Conselho Rússia-Otan fortalece combate ao terrorismo

Nesta terça-feira (23), Bruxelas foi palco de mais uma reunião com os ministros das Relações Exteriores do Conselho Rússia-Otan Foto: AP

Nesta terça-feira (23), Bruxelas foi palco de mais uma reunião com os ministros das Relações Exteriores do Conselho Rússia-Otan Foto: AP

Apesar dos acordos que preveem a expansão do fundo fiduciário para os serviços de manutenção de helicópteros russos no Afeganistão e o aprofundamento da cooperação em ações antiterroristas, não houve progresso quanto ao escudo de defesa antimíssil americano.

Nesta terça-feira (23), Bruxelas foi palco de mais uma reunião com os ministros das Relações Exteriores do Conselho Rússia-Otan. O encontro foi aberto com uma breve declaração do secretário-geral da Aliança, Anders Fogh Rasmussen, relembrando os primórdios da cooperação.

“Há dois anos e meio, durante uma reunião em Lisboa, Otan e Rússia decidiram fazer uma parceria estratégica. Temos que cumprir essa promessa, embora tenham sido feitos progressos significativos em muitas áreas. A reunião de hoje será mais um passo na direção certa”, disse Rasmussen.

Durante duas horas e meia, os ministros discutiram diversas questões atuais relacionadas à segurança internacional, desde a cooperação na luta contra o terrorismo, o narcotráfico e a  pirataria, até o agravamento da situação na península coreana e a crise na Síria.

O principal resultado positivo do encontro de Bruxelas foi o acordo sobre o início da segunda etapa das atividades do fundo fiduciário para os serviços de manutenção de helicópteros russos no Afeganistão. Dez países estão participando do projeto, cuja contribuição total beira os US$ 20 milhões.

O dinheiro está sendo atualmente investido na formação profissional de técnicos afegãos de manutenção e em serviços de manutenção de helicópteros Mi-17. Com o lançamento da segunda fase, o programa de treinamento será expandido, e o fundo será direcionado também para a manutenção de outros tipos de helicópteros, incluindo o Mi-35.

Síria em debate 

Como era de se esperar, o debate em torno sobre o conflito sírio não apresentou avanços durante a reunião. Mesmo assim, no dia seguinte, os 27 países da UE (a maioria dos quais também fazem parte da Otan) afrouxaram o embargo de petróleo contra a Síria. A partir de agora, os europeus poderão tomar suas próprias decisões sobre o fornecimento do petróleo sírio de áreas controladas pela oposição.A decisão foi recebida de forma negativa por Moscou e Lavrov tentou convencer aos demais que a suspensão parcial do embargo só agravaria a situação do país já dividido pela guerra civil.

Os membros do Conselho Rússia-Otan não se limitaram à  cooperação no Afeganistão. “A ameaça do terrorismo não desapareceu, o que claramente mostrou a tragédia em Boston”, lembrou ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguêi Lavrov.

Em  junho, especialistas da Rússia e da Otan realizarão, pela primeira vez em condições reais, testes do sistema de detecção remota de explosivos Standex, desenvolvido em conjunto. O secretário-geral da Aliança contou que o novo sistema, já apelidado de “nariz eletrônico”, será testado no “metrô de uma das capitais europeias”, provavelmente em Paris. A expectativa é que o sistema já seja usado durante os Jogos Olímpicos de Sôtchi, em 2014.

Para complementar as ações nessa área, haverá treinamentos para gestores do sistema comum de controle do tráfego aéreo em setembro, nos quais serão trabalhadas as ações em caso de captura de aeronaves civis por terroristas.

Os participantes do Conselho Rússia-Otan também mostraram preocupação com a segurança do espaço virtual e o ministro dos Negócios Estrangeiros russo propôs, inclusive, um reforço conjunto da segurança cibernética. “Isso é essencial para combater as redes terroristas, hackers e outros abusos na rede”, explica o ministro, salientando que o Secretário de Estado de Estados Unidos, John Kerry, já havia aprovado a ideia.

Discussão antiga

Em relação ao escudo de defesa antimíssil norte-americano, não foram obtidos resultados expressivos, embora a Rússia continue exigindo garantias expressas de não orientação do sistema contra as forças nucleares russas.

A recente reunião do Conselho Rússia-Otan foi a primeira desde que os Estados Unidos anunciaram o abandono da quarta etapa da implantação do sistema de defesa antimísseis na Europa e, por esse motivo, os observadores aguardavam agora uma mudança qualitativa nas relações entre as duas partes.

“Houve um diálogo ativo, mas fizemos progressos muito limitados”, declarou o secretário-geral da Otan. Por outro, Lavrov garantiu que as autoridades russas estão estudando as propostas norte-americanas relativas ao assunto, enviadas ao presidente russo Vladímir Pútin no último dia 15, durante a visita do enviado da Casa Branca, Tom Donilon, a Moscou.

 

Publicado originalmente pelo Kommersant

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