Empresários se reúnem para reforçar as relações entre a Rússia e os países latino-americanos

Empresários, embaixadores e representantes das empresas estatais russas participaram da primeira conferência de investimento destinada a fortalecer os laços comerciais entre as empresas russas e latino-americanas. A região desperta cada vez mais interesse dos russos, que querem diversificar seus negócios e diminuir a dependência da economia europeia.

América Latina apresenta maior potencial de compra de produtos de alta tecnologia russos Foto: Ruslan Sukhuchin

Na última segunda feira (27), foi realizada em Moscou a 1a Conferência Internacional de Investimento e de Desenvolvimento dos Laços Comerciais e Econômicos Rússia-América Latina. O evento contou com a presença de embaixadores e representantes de 26 países latino-americanos, empresas estatais e privadas russas, além de associações empresariais.

A ideia dos organizadores era oferecer uma oportunidade de iniciar a discussão internacional sobre as relações entre ambas partes. Por isso, há expectativa de transformar a conferência em um encontro anual para desenvolver laços econômicos e comerciais, promover o intercâmbio de experiência, tecnologias e investimento, e superar os obstáculos burocráticos que dificultam o comércio entre a Rússia e os países da América Latina.

“As relações Rússia-Argentina estão em seu melhor momento histórico” Juan Carlos Kreckler, embaixador da Argentina na Rússia

O vice-presidente da Câmara de Indústria e Comércio da Federação Russa, Gueórgui Petrov, alega que uma das razões principais para o crescente interesse da Rússia nessa região é a necessidade de encontrar parceiros confiáveis diante da crise econômica mundial. Os principais parceiros da Rússia na América Latina atualmente são o Brasil, Argentina, Venezuela, Cuba e Equador.

“No início do século 21, os países latino-americanos começaram a se tornar sistemas socialmente responsáveis”, diz Vladímir Davidov, diretor do Instituto da América Latina, ao comentar que as nações sul-americanas ensinaram a Rússia a aprender com a crise. “Os países dessa região conseguiram reduzir ou minimizar os indica“A conferência internacional que organizamos é um passo para fortalecer os laços entre grupos empresariais dos nossos países e explorar as novas oportunidades de negócios tanto na Rússia como em cada um dos nossos países”, afirmou Jorge Luis Perez Alvarado, embaixador da República Dominicana na Rússia.

“É hora de dar um forte impulso aos investimentos mútuos” Alberto Beltran Ruben Guerrero, embaixador do México na Rússia

“A conferência internacional que organizamos é um passo para fortalecer os laços entre grupos empresariais dos nossos países e explorar as novas oportunidades de negócios tanto na Rússia como em cada um dos nossos países”, afirmou Jorge Luis Perez Alvarado, embaixador da República Dominicana na Rússia.

Mudança de eixo

Hoje em dia, a Europa continua a ser o maior parceiro comercial da Rússia e responde por quase metade de todas as exportações do país. Porém, ao longo dos últimos anos, Moscou percebeu a necessidade de diversificar seu comércio exterior para evitar a dependência de um único comprador e passou a fortalecer as relações com a América Latina e a Ásia.

“Nossas economias são complementares, portanto, temos muito espaço para crescimento” Rafael Amador Francisco Campos, embaixador da Colômbia na Rússia

Os países asiáticos necessitam de recursos energéticos para manter o crescimento econômico e a Rússia possui enormes reservas de matérias-primas que podem satisfazer essa demanda. No entanto, essa transferência dos depósitos na Sibéria Oriental, pouco desenvolvidos em comparação com os da porção europeia do país, requer investimentos multimilionários.

Encurtando distâncias

Uma das novas áreas de cooperação que dá sinais de avanço é o turismo. “Os turistas russos já demonstraram que as grandes distâncias não são motivo para separar os países”, completou Petrov. O principal destino turístico no continente sul-americano é a República Dominicana, que recebeu mais de 120 mil visitantes russos no ano passado. O segundo lugar é ocupado por Cuba (75 mil turistas russos), seguido pelo México (cerca de 50 mil). 

Quanto à produção russa de alta tecnologia, o parceiro mais promissor é a América Latina, que está realizando uma série de programas de modernização em diversos setores. Em 2012, os países latino-americanos e do Caribe compraram 75,8% de todas as exportações de tecnologia de combate a incêndios e de construção e 37,8% das exportações de equipamentos de radares. Além disso, 7 usinas hidrelétricas russas foram adquiridas pela Argentina, 5 pelo Brasil e 2 pelo Chile.

Gueórgui Petrov reitera a mudança de eixo das relações comerciais russas, antes focadas na Europa. “Os nossos empresários entendem que é errado se concentrar em um único parceiro. É preciso diversificar os contatos, aumentar a cooperação de investimento e os países da América Latina já se tornaram os parceiros mais importantes”, declarou Petrov. 

O representante da organização empresarial “Negócios da Rússia” Andrêi Repik concorda que há muitas oportunidades de reforçar a cooperação econômica  da América Latina com a Rússia. “Essa região não é só uma fonte de produtos que faltam na Rússia, mas também um campo de investimento muito promissor”, disse Repik durante a conferência. O volume do comércio da Rússia com a região ultrapassa US$ 16 bilhões de euros e esse não é o limite.

Várias empresas russas já entraram nos mercados sul-americanos. Esse é o caso das petrolíferas Zarubejneft e Grazpromneft, que operam em Cuba, da Severstal e TNK-BP que investiram no Brasil, e a Rosneft e o Consórcio Nacional de Petróleo com parcerias na Venezuela, entre outros. 

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