for convidado, teremos uma participação séria e ativa no processo de negociação de uma solução para a crise na Síria", disse o embaixador.

O ministro dos Negócios do Exterior, Sergei Lavrov, já havia falado sobre a necessidade da participação do Irã na conferência, programada para este mês,  uma iniciativa da Rússia e dos Estados Unidos. A França se pronunciou contrária ao convite de Teerã.

Eleições

Na entrevista, o embaixador também abordou as eleições presidenciais no Irã, marcadas para o próximo dia 14. Ele supõe que a campanha eleitoral será "quente", mas assegurou que não se deve esperar a repetição dos distúrbios que ocorreram em 2009 .

Segundo ele, as autoridades podem "controlar totalmente a situação e permitir ao povo iraniano fazer a sua escolha em um ambiente tranquilo".

 

Publicado originalmente pela agência RIA Nóvosti

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