Rússia não assinará novos contratos de fornecimento de armas à Síria, diz Lavrov

"A Rússia está finalizando o fornecimento de sistemas antiaéreos. Esse é um armamento defensivo, projetado para que a Síria tenha a possibilidade de se proteger de ataques aéreos", disse Lavrov Foto: Reuters / Vostock Photo

"A Rússia está finalizando o fornecimento de sistemas antiaéreos. Esse é um armamento defensivo, projetado para que a Síria tenha a possibilidade de se proteger de ataques aéreos", disse Lavrov Foto: Reuters / Vostock Photo

O chefe do Ministério de Relações Exteriores russo disse que Moscou não está planejando novos contratos de armas com Damasco. Além disso, Lavrov garantiu que a possível criação de uma base aérea da Rússia na Bielorrússia não está relacionada com o sistema europeu de defesa antimíssil.

A Rússia não tem a intenção de vender armas à Síria além dos contratos já existentes, declarou o ministro das Relações Exteriores, Serguêi Lavrov.

Na sexta-feira (10), Lavrou se reuniu com seus colegas da Alemanha e da Polônia, Guido Westerwelle e Radoslaw Sikorski, respectivamente, em Varsóvia, na Polônia.

"A Rússia está finalizando o fornecimento de sistemas antiaéreos. Esse é um armamento defensivo, projetado para que a Síria tenha a possibilidade de se proteger de ataques aéreos", disse Lavrov.

Na véspera do encontro na capital polonesa, diversos veículos do Ocidente informaram  que Moscou forneceria o sistema de defesa antimíssil S-300 para Damasco.

A reação foi instantânea: o primeiro-ministro britânico, David Cameron, levantou a questão em meio às suas conversas com Vladímir Pútin, em Sôtchi. Westerwelle também indagou Lavrov sobre a questão durante o encontro em Varsóvia.

Esse foi o terceiro encontro do tipo realizado entre os ministros: em 2011, a reunião ocorreu em Kaliningrado; em 2012, em Berlim. Lavrov, Westerwelle e Sikorski acertaram que a reunião do próximo ano será realizada em São Petersburgo.

De acordo com Lavrov, o formato do encontro é útil para o surgimento de novas ideias para melhorar a cooperação na prática entre os três países e desenvolver uma parceria estratégica da Rússia com a UE.

Base na Bielorússia

Indagado pela Gazeta Russa se a base aérea na Bielorrússia poderia ser considerada como uma resposta do lado russo ao sistema antimíssil europeu, Lavrov disse:

"Do ponto de vista puramente militar, a base da força aérea, na forma em que a questão foi discutida entre Rússia e Bielorrússia, nada tem a ver com o sistema europeu de defesa antimíssil. Existem outros meios para neutralizar os riscos potenciais.”

Até 2015, Moscou pretende criar uma base aérea completa na vizinha Bielorrússia, que hospedará caças russos. Em 23 de abril, o chefe do Ministério da Defesa, Serguêi Shoigu, realizou uma visita à Minsk para tratar do assunto.

De acordo com acordos preliminares, a primeira unidade de emergência de caças será entregue já em 2013. Depois de dois anos, surgirá um regimento de aviação russa na Bielorrússia.

Além disso, em 2014, a Rússia fornecerá quatro divisões de S-300 para proteger o espaço aéreo da Bielorrússia.

O presidente bielorrusso, Aleksander Lukashenko, não levantou objeções às propostas de Shoigu, mas declarou que ainda não foram alcançados os acordos de princípio sobre a base. 

Ele lembrou que a relação da Rússia com a Bielorrússia, incluindo a esfera militar, constitui-se como a de aliado.

"Temos um tratado sobre o estado da união, cujos mecanismos estão funcionando. As questões de segurança são resolvidas de maneira harmoniosa. Não vejo qualquer motivo para nervosismo em relação a esse assunto”, destacou Lavrov.

Perguntado sobre qual seria a reação da Alemanha e da Polônia em relação à criação dessa base aérea, Westerwelle observou: “o fortalecimento da confiança é o principal objetivo que devemos almejar.”

A resposta de Sikorski foi mais concreta:

"A Polônia não quer participar de uma corrida armamentista perto de suas fronteiras.” Ele acrescentou que “o surgimento da base aérea russa na Bielorrússia nos preocupa e nós gostaríamos que isso não acontecesse".

É compreensível que, para a União Europeia, jatos de combate russos extras junto às fronteiras orientais são absolutamente desnecessários.

Lavrov teve que dar explicações adicionais a esse respeito:

“Muitas vezes eu já falei sobre a aproximação da infraestrutura militar das fronteiras do país. Quando o Pacto de Varsóvia terminou, garantiram-nos que a Otan não iria se expandir para o Leste. Mais tarde, a aliança começou a se expandir. Também nos garantiram que nos territórios dos novos membros da Otan não iriam ser dispostas forças de combate substanciais permanentes. Tudo isso foi violado, nada está sendo cumprido. A infraestrutura militar da Otan realmente está movendo-se para o Leste, rente à fronteira russa. E nós não estamos fazendo disso uma tragédia."

De acordo com Lavrov, Moscou, Berlim e Varsóvia têm uma compreensão geral de que a Rússia e a Otan não são inimigos, o que está sacramentado em documentos aprovados em esferas superiores.

"Nesse sentido, há algum tempo, Rússia e Polônia apoiaram a iniciativa da Alemanha de um projeto de fortalecimento de confiança na área Euro-Atlântica. Nós somos coautores do respectivo documento no Conselho Otan-Rússia. Espero que os outros membros do conselho apoiem nossa iniciativa conjunta", disse ele.

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