Em visita à Rússia, secretário de Estado americano discute cooperação e conflito na Síria

Ministro dos Negócios Estrangeiros, Serguêi Lavrov (à dir.) e secretário de Estado dos EUA, John Kerry (à esq.) Foto: AP

Ministro dos Negócios Estrangeiros, Serguêi Lavrov (à dir.) e secretário de Estado dos EUA, John Kerry (à esq.) Foto: AP

Serguêi Lavrov, ministro dos Negócios Estrangeiros, declarou que tanto a Rússia como os EUA têm a intenção de "incentivar o governo sírio e os grupos de oposição para que eles cheguem a uma solução política".

Moscou e Washington decidiram organizar uma conferência internacional para ajudar a resolver o conflito na Síria, que já se estende por dois anos.

A declaração foi feita durante entrevista coletiva da última quarta-feira (8) pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Serguêi Lavrov, e pelo secretário de Estado dos EUA, John Kerry.

De acordo com Lavrov, tal conferência deve ser convocada "o mais depressa possível". Ele disse que isso provavelmente vai acontecer já no final de maio.

Lavrov declarou que tanto a Rússia como os EUA têm a intenção de "incentivar o governo sírio e os grupos de oposição para que eles cheguem a uma solução política". De acordo com ele, os representantes do governo sírio já formaram uma comissão especial para estabelecer conversações sobre a solução da crise. Mas a oposição ainda não deu nenhuma resposta em relação à possibilidade do diálogo.

Na terça-feira, Kerry, que visitava a Rússia pela primeira vez no cargo de secretário de Estado, conseguiu depositar flores no Túmulo do Soldado Desconhecido, conversar com veteranos da Segunda Guerra, se reunir com o presidente Vladímir Pútin e dialogar com Lavrov. Ele destacou que sentia-se honrado por estar em Moscou na véspera das comemorações do Dia da Vitória.

"Eu sei muito bem que esse feriado é muito importante para o povo russo",  disse.

Ele destacou especialmente "os sacrifícios que o povo russo fez durante as duas guerras mundiais, bem como a contribuição para a vitória durante a Segunda Guerra Mundial”.

De acordo com Kerry, sua conversa com Pútin foi bastante produtiva.

O presidente russo confirmou que leu com atenção a recente mensagem de Barack Obama e está elaborando uma resposta, que será entregue em breve a Washington.

Pútin também declarou aguardar com grande expectativa o seu encontro com Obama na reunião de Cúpula do G-8, que será realizada na Irlanda do Norte, em meados de junho.

Aparentemente, o Kremlin ficou satisfeito com as negociações. Lavrov expressou sua satisfação com "o tom e a atmosfera em que se realizou a conversa rica e proveitosa" com o líder russo.

"Do lado americano, nós percebemos o propósito de desenvolver, de todas as maneiras possíveis, as relações bilaterais na economia, na esfera do diálogo político e na cooperação na arena internacional e estamos plenamente de acordo com essa tendência",  disse o ministro.

O próprio Kerry acrescentou que entre a Rússia e os Estados Unidos existem pontos de discordância, afirmando, no entanto, que em temas como o Tratado sobre Armas Ofensivas Estratégicas, OMC, Irã, Coreia do Norte e Afeganistão, “a nossa cooperação tem sido notável”.

"Eu considero muito importante a cooperação entre os nossos principais ministérios e agências, incluindo o Ministério das Relações Exteriores, para encontrar soluções e respostas às questões críticas do mundo atual", disse   Michael Mcfaul, embaixador dos Estados Unidos na Rússia, à Gazeta Russa.

De acordo com informações de uma fonte do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Federação Russa, pelo menos cinco documentos, já em fase final de negociação,  poderão ser colocados diante dos presidentes de Rússia e EUA.

Tratam-se de acordos sobre cooperação em matéria de não proliferação de armas de destruição em massa, da luta contra o terrorismo, do fortalecimento das relações econômicas e dos contatos interinstitucionais, bem como de medidas de confiança no ciberespaço.

Armas químicas

Lavrov também destacou que Moscou e Washington chegaram a um acordo sobre uma cooperação mais intensiva entre os serviços secretos sobre a utilização de armas químicas na Síria. Ele declarou que a Rússia está tão preocupada quanto os EUA com essa questão, mas sublinhou que não se deve "fazer esse tema como refém para diversas provocações" até que os fatos do uso de armas químicas não sejam esclarecidos de maneira confiável.

Kerry, por sua vez, assegurou, que a questão do fornecimento de armas para a oposição da Síria, assunto no qual insistem muitos congressistas e senadores americanos, será decidido somente após uma investigação minuciosa sobre a informação da possível utilização de armas químicas no país.

O secretário de Estado manifestou a esperança que após a conferência seja constituído um governo de transição na Síria. De acordo com ele, Washington e Moscou têm interesses comuns no país, incluindo o desejo de estabilidade na região e o combate da disseminação do extremismo. Em particular, a Casa Branca está preocupada com o fato da "Síria estar se tornando um ímã para os extremistas."

Entretanto, na terça-feira, como se tornou do conhecimento de todos, Obama prorrogou por um ano o assim chamado “regime de situações de emergência em relação às ações do governo da Síria".

De acordo com as leis americanas, essa decisão fornece, para a administração, a justificativa para a manutenção e, se necessário, o recrudescimento das sanções contra as autoridades sírias.

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